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Segundo advogada peruana, noite de protestos contra Merino foi “a mais terrível em 20 anos”

Novas eleições presidenciais foram confirmadas para o dia 11 de abril do próximo ano
Redação Hora do Povo
Hora do Povo
São Paulo (SP)

Tradução:

Passados cinco dias do golpe da extrema direita que afastou o presidente Martín Vizcarra e após o assassinato de três manifestantes que exigiam democracia nas ruas, o povo peruano afastou Manuel Merino e o obrigou a apresentar seu pedido de demissão. Novas eleições presidenciais foram confirmadas para o dia 11 de abril do próximo ano.

Nesta segunda-feira (16/11), o Congresso Peruano elegeu a nova Mesa Diretora do Legislativo encabeçada por Francisco Sagasti e, por sucessão constitucional, ele será o novo presidente do país.

A decisão vem após uma crise política tomar conta do país desde a última terça-feira (10/11), quando o Congresso aprovou o impeachment do ex-presidente Martín Vizcarra. Após sua destituição, o então chefe do Legislativo, Manuel Merino, assumiu a presidência interinamente.

Diante da força dos protestos, que se estenderam por Lima e pelas principais cidades do Peru, o inexpressivo parlamentar que havia assumido o governo após ter armado o afastamento de Vizcarra, jogou a toalha. “Os lamentáveis fatos ocorridos nas últimas horas agravam a crise que já vínhamos atravessando”, declarou Merino, reconhecendo – diante de uma multidão revoltada – que “nada justifica que um protesto legítimo deva desencadear em morte de peruanos”.

Poucas horas depois de serem conhecidos os assassinatos dos manifestantes, ministros de diferentes pastas apresentaram suas cartas de renúncia, fechando espaço para Merino. Diante da divulgação de que estaria tentando fugir do país, para escapar da prisão, manifestantes chegaram a cercar o aeroporto internacional Jorge Chávez, o mais importante do Peru, que foi fechado.

A Coordenadoria Nacional de Direitos Humanos do Peru emitiu um novo balanço sobre a gravidade da situação neste domingo, alertando para a existência de ao menos 112 pessoas feridas e 41 pessoas desaparecidas.

Novas eleições presidenciais foram confirmadas para o dia 11 de abril do próximo ano

La República
"Merino não é meu presidente", afirmam manifestantes nas ruas de Lima.

A advogada da Coordenadora, Mar Pérez, frisou que a noite de sábado (14) foi “a mais terrível vivida pela democracia peruana nos últimos 20 anos”. Segundo Pérez, entre os feridos graves “há um menino que provavelmente nunca mais voltará a caminhar”, enquanto outro manifestante poderá ficar cego pois teve o rosto desfigurado por um tiro a curta distância. 

Diante da caótica situação, “uma vez que há dezenas de jovens que não regressaram a suas casas depois da marcha nacional #FueraMerino”. a Coordenadoria solicitou que a Polícia Nacional do Peru (PNP) e o Ministério do Interior (Mininter) parem de restringir o acesso às suas dependências. Entre os abusos mais recentes, advertiu Mar Pérez, uma caminhonete branca da PNP, com as placas tapadas, capturou um jovem e não se sabe se foi levado a um centro de detenção ou se, pior, integra a lista de desaparecidos.

Para a líder do Movimento Novo Peru, Verónika Mendoza, candidata à presidência, “Merino é um ditador e assassino que não poderia seguir sendo ‘presidente’ nem um instante mais”. “Porém não podemos aceitar que pretendam assumir os cúmplices do golpe e da repressão, que querem lavar as mãos. Precisamos um governo transitório para recuperar a democracia”, acrescentou.

Manifestando solidariedade às famílias das vítimas, o Partido Comunista Pátria Roja defendeu “o imediato afastamento dos fascistas com um governo provisório que garanta o calendário e a transparência do processo eleitoral”. “É preciso não dar trégua nem concessão à corrupção, administrar com eficiência o combate à pandemia, aumentar os salários e proteger o emprego, e valorizar o orçamento da saúde e da educação”, concluiu o Pátria Roja, que teve participação destacada nas manifestações.

* Com informações do Opera Mundi.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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