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Rishi Sunak anuncia: Reino Unido não vai proteger indocumentados da escravidão

Para setores da classe operária inglesa, os imigrantes “são culpados por dificultar a busca de trabalho
Redação Brasil 247
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Brasília (DF)

Tradução:

O Reino Unido quer uma nova legislação contra imigrantes. O Canal da Mancha, que conecta a Grã-Bretanha com o resto do continente europeu, viu o número de embarcações carregando imigrantes mais que dobrar nos últimos dois anos. Segundo dados do governo, os albaneses representam o maior número de pessoas chegando por esta rota.

Um recorde de 44.867 pessoas cruzaram o Canal em pequenas embarcações para entrar na Grã-Bretanha em 2022. O Reino Unido já recebeu 2.950 pessoas através do Canal da Mancha este ano, contra 1.484 no mesmo período em 2022. Até 85.000 pessoas poderiam tentar a viagem este ano, acredita o Ministério do Interior.

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O primeiro-ministro, Rishi Sunak, do Partido Conservador, anunciou, nesta terça-feira, 7, uma nova estratégia de cinco pontos para lidar com a imigração ilegal. Ele fez uma postagem nas redes sociais, apontando que “se você vier para o Reino Unido ilegalmente: você não pode pedir asilo, você não pode se beneficiar de nossas modernas proteções contra a escravidão, você não pode fazer reivindicações espúrias de direitos humanos, você não pode ficar”.

A medida é uma das promessas feitas pelo novo primeiro-ministro no início do ano. Por isso, o governo elaborou a ‘Illegal Migration Bill’ (Lei da Migração Ilegal), também conhecida como ‘Stop the Boats’ (Pare os Barcos).

“Se você entrar ilegalmente no Reino Unido, não poderá permanecer aqui”, disse Sunak ao Parlamento. “Em vez disso, você será detido e rapidamente retornará ou ao seu país de origem, ou a um país seguro onde seu pedido de asilo será considerado”.

Para setores da classe operária inglesa, os imigrantes “são culpados por dificultar a busca de trabalho

Foto: Jim Forest/Flickr

O anúncio da lei anti-imigrantes foi fortemente acolhido pela maioria dos membros conservadores do parlamento

Classe operária

Conforme constatou reportagem do Global Times, “os migrantes que chegam em pequenas embarcações se tornaram uma questão política importante para o governo conservador”.

Para setores da classe operária inglesa, os imigrantes “são culpados por dificultar a busca de trabalho e a extensão dos serviços públicos”, lembra a reportagem.

Sunak disse que uma nova unidade seria criada para enfrentar as travessias dos imigrantes, que serão alojados em acampamento em parques fora de uso, antigas acomodações estudantis e locais militares excedentes, em vez de hotéis.

Sunak disse que os ingleses estão “certos em ficar com raiva” e atacou os asilos de imigrantes: “não é cruel ou indelicado querer quebrar o estrangulamento das quadrilhas criminosas que negociam na miséria humana”, disse ele. A ministra do Interior, Suella Braverman, chamou a onda de chegadas de “invasão” e descreveu muitos dos migrantes como “criminosos”.

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Como disse Sunak, no Twitter, “se você vier para o Reino Unido ilegalmente, você não pode se beneficiar de nossas modernas proteções contra a escravidão”. Assim, a Lei da Migração Ilegal deve facilitar a escravização de imigrantes em situação irregular no país.

“Qualquer pessoa que entrar ilegalmente no Reino Unido será impedida de acessar o suporte contra a escravidão moderna, líder mundial, do Reino Unido, ou abusar dessas leis para bloquear sua remoção. Quaisquer outros desafios ou reivindicações de direitos humanos também só poderão ser ouvidos após a remoção, remotamente”, diz o site oficial do governo do Reino Unido.

Atualmente, cerca de 10% dos pedidos de asilo feitos por albaneses que alegam ser vítimas da escravidão moderna são rejeitados no Reino Unido, mas acredita-se que o número aumentará com as mudanças propostas à lei, segundo reportagem do Arab News.

Crise do Partido Conservador

Em toda a União Europeia, mas especialmente na Inglaterra, um dos países mais afetados pela desindustrialização neoliberal, a direita estimula uma campanha anti-imigrantes para conquistar apoio de setores da classe trabalhadora.

A esquerda, no que lhe concerne, fica a reboque da política chamada “globalista” da política neoliberal dos partidos dominantes — na Inglaterra, a ala direita do Partido Trabalhista e moderada do Partido Conservador. 

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Sunak é do Partido Conservador, que já havia dado uma guinada à direita com a eleição de Boris Johnson. A legenda se encontra numa constante crise política, que resultou no ‘Brexit’ — a retirada do Reino Unido da União Europeia.

A situação da imigração foi um dos pilares da vitória do Brexit em 2016. Setores da direita pediam que a Grã-Bretanha “retomasse o controle” de suas fronteiras.

Desde a queda de David Cameron, em 2016, o partido encontra dificuldades de estabilizar o governo. Em um pouco menos de sete anos, tiveram de formar quatro novos governos: Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss e, agora, Sunak. Johnson e Truss caíram diretamente pela influência da guerra na Ucrânia, ao apoiarem sanções “sucidas” contra o governo russo que prejudicaram significativamente as economias europeias. Truss durou menos de dois meses no cargo. 

Agora, Sunak tenta retomar a popularidade dos conservadores. O anúncio da lei anti-imigrantes foi fortemente acolhido pela maioria dos membros conservadores do parlamento. Os conservadores querem resolver o problema para não serem derrotados nas próximas eleições.

Redação | Brasil 247


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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