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ToggleA Rede Nacional de Solidariedade com Cuba nos Estados Unidos (NNOC) culminou seu encontro anual na capital norte-americana com o compromisso reiterado de defender a soberania e a autodeterminação do país caribenho.
De 18 a 20 de outubro, a coalizão celebrou sua conferência anual no Instituto para Estudos de Política de Washington DC, onde aprovou uma declaração final que também ratificou a disposição do movimento de seguir criando consciência sobre o impacto da política estadunidense contra Cuba.
No encontro, amigos da ilha vindo de estados como Nova York, Massachusetts, Minnesota, Califórnia, Michigan, Maryland, Illinois,
Virgínia, Washington e Wisconsin revisaram as atividades de apoio a Cuba realizadas durante o último ano e planejaram ações para os próximos 12 meses.
Também discutiram formas de fazer ainda mais efetiva nos diferentes lugares do território norte-americano a difusão de informações sobre Cuba, pois em várias ocasiões mostraram que existe desconhecimento sobre a realidade da ilha dada a cobertura majoritariamente negativa que mantêm os grande meios de comunicação.
Prensa Latina
Rede Nacional de Solidariedade com Cuba nos Estados Unidos (NNOC)
A rede cresce e planeja novas ações
Nalda Vigezzi, co diretora da NNOC, considerou excelente a
Conferência anual dessa organização, na qual dialogaram, entre outros temas, sobre legislações introduzidas no Congresso sobre Cuba e a importância de instar os membros do Capitólio a apoiá-las.
A esse respeito, remarcou que dedicaram uma parte do encontro à necessidade de defender o direito dos estadunidenses de viajar a Cuba, quando o atual executivo limita ainda mais essas visitas, com medidas como a eliminação das viagens educativas cidade a cidade.
Como disseram vários participantes, muitos estadunidenses foram à ilha com essa licença e, ao proibi-la, inclusive quando ainda há outras a serem realizadas, existe um efeito de esfriamento, e as pessoas temem a ameaça de serem processadas, manifestou Vigezzi.
Lamentou que isso tem reduzido as vistas ao país caribenho e a possibilidade dos estadunidenses verem com seus próprios olhos, não apenas as conquistas da Revolução cubana, mas também as mentiras e a desinformação sobre a política norte-americana.
A co diretora assinalou que também falaram sobre o trabalho realizado no nível estatal e local para aprovar resoluções de condenação ao bloqueio imposto por Washington contra Cuba há quase 60 anos e a favor das relações bilaterais, as quais foram aprovadas até o momento em 12 cidades do país.
Agregou que se referiram também ao apoio do movimento à Fundação Inter-religiosa para a Organização Comunitária-Pastores pela Paz e à Brigada Venceremos, entre outras iniciativas, e discutiram a realização de eventos com motivo da próxima votação contra o bloqueio que terá lugar no início de novembro na ONU.
Alguns participantes também instaram às mais de 40 organizações que integram a NNOC a realizar ações em suas cidades para comemorar no próximo 17 de dezembro o quinto aniversário do regresso à ilha dos últimos três dos cinco heróis antiterroristas cubanos que estiveram encarcerados nos Estados Unidos.
Nessa mesma data, os então presidentes de Cuba, Raúl Castro, e dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciaram o início de um processo de normalização de relações bilaterais, que o atual mandatário, Donald Trump, decidiu reverter.
Além disso, dialogaram sobre a participação de vários integrantes da rede no Encontro Anti-imperialista de Solidariedade, pela Democracia e contra o Neoliberalismo a ser realizado no próximo mês em Havana, e acerca da realização de uma importante conferência sobre Cuba, em março de 2020 em Nova York.
De 20 a 22 deste mês terá lugar na principal cidade do país a Segunda Conferência Nacional para a Normalização das Relações Estados Unidos-Cuba, um encontro que reunirá pessoas enfocadas, entre outros objetivos, a buscar o levantamento do cerco econômico, comercial e financeiro.
Ike Nahem, membro da Coalizão Nova York-Nova Jersey Cuba Sim,
recordou que em 2017 ocorreu a primeira edição da conferência que reuniu umas 200 pessoas, e disse a Prensa Latina que esperam ter uma participação ainda maior na próxima, a ser efetuada na Faculdade de Direito da Universidade da Cidade de Nova York.
O ativista explicou que na reunião novaiorquina serão realizados vários painéis para abordar temas como os nexos bilaterais, as restrições de viagens à nação antilhana, o impacto das medidas adotadas pela administração Trump na economia da ilha e questões vinculadas com a América Latina, entre outros assuntos.
Um momento importante da conferência anual da NNOC foi a adesão à rede de cinco novas organizações: a Coalizão Nova York-Nova Jersey Cuba Sim, Pró-Liberdade, Mulheres em Luta, Socialistas Democráticos de América (DSA) e Comités de Correspondência para a Democracia e o Socialismo.
Ante a pergunta de por que a DAS, a maior organização socialista dos Estados Unidos, decidiu se somar ao trabalho da NNOC, um de seus membros, Tom Wojcik, referiu-se ao respeito que existe dentro desse coletivo à autodeterminação da nação antilhana. O jovem explicou que seus membros aprovaram somar-se a NNOC durante a convenção da DAS no verão passado, quando também votaram a favor de uma declaração que expressou a solidariedade com o povo cubano e a oposição categórica ao bloqueio.
O agradecimento de Cuba
No início do evento da rede solidária em Washington DC, foi lida uma mensagem enviada à coalizão por Fernando González, presidente
do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), que agradeceu ao movimento por seu impulso a diferentes iniciativas em favor da ilha.
“Conhecemos as atividades que têm levado a cabo em todos os Estados Unidos para promover as conquistas sociais de Cuba e se opor as política agressivas da administração Trump”.
As políticas hostis vão se chocar contra inúmeras expressões de amizade e respeito por nosso país, destacou o diretor do ICAP, que assegurou que as ameaças e a coerção não extraíram nem uma só concessão a Cuba.
Também mostrou agradecimento o embaixador cubano em Washington DC,
José Ramón Cabañas, que em 18 de outubro na legação diplomática da ilha deu as boas-vindas aos participantes da conferência e interveio em um evento público realizado no dia seguinte sobre Cuba e Venezuela no Museu da Guerra Civil Afro-americana.
Em ambos os momentos o diplomata recordou o trabalho fundamental do movimento solidário para conseguir o regresso a Cuba do menino Elián González e dos cinco heróis antiterroristas cubanos.
Por sua parte, Miguel Fraga, primeiro secretário da Embaixada de Cuba, afirmou na última jornada do evento que, em muitos lugares da nação norte-americana tem encontrado verdadeiro apoio às relações bilaterais, inclusive de pessoas que só escutam coisas negativas sobre a ilha.
“Isso se deve também ao trabalho que realizam vocês, nossos amigos verdadeiros, através dos anos”, disse aos membros da coalizão solidária.
Remarcou que “lutaram nos momentos mais difíceis e nunca renunciaram, nós tampouco o faremos, seguiremos juntos por um futuro melhor”.
*Martha Andrés Román, Correspondente de Prensa Latina nos Estados Unidos.
**Tradução: Beatriz Cannabrava
***Prensa Latina, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.
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