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Rússia: Otan aumenta risco de hecatombe nuclear com envio de mais armas à Ucrânia

“A derrota de uma potência nuclear pode acabar em hecatombe nuclear”, declarou Dimitri Medvedev, ex-presidente russo
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

O chefe de Estado russo, Vladimir Putin, seguindo a tradição da Epifania ortodoxa, se submergiu nesta quinta-feira (19) três vezes em água gelada em algum lugar fora de Moscou. Nesse lugar, os crentes, com a benção da Igreja, devem fazer um buraco no gelo de um rio ou lago congelados.

Enquanto isso, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, e Dimitri Medvedev, uma das vozes mais estridentes do Conselho de Segurança da Rússia, advertiram que os Estados Unidos e seu aliados, ao seguirem entregando armas à Ucrânia, podem desatar uma hecatombe nuclear.

Ambos coincidiram em criticar a intenção dos membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) de proporcionar novas e mais modernas partidas de armamento à Ucrânia, algo que se está debatendo e que nesta sexta-feira (20) iria se concretizar, de uma ou outra forma, na reunião de ministros de Defesa na Alemanha.

Com permanente envio de armas pela Otan, destino da Ucrânia é virar novo Afeganistão

“Os grandes chefes militares abordarão na base (militar) de Ramstein da Otan sua nova tática e estratégia, assim como o envio de um novo lote de armas pesadas e armamento de ataque (para a Ucrânia)”, escreveu Medvedev em sua conta no Telegram como entrada do que em realidade queria dizer:

“E isso imediatamente depois do fórum de Davos, onde uns palhaços políticos e atrasados mentais repetiram como mantra: ‘Não haverá paz enquanto a Rússia não perder’. E a nenhum desses patéticos personagens lhe veio ao cérebro a conclusão elementar de que, em uma guerra convencional, a derrota de uma potência nuclear pode acabar em hecatombe nuclear”, lançou o ex-premiê e ex-presidente da Rússia.

Peskov, de seu lado, respondeu ao dito por Volodymyr Zelensky. O presidente ucraniano, em sua participação por videoconferência no fórum de Davos, afirmou algo no sentido de que não sabe se Putin está vivo e se há alguém com quem entabular negociações na Rússia: “Claro que a Rússia e Putin são um grande problema para a Ucrânia de hoje e para o regime de Zelensky, que prefeririam que a Rússia e Putin não existissem… Mas existem e existirão”, sublinhou.

Para o porta-voz do Kremlin, “quanto antes o regime ucraniano se mostrar disposto a cumprir as condições da Rússia, mais rápido terminará tudo e o povo da Ucrânia poderá iniciar a reconstrução após a tragédia que foi causada pelo regime de Kiev”.

“A derrota de uma potência nuclear pode acabar em hecatombe nuclear”, declarou Dimitri Medvedev, ex-presidente russo

USArmy – Flickr
Ucrânia, espera que EUA e seus aliados proporcionem o armamento para uma eventual ofensiva na Primavera

Peskov não especificou nesta ocasião quais são as condições exigidas pela Rússia, mas são fartamente conhecidas. Das recentes intervenções de seu chefe, Vladimir Putin, e de outros altos funcionários russos, se infere que no dia de hoje essa espécie de ultimato é inadmissível para o governo de Zelensky: a capitulação incondicional da Ucrânia, o que implicaria reconhecer a perda de cerca de 20% de seu território (a península da Criméia, desde 2014, e as quatro regiões de recente anexação à Federação Russa em setembro anterior).

Tanto Medvedev como Peskov quiseram que se escutasse a voz da Rússia na véspera de um dia crucial para a Ucrânia, no qual espera que os Estados Unidos e seus aliados proporcionem o armamento – tanques e carros blindados, assim como sistemas de lançamento de mísseis a mais de 150 quilômetros de distância – que demanda para uma eventual ofensiva na Primavera.

Juan Pablo Duch | Correspondente do La Jornada em Moscou.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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