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Segundo Rússia, carga que explodiu ponte na Crimeia passou por Bulgária, Georgia e Armênia

Primeiro vice-ministro de Finanças da Georgia, Giorgi Kakauridze, negou resultado da investigação, classificada pela Ucrânia como disparate
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

Enquanto o presidente Vladimir Putin deu a entender na última quarta-feira (12) que os Estados Unidos estão por trás da sabotagem dos gasodutos Nord Stream 1 e 2, no fundo do mar Báltico, o Serviço Federal de Segurança (FSB por sua sigla em russo) informou que esclareceu o “atentado terrorista” que danificou parte da ponte da Criméia e responsabilizou a direção geral de inteligência do Exército da Ucrânia, o qual – do ponto de vista do Kremlin – justifica os bombardeios massivos em mais de quinze regiões do vizinho país eslavo. 

“Quem está por trás das sabotagens aos gasodutos? É evidente que se trata de quem tenta romper definitivamente os nexos da Rússia com a União Europeia, (…) debilitar o potencial industrial europeu, apropriar-se do mercado (energético). E, claro, quem tem a capacidade técnica para levar a cabo esse tipo de explosões e não é a primeira vez que comete esse tipo de sabotagem, sempre ficando impune”, afirmou Putin ao participar no fórum Semana Energética Russa

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“Sem dúvida – continuou – estamos diante de um ato de terrorismo internacional que pretende afetar a segurança energética de todo um continente com uma lógica cínica: destruir, bloquear as fontes de energia barata, deixar milhões de pessoas e consumidores industriais sem gás, calefação, eletricidade e outros recursos para obrigá-los a comprar tudo isso a preços muito mais elevados. Deixá-los sem outra opção”.

O mandatário da Rússia também acusou: os Estados Unidos, é claro, agora podem vender seus recursos energéticos a preços mais elevados e impor aos países europeus a compra de grandes quantidades de seu gás liquefeito, embora resulte mais caro que o gás natural russo por dutos”. 

Putin indicou que não é tão difícil reparar os gasodutos, mas que a Rússia só vai fazê-lo se for restabelecido o suprimento a seus clientes europeus através do Nord Stream 2, que nunca foi operado devido a sanções e suspensões sob alegações de problemas de manutenção dos equipamentos (os russos) e uma forma de chantagem (os europeus), quase completamente no Nord Stream 1. 

O titular do Kremlin ofereceu, se forem levantadas as sanções, mandar à Europa neste inverno mais gás pelo Nord Strem 2, e também advertiu que a Rússia não vai vender petróleo nem gás aos países que apoiem a iniciativa de fixar um preço máximo para essas matérias primas russas. 

Primeiro vice-ministro de Finanças da Georgia, Giorgi Kakauridze, negou resultado da investigação, classificada pela Ucrânia como disparate

Federação Russa – Captura de tela

"Não vamos comentar a declaração por uma estrutura que só serve ao regime de Putin”, respondeu Ucrânia sobre investigações russas




A versão do FSB

A dependência sucessora da KGB soviética culpou o general Kyrylo Budanov, diretor geral de inteligência do exército da Ucrânia, de haver ordenado a “ação terrorista” – que, organizada e executada por seu empregados e agentes, danificou, no último dia 8, a estratégica ponte da Criméia, que une a região de Krasnodar com a península anexada em 2014 – e anunciou a detenção de oito pessoas – cinco cidadãos russos e três da Ucrânia e Armênia – supostamente envolvidas, assim como disse haver identificado outras 12 que teriam participado. Segundo o comunicado do FSB, “a investigação estabeleceu que o caminhão que explodiu levava uma bomba escondida entre os pallets de rolos de filme de polietileno para materiais de construção com um peso total de 22,7 toneladas”. 

A carga, assevera o FSB, enviada pela firma ucraniana Translogistik UA, saiu no começo de agosto do porto de Odessa ao de Ruse, na Bulgária, onde foi recebida pela empresa Baltex Capital SA. Da Bulgária, os explosivos foram enviados ao porto de Poti, na Georgia, e daí por estrada à Armênia. Da capital armênia, Yerevan – prossegue o FSB – a carga – entre 29 de setembro e 3 de outubro passados – foi despachada a pedido da empresa moscovita Líder em um caminhão com placas georgianas que cruzou a fronteira com a Rússia pelo posto de controle de Verjny Lars. Em 6 de outubro, o caminhão chegado da Georgia descarregou o pedido na base logística de Armavir, em Krasnodar. Um dia mais tarde, modificou-se a documentação da carga e apareceu como remetente a companhia TEK34, de Ulianovsk, e como destinatário uma empresa inexistente em Simferopol, Criméia.

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No relato do FSB, o caminhão que era dirigido por Majir Yusubov devia entregar a carga na Criméia e às 6:30 da manhã do sábado de 8 de outubro saltou a ponte pelos ares. “Um agente da direção geral de inteligência do Exército da Ucrânia, que se apresentava como Iván Ivánovich, se encarregou de controlar a carga em toda a rota e para se coordenar usava um número virtual, adquirido na Internet, e um celular registrado na cidade de Kremenchuk, em nome do cidadão ucraniano Serguei Andreichenko, nascido em 1988”, assegura o FSB.

“Esta investigação – afirmou na última quarta-feira o porta-voz da direção geral de inteligência do exército da Ucrânia, Andriy Yusov – é um disparate. Não vamos comentar a declaração por uma estrutura que só serve ao regime de Putin”. E acrescentou com ironia: “Surpreende que não tenham encontrado um cartão de visita (de um agente ucraniano) na ponte da Criméia”.

Por sua vez, o primeiro vice-ministro de Finanças da Georgia, Giorgi Kakauridze, negou também na última quarta-feira que a carga com explosivos que danificou a ponte tenha passado por território georgiano.

“Posso assegurar que nenhum caminhão com explosivos cruzou a fronteira da Georgia com destino à Rússia. Essas acusações (do FSB) são insustentáveis”, enfatizou em um noticiário da televisão georgiana.

Juan Pablo Duch | Correspondente do La Jornada em Moscou.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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