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Ricardo Alarcón foi o mais resistente chanceler cubano contra imperialismo dos EUA

Alarcón parte deixando um caminho aberto para libertação e um exemplo incomparável de diplomacia revolucionária
Stella Calloni
Prensa Latina
Buenos Aires

Tradução:

Seu discurso forte, cálido e brilhante sacudiu uma e outra vez o letargo dos organismos internacionais demonstrando sabedoria, coerência e coragem revolucionária para defender os direitos de seu país e de seu povo, o que ficará na história da resistência no mundo.

Muitos cargos foram ocupados por Alarcón, autêntico militante comunista, o qual como o inesquecível chanceler dos princípios da Revolução cubana, Raúl Roa García, revolucionou a linguagem com que se enfrentava ao império em sua própria sede.

Seguramente Ricardo Alarcón estaria orgulhoso do atual chanceler Bruno Rodríguez Parrilla e dos diplomatas cubanos que converteram, entre outros temas como a educação, a saúde e a cultura em um modelo a diplomacia, na longa luta contra a potência imperial. Isto deveria estar registrada em todos as academias de nossos países como uma constante de luta anticolonial no terreno das relações exteriores, onde qualquer claudicação se paga com um preço muito alto.

A morte de Alarcón produziu-se em momentos em que uma delegação cultural e artística cubana se encontrava em Buenos Aires, na Feira do Livro que se realiza aqui, dedicada neste ano a Havana.

Alarcón parte deixando um caminho aberto para libertação e um exemplo incomparável de diplomacia revolucionária

Ismael Francisco/Cubadebate
icardo Alarcon, presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba, en conferência especial durante Pedagogia 2013

Enquanto isso, o povo cubano estava nas ruas na mobilização pelo Primeiro de Maio que, por sua magnitude foi uma extraordinária resposta às ações terroristas dos Estados Unidos contra Cuba. 

O governo do presidente republicano Donald Trump agregou mais de duas centenas de sanções, que foi aumentada pelo atual mandatário democrata Joe Biden, agravado o sítio de guerra que os Estados Unidos mantêm contra Cuba, em um bloqueio que dura mais de 60 anos.

Pensando na linguagem bíblica é a luta de David contra Golias e o gigante nunca pode dobrar a Revolução e seus princípios, ao povo cubano ao que há que render contínuas homenagens pela incrível capacidade de resistência e de solidariedade.

Alarcón foi homenageado em seu país nessa mobilização de quadras e quadras, que impactou no mundo e demonstrou uma vez mais que Cuba continua de pé e luta contra todas as adversidades, como faz uma verdadeira revolução, um antídoto contra o decadente capitalismo selvagem destes tempos. Também foi recordado aqui, e pelos povos em toda a América Latina e o Caribe. Mas também em muitos outros lugares do mundo.


Sobre o bloqueio e outras infâmias

A cada ano, pelo trabalho diplomático profundo e criativo de Cuba, se renova e aumenta a quantidade de países que exigem o levantamento do bloqueio, só defendido pelos Estados Unidos e por Israel.

Será possível que neste século XXI a vontade da maioria de países do mundo seja coartada pela soberba de um império, que continua violando as normas internacionais e os direitos dos povos, entre eles os direitos humanos básicos? Enquanto continuam as tentativas de derrocamento da Revolução, também prossegue a resistência cada vez mais heroica de Cuba.

Estados Unidos já deixou de ser a única potência no mundo, o que paralisa a unilateralidade ditatorial com que desde os anos 90 se queria converter Washington na sede de uma governança global para dominar e submeter a humanidade.

De tudo isto nos falava Alarcón, que foi a voz potente da Assembleia Nacional do Poder Pular durante 20 anos, acudindo ao mais profundo e criativo que conseguiu a Revolução cubana não só em sua defesa, mas sim de outros países como Porto Rico, a cuja luta anticolonial tanto aportou, e onde hoje é recordado.

Acompanhou o Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz explicando ao mundo que igualmente é terrorismo impedir a chegada de alimentos, produtos de todo tipo, medicamentos e equipamentos para forçar o desespero por fome ou necessidade de um povo.

Povo cujo heroísmo escreve a melhor história de uma longa luta de libertação, tanto da Coroa espanhola em seus tempos imperiais, como do império que substituiu o anterior e acabou com a independência de nossos países.

Escutamos sua voz e sua palavra na defesa dos cinco heróis antiterroristas que foram submetidos a condições carcerárias desumanas desde 1998 só por descobrir os ninhos da serpente terrorista em Miami assolando Cuba desde princípios dos nos 60 até estes dias.

“Ninguém foi mais eloquente e persistente. Ninguém foi mais constante. Ninguém fez mais suas as ideias e decisões do líder da Revolução cubana Fidel Castro sobre a causa de “Os Cinco”, disse a Prensa Latina Fernando González, um dos cinco heróis.

Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, Ramón Labañino e René González completam a lista destes cinco homens heroicos, que anta a companha internacional exemplar para o mundo, resultaram libertados.

Ramón Labañino, Gerardo Hernández e Antonio Guerrero chegaram a Cuba em 17 de dezembro de 2014 – antes foram René y Fernando –, o que representou o fim de uma luta de mais de uma década para que Os Cinco fossem libertados de um encerro injusto em cárceres estadunidenses.

Foram recebidos em Havana com grandes mobilizações e expressões artísticas. Foi mais que emocionante o encontro com o Comandante Fidel Castro que tanto esperava a chegada e estava à frente da luta pela libertação de Os Cinco. Foi uma das grandes alegrias do líder da Revolução cubana antes de sua morte em 25 de novembro de 2016.
Respostas brilhantes

Entrevistei várias vezes para diários e revistas do México a Ricardo Alarcón, sempre com respostas brilhantes, elaborando novas formas para enfrentar o império. Agradeci a ele, eternamente, que apresentasse meu livro sobre a Operação Condor em uma das Feiras de Livro de Havana, e sua intervenção foi para mim um apelo a não claudicar nessas investigações solitárias, estimulando-me em todo momento em meu trabalho e sugerindo bibliografia com uma enorme generosidade.

É uma vez indispensável agora quando estamos vendo ressurgir das cinzas a nossos povos, mas necessitamos romper com todos as lacras da colonização e as debilidades de alguma esquerda – enredada em labirintos próprios dos colonizados – que deve romper essas ataduras pois é facilmente presa das vaidades dos poderes falsos.

América Latina tem muito que aprender da diplomacia cubana que deveria estar incorporada nas cátedras, nas nossas universidades especialmente em momentos em que nosso continente enfrenta uma silenciosa guerra de contra insurgência recolonizadora e se necessita a organização e a unidade de Nossa América.

Ricardo Alarcón de Quesada nos deixou, como outros grandes revolucionários, o caminho aberto para nossa libertação e quero fazer chegar por esta via minha solidariedade com sua família e camaradas.

Da mesma forma agradecer profundamente à Revolução cubana a eterna solidariedade dos seus dirigentes e do seu povo por tudo o que nos dá alimentando o sonho e a esperança de recuperar nossa independência, de conseguir libertar-nos do criminoso império do qual ainda dependemos.

Até a Vitória sempre, Ricardo Alarcón.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Stella Calloni Atuou como correspondente de guerra em países da América Central e África do Norte. Já entrevistou diferentes chefes de Estado, como Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Morales, Luiz Inácio Lula da Silva, Rafael Correa, Daniel Ortega, Salvador Allende, etc.

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