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Rússia lança novas propostas para normalizar situação na Ucrânia

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Natalia Kovalenko*

Conselho de Segurança da ONU. Foto de archivo de Ria/Novosti

A Rússia apresentou ao Conselho de Segurança da ONU, na segunda-feira, 16 de junho, um novo projeto de resolução para normalização na Ucrânia, com uma particular ênfase para a crise humanitária no Sudeste do país.

Para que o documento possa contar com um largo apoio internacional, a delegação russa atualizou o projeto, tomando em conta as sugestões de outros membros do Conselho de Segurança. No entanto, o Ocidente continua fazendo a vista grossa à catástrofe humanitária que se verifica hoje na Ucrânia dilacerada pela guerra civil.

O projeto russo se tornou mais abrangente e rico em conteúdo. Inicialmente, tinha destacado os aspectos puramente humanitários da crise no Sudeste – a morte de habitantes locais durante os ataques de lança-granadas e mísseis, a falta acentuada de água potável, alimentos, medicamentos e a necessidade premente de abrir corredores humanitários para os refugiados.

O novo projeto já não tem uma componente política, visto que tal teria engendrado polêmicas prolongadas diante de um progressivo e perigoso agravamento da situação humanitária.

Os parceiros ocidentais têm uma visão diferente. Ao declarar que sem os alegados aspectos políticos o documento não poderia ser adotado, acabaram por declinar o projeto russo. O preço disso foi elevado: pela ideológica delonga, provocada pelos membros ocidentais do CS da ONU, os habitantes da região de Donetsk pagaram dezenas de vidas das pessoas inocentes, incluindo crianças.

Deste modo, o segundo projeto proposto pela Rússia não agradou aos seus parceiros do CS. Mas quando, dias antes, estes últimos se tinham recusado a condenar um ataque à embaixada da Rússia em Kiev, se tornou claro que o Ocidente estaria favorecendo as autoridades ucranianas não obstante uma grosseira violação das normas fundamentais do direito internacional.

Na ONU, deixou de existir não apenas a solidariedade corporativa, mas também o senso comum, sustenta o senador, chefe da comissão de assuntos internacionais, Mikhail Marguelov:

“Apesar de eventuais discórdias diplomáticas, a solidariedade corporativa consiste em que, nas relações internacionais, há de se respeitar, de forma sacramental, a Convenção de Viena. O fato de os EUA e outros membros permanentes do CS, excepto a China, não terem apoiado o documento que condena o assalto à embaixada russa em Kiev, comprova a política ocidental de dois pesos e duas medidas”.

Importa ressalvar que, em contatos privados, muitos políticos do Ocidente condenam a política de Kiev. Mas não se atrevem a declarar a sua opinião na tribuna da ONU. Até o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, não se pronunciou em defesa de diplomatas russos.

Ora, para todos os que acompanham de perto o evoluir da situação na Ucrânia se torna evidente que as infrações se vão aumentando pela ascendente. O presidente ucraniano legítimo tinha sido afastado do poder com o emprego da força. Depois, Kiev terá lançado o exército para reprimir os habitantes do Sudeste descontentes com tal situação alarmante, efetuando ataques contra as vilas pacíficas e praticando a captura de jornalistas estrangeiros. Passado mais algum tempo, foi assaltada a missão diplomática da Rússia na capital ucraniana. Os autores dessas arbitrariedades têm saído impunes.

Apesar disso, Moscou não deixa de bater na porta da comunidade mundial. O novo projeto contem muitas referências à legislação internacional e a tais normas inalienáveis como a soberania e a independência.

Uma atenção especial é dedicada à atividade desenvolvida pela OSCE. Dai a esperança de que a maioria dos membros do CS se mostre favorável ao novo projeto russo. O documento se centra num imperativo de cessar o fogo, liquidar as consequências da catástrofe humanitária e criar condições propícias para regularização da crise política.

*Original da agencia Nova Russia – ww.ruvr.ru/news

 


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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