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Rússia e Ucrânia iniciam 2023 com ofensiva mútua contra alvos militares

Dois novos episódios – um russo e outro ucraniano – de ataque com mísseis sem outra intenção do que matar a maior quantidade de soldados inimigos
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

Imersa em um círculo vicioso de violência crescente, a guerra na Ucrânia registrou nesta terça-feira (3) dois novos episódios – um russo e outro ucraniano – de ataque com mísseis sem outra intenção do que matar a maior quantidade de soldados inimigos, sem que se saiba realmente o que ocorreu em ambos os casos. 

O exército russo não deixou pedra sobre pedra ao bombardear a Arena de Gelo “Altair” – pista de patinagem coberta que havia sido sede da equipe de hockey Donbass e era utilizada por escolas infantis de hockey e patinação artística –, na localidade de Druzhkovka, região de Donetsk.

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Os generais russos estão convencidos de que, com o impacto de dois mísseis Iskander, destruíram “a grande quantidade de armamento que se armazenava” no local. Como resultado do ataque, uma pessoa morreu e outra ficou ferida, informou o Escritório da Presidência ucraniana

O exército ucraniano, por sua vez e sem concretizar, reporta haver lançado, na madrugada desta terça-feira, seis mísseis Himars sobre “locais de concentração de armamento e tropas inimigas”. Os meios de comunicação desse país dizem que um dos lugares destruídos é o edifício do hospital da localidade de Tokmak, região de Zaporiyia, que os russos “usavam como depósito de armas”.

Dois novos episódios – um russo e outro ucraniano – de ataque com mísseis sem outra intenção do que matar a maior quantidade de soldados inimigos

Flickr
Combates mais duros têm lugar em torno da linha Sviatovo-Kremennaya, assim como em direção a Lisichansk

A agência oficial TASS confirmou ao meio-dia o ataque ao hospital de Tokmak e sustenta que só havia pacientes. Os russos falam de “civis feridos” e os ucranianos de “militares mortos”. Quantos? Nenhum diz. 

Entretanto, as contas daqueles que apoiam a guerra nas redes sociais russas não coincidiram nesta terça-feira sobre quem é o responsável do que ocorreu na segunda-feira em Makeevka, ataque ucraniano no qual morreu um número muito elevado de militares russos, impossível de determinar com exatidão e que alguns observadores, conforme avançam os trabalhos de busca entre os escombros, situam entre 200 e 300 pessoas, enquanto o exército russo reconhece 63 e o ucraniano menciona cerca de 500.

Alguns estão convencidos de que os mandos militares são os culpados por ter concentrado os novos recrutas em um só lugar – a escola técnico-profissional número 19 de Makeevka foi habilitada como quartel para cerca de 700 novos recrutas – e, além disso, junto a um grande depósito de armamento.

Andrei Medvedev, vice-presidente do parlamento da cidade de Moscou e jornalista do consórcio de rádio e televisão pública da Rússia, apontou em seu canal de Telegram: 

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“Era previsível que tratassem de pôr a culpa da tragédia em Makeevka aos próprios soldados. Diz que ligaram seus celulares e de repente os detectaram. Ou seja, não tem nenhuma responsabilidade o comandante que ordenou alojar os recrutas na escola, nem quem não se preocupou em pôr a mínima camuflagem sobre o armamento. Nem aquele que não pensou dispersar os soldados nos porões das casas”. 

Outros acreditam que os próprios recrutas provocaram a tragédia com a imprudência de ligar seus celulares, com cartão SIM de operadores russos, para felicitar seus familiares em razão do Ano Novo. Argumentam que por esse motivo os Himars caíram nos primeiros minutos de 2023. 

Outros mais se inclinam a pensar que, dado que na zona nem todos são de ânimo pró russo, entre os habitantes locais pode haver “informantes” e até “traidores” que proporcionaram as coordenadas do quartel ao exército ucraniano. Esse grupo de comentaristas tampouco exclui que os Estados Unidos tenham desempenhado um papel decisivo e sugerem que facilitou ao mando ucraniano a informação que seus satélites captam do espaço.

O general Valeri Zaluzhny, comandante-chefe do exército ucraniano, em seu canal de Telegram, descreveu assim nesta terça-feira a situação no front: 

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“Os combates mais duros têm lugar em torno da linha Sviatovo-Kremennaya, assim como em direção a Lisichansk. O setor mais complicado continua sendo o formado por Soledar-Bakhmut-Mayorsk. É onde o inimigo trata de avançar literalmente por cima de seus soldados mortos, mas nossas forças de defesa, ao preço de um esforço descomunal, resistem aos ataques do inimigo”. 

De outro lado da trincheira, o empresário e amigo pessoal do presidente Vladimir Putin, Yevgueni Prigozhin, dono do grupo paramilitar Wagner, ao se referir à situação em Bakenmut em uma entrevista a Konstantin Pridybailo, enviado do canal de televisão RT, disse nesta terça-feira: 

“Romper a defesa (ucraniana) hoje é tomar pela manhã uma casa. E pela tarde você se dá conta que atrás dessa casa há outra linha de defesa. E não só uma. Quantas linhas de defesa há em Bakenmut? Se digo 500 é seguro que não me engano”. 

Prigozhin, que está distanciado do ministro da Defesa, Serguei Shoigu, e com o chefe do Estado Maior, Valeri Guerasimov, perguntou aos seus mercenários: “Quem está combatendo aqui?”. E não demorou a escutar a resposta a gritos: “O grupo Wagner, só o grupo Wagner”. Satisfeito, o empresário agregou: “Há bons militares… aqui perto”. 

Juan Pablo Duch | Correspondente do La Jornada em Moscou.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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