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Sem solução à vista, greve contra reforma da previdência completa um mês na França

De acordo com uma pesquisa da Odoxa-Dentsu Consulting divulgada ontem, 75% dos franceses opinou que o governo deve abandonar ou modificar seu projeto
Waldo Mendiluza
Prensa Latina
São Paulo (SP)

Tradução:

A greve na França contra a reforma da aposentadoria promovida pelo governo entrou em seu 31º dia, com algumas melhoras na circulação de trens, mas sem que se vislumbre uma solução para a crise. 

A jornada de fim de semana começou com sete de cada 10 TGV (trens de grande velocidade) funcionando para ligar cidades francesas e de países vizinhos, uma quantidade sem precedentes desde o começo da greve em 5 de dezembro, enquanto o metrô da capital também teve melhoras, embora esteja muito longe da normalidade.

No entanto, os anúncios dos últimos dias de novos protestos e incorporações à greve sugerem que o conflito não tem uma saída à vista, apesar do retorno à mesa de diálogo no dia 7 de janeiro. 

Tampouco despertou esperanças o discurso de fim de ano do presidente Emmanuel Macron, que afirmou que a reforma, uma de suas promessas de campanha, seguirá seu curso, em contato com os atores sociais que estejam dispostos a acompanhá-la. 

De acordo com uma pesquisa da Odoxa-Dentsu Consulting divulgada ontem, 75% dos franceses opinou que o governo deve abandonar ou modificar seu projeto

Anadolu Agency
Organizadores asseguram que foram mais de um milhão de pessoas às ruas para protestar contra reforma de Macron

Na véspera, organizações lideradas pelo Confederação Geral do Trabalho (CGT) que integram a Intersindical, o movimento mais radical no rechaço à iniciativa, fizeram um chamado para uma jornada de manifestações para o dia 11 de janeiro, que se soma à já convocada para o dia 9. 

Com um convite similar, centenas de milhares de franceses – os organizadores asseguram que foram mais de um milhão – saíram às ruas em dezembro para exigir a eliminação do projeto consistente em um sistema universal por pontos, que substitua os 42 regimes especiais de aposentadoria vigentes, e uma idade de equilíbrio de 64 anos, à qual haveria que chegar para evitar descontos, embora sem mudar a idade oficial de aposentadoria de 62. 

A postura dos opositores ao plano não é uniforme, porque embora a Intersindical liderado pela influente CGT reclama sua anulação total e o começo de negociações para aperfeiçoar o atual sistema, forças de tipo reformista, encabeçadas pela poderosa Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), só pedem a retirada da idade de equilíbrio. 

Durante a semana passada, o coletivo SOS Aposentadoria, conformado por 16 profissões beneficiadas por regimes autônomos (enfermeiros, advogados, terapeutas e contadores entre outros) decidiu se somar à greve, da mesma forma que alguns setores da Air France como as comissárias e os comissários, convocados por seu sindicato. 

As datas seguintes

As datas seguintes são várias a partir da próxima semana, o primeira delas, 7 de janeiro, quando o governo e os sindicatos retomem as conversações, depois que as celebradas nos dias 18 e 19 de dezembro receberam da imprensa a qualificativo de “diálogo de surdos”. 

O primeiro ministro Edouard Philippe e outros funcionários perfilaram a reunião com os atores sociais, sob o argumentos de que nem tudo está dito sobre a reforma, embora sem incluir a possibilidade de retirá-la.

No próprio 7 de janeiro, setores da  CGT devem iniciar, segundo adiantaram há alguns dias, um bloqueio à saída de combustíveis das refinarias francesas, medida considerada ilegal pelo executivo. 

Para os dias 9 e 11 foram convocadas novas marchas pela Intersindical, e em 22 de janeiro o projeto de lei sobre a reforma da aposentadoria será apresentado no Conselho de Ministros.

Opinião pública

De acordo com uma pesquisa da Odoxa-Dentsu Consulting divulgada ontem, 75% dos franceses opinou que o governo deve abandonar ou modificar seu polêmico projeto. 

A sondagem realizada para o portal Franceinfo e para o diário Le Figaro revelou além disso que seis de cada 10 entrevistados considerou “justificada” a greve em curso.

Embora o critério favorável sobre a greve tenha baixado com relação a estudo similar realizado há duas semanas, ao passar de 66 a 61%, continua elevado, levando em consideração a passagem de semanas e o impacto da medida em um setor fundamental como o transporte, o mais golpeado desde 5 de dezembro.

Nesse sentido, três de cada quatro pessoas ouvidas reconheceu sentir-se afetada pela greve. 

A pesquisa de Odoxa-Dentsu Consulting refletiu também que 46% dos franceses se opõe à idade de equilíbrio. 

No entanto, a sondagem não mostrou que as pessoas apoiem em particular um ou outro dos atores centrais do conflito: o governo, em particular o primeiro ministro Philippe, que tem a responsabilidade de impulsionar o projeto, e os sindicatos, liderados pela CGT.

Philippe recebeu o critério negativo de 67% dos participantes, enquanto que a CGT, 63%. 

Com relação ao discurso de Macron em 31 de dezembro, no qual ratificou seu empenho em levar adiante a reforma, 75% dos entrevistados disseram não estar satisfeito com sua postura. 

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Waldo Mendiluza

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