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Sem desenvolvimento sustentável não é válido presumir a soberania da América Latina

Os exemplos de desenvolvimento econômico, industrial e cultural em algumas de nossas nações demonstram de que forma um valor potencial pode se transformar em uma realidade tangível
Carolina Vásquez Araya
Diálogos do Sul
Cidade da Guatemala

Tradução:

As datas representam unicamente uma referência simbólica no transcurso da história, por isso as festas de Independência, celebradas neste dias de setembro em alguns países do continente, deveriam se converter em um ponto de inflexão: em um golpe de timão para a direção correta e o início de uma nova era para os povos que observam, com uma mistura de inveja e esperança, os avanços em outros rincões do planeta. 

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A América Latina tem sofrido ditaduras genocidas, invasões estrangeiras marcadas por interesses econômicos e geopolíticos, desvalorização e aniquilamento de suas culturas milenares, espoliação de suas riquezas naturais e uma constante intervenção em seus planos de desenvolvimento por parte de organismos financeiros controlado pelas grandes potências mundiais.

No entanto, a fortaleza moral e o anseio de liberdade de seus povos constituem os recursos decisivos para consolidar essa independência real e concreta que todos desejam.

Os exemplos de desenvolvimento econômico, industrial e cultural em algumas de nossas nações demonstram de que forma um valor potencial pode se transformar em uma realidade tangível, sempre e quando os atos políticos de seus líderes estejam sustentados no firme propósito de lutar por sua pátria.

Nesse sentido, resultam essenciais à defesa e ao respeito à norma constitucional, a consolidação do estado de Direito, o reconhecimento dos valores humanos e culturais intrínsecos de suas comunidades e o firme propósito de conseguir a unidade latino-americana, única forma possível de enfrentar os desafios da globalização. 

Os exemplos de desenvolvimento econômico, industrial e cultural em algumas de nossas nações demonstram de que forma um valor potencial pode se transformar em uma realidade tangível

MST
A fortaleza moral e o anseio de liberdade de seus povos constituem os recursos decisivos para consolidar essa independência real e concreta

Presumir de independência quando nossas castas políticas são capazes de negociar o futuro das gerações com entidades cujos interesses são totalmente opostos ao desenvolvimento – como o Banco Mundial – e submetidos às condições arbitrárias de governos poderosos, enfocados em tirar o maior partido de suas debilidades institucionais e políticas, é um insulto à inteligência.

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Portanto, é imperativo atualizar conceitos e compreender que a liberdade de um país para decidir sobre seu presente e seu futuro é um tema pendente em todo o terceiro mundo.

A celebração da independência pátria foi estabelecida como um recurso populista e deve ser objeto de uma profunda revisão.  

Os desfiles militares, tão próprios dessa imagem de força e poder impressa no imaginário coletivo, são hoje uma das mais graves ofensas contra povos que experimentaram a repressão cruel das ditaduras militares, uma sombra escura que mancha a história de todos os nossos países.

O orgulho pátrio não deve descansar sobre as armas nem sobre a violência, mas sim sobre a cultura, as tradições e o respeito irrestrito dos direitos humanos. 

A carga nefasta da exploração e o saque das riquezas mal distribuídas é um peso histórico cuja influência no atraso, na miséria e no abandono conta como argumento indiscutível para recusar as pretensões de independência e liberdade das castas, as primeiras responsáveis pelas condições vergonhosas nas quais desaparece o futuro dos povos.

Sem desenvolvimento sustentável para todos não é válido presumir a independência.

Carolina Vásquez Araya, Colaboradora de Diálogos do Sul da Cidade da Guatemala

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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Carolina Vásquez Araya Jornalista e editora com mais de 30 anos de experiência. Tem como temas centrais de suas reflexões cultura e educação, direitos humanos, justiça, meio ambiente, mulheres e infância

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