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Quatro verdades sobre as eleições no Peru que não estão nos meios de comunicação

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

* Giovanni Mitrovic 
Quatro verdades sobre as eleições 2016 no Peru que você não encontrará nos meios de comunicação tradicionais: Pedro Pablo Kuczynski não deveria estar no segundo turno; o segundo turno das eleições deveria ser entre os votos brancos e nulos e a filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), Keiko Fujimori; os verdadeiros ganhadores das eleições de 2016 foram os 7,5 milhões de peruanos (um terço dos votantes aptos) que não votaram, votaram em branco ou nulo; os votos em branco, nulo ou abstenções superaram Keiko por uma diferença de 1,4 milhão de votos e ultrapassaram em 165 mil os votos recebidos por Kuczynski.

  • 1) Quantos eleitores estavam aptos a votar nas eleições presidenciais de 2016?

O total chegou a quase 23 milhões de votantes legais. Exatamente 22.901.954. Por ser esta a cifra total (100%) dos eleitores, calculamos as porcentagens em relação a ela. Desta maneira, é possível ter uma visão integral e de conjunto da atitude do eleitorado peruano, a qual é desvirtuada quando as porcentagens são computadas usando unicamente os votos válidos.

  • 2) Quem realmente ganhou as eleições?

O grupo que venceu as eleições está integrado pelos eleitores que não votaram, votaram em branco e pelos que anularam o voto. Considerados em conjunto, encontramos 7.561.811 eleitores, quer dizer, um terço da população eleitoral (33%).
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Com seu comportamento crítico a respeito do sufrágio, este grupo de eleitores expressou seu rechaço aos candidatos na disputa e manifestou desprezo pelo sistema que, qualquer que seja o ganhador aparente, continuará excluindo seus interesses.
A população que explícita ou implicitamente votou contra o sistema (7.561.811 votantes, 33% do universo eleitoral) superou em quase um milhão e meio – exatamente 1.446.738 votos − a candidata filha do ex-ditador Fujimori. Vale ressaltar que a postulante é apresentada como sendo a “vencedora” do primeiro turno por ter obtido 6.115.073 votos ou 26,7% da população eleitoral apta a votar.
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Assim, se é necessário realizar um segundo turno eleitoral, este deveria ser entre o setor que não votou, votou em branco ou anulou o voto, que é a verdadeira maioria do país, contra a segunda maioria de uma candidata cujo objetivo principal é tirar seu pai da prisão dourada na qual cumpre condenação pelos crimes e delitos cometidos entre os anos 1990 e 2000.

  • 3) Kuczynski, que renunciou à sua nacionalidade peruana, deve participar do segundo turno?

De forma alguma. O leitor pode comprovar que a somatória de 3.393.987 votos em branco e nulos (excluindo os que não foram votar) é superior aos 3.228.661 votos obtidos pelo homem da IPC (International Petroleum Company) no Banco Reserva. Em outras palavras, os votos em branco e nulos ganharam de Kuczynski por 165.326 votos.
Devemos ressaltar que a quantidade de votos nulos e em branco não leva em conta aqueles que decidiram não votar. Desta forma, pode ser deixada de lado a posição daqueles que afirmam que em cada eleição sempre existem os que não comparecem nas urnas. Os votos que superam Kuczynski são os votos em branco e nulos, quer dizer, os sufrágios daqueles que explicitamente rechaçaram os candidatos que se postularam às eleições.

  • 4) E como ficou a votação de Alan García?

Basta dizer que a cifra de 1.168.538 votos nulos – sem considerar os votos em branco – superou por mais de 250 mil os votos (894.278) obtidos por Alan García, o trapaceador político beneficiário da fundação Raios de Sol, constituída no paraíso fiscal de Liechtenstein, na qual Alan supostamente esconde o produto de seus roubos.
(*) Giovanni Mitrovic, colaborador em Lima, Peru


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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