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Senadores dos EUA querem impedir relações da América Latina com Rússia e China

Projeto de lei considera que países orientais são influência daninha e apresentam riscos aos povos da região e aos interesses nacionais de Washington
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Dois senadores com ampla influência na política exterior para a América Latina promovem um projeto de lei para ampliar o “compromisso” dos Estados Unidos ante o efeito “desestabilizador” de regimes “autoritários” e organizações criminosas com as “atividades malignas” da China e da Rússia, tudo o que consideram como riscos para a “segurança nacional” dos Estados Unidos.

O senador democrata Bob Menendez, presidente do Comitê de Relações Exteriores e Marco Rubio, o republicano de maior destaque no Subcomitê sobre o Hemisfério Ocidental, apresentaram seu projeto – Lei de Estratégia de Segurança do Hemisfério Ocidental de 2022 – na câmara alta esta semana, no qual propõem aumentar a participação de Washington na região para enfrentar os maiores riscos aos “interesses” e à “segurança nacional” estadunidenses, entre os quais identificam a regimes “autoritários”, a crescente presença da China e da Rússia na região e o crime organizado transnacional. 

Com aparente nostalgia da guerra fria e até da Doutrina Monroe, os dois senadores cubano-estadunidenses apresentaram seu projeto como a maneira de combater a influência de poderes extra hemisféricos como também a governos que consideram hostis a seus “interesses”, aos quais tacham de “autoritários”. 

Projeto de lei considera que países orientais são influência daninha e   apresentam riscos aos povos da região e aos interesses nacionais de Washington

Montagem Diálogos do Sul
Bob Menendez e Marco Rubio, senadores republicanos autores da Lei de Estratégia de Segurança do Hemisfério Ocidental de 2022

“As democracias do hemisfério ocidental temos força e estamos unidas para enfrentar os desafios de segurança produzidos pelos impactos desestabilizadores das ditaduras e da influência maligna de países estrangeiros”, afirmou Menendez (com essa curiosa referência a “países estrangeiros”, como se o seu não o fosse na região).  

Agregou: “este projeto de lei reconhece a importância geopolítica da América Latina e do Caribe e garante que o Secretário de Estado e o Secretário de Defesa se comprometam com nossos aliados na região para promover os interesses nacionais dos Estados Unidos”. 

Seu colega republicano afirmou que “não há maior ameaça em nossa região que a crescente intromissão da Rússia e da China na América Latina e no Caribe”. Agregou que “este projeto de lei bipartidário busca fomentar e melhorar nossa cooperação de segurança com as democracias em nosso hemisfério, assim como facilitar o comércio para dissuadir atores malignos de coagir os países em nosso próprio hemisfério”. 

O projeto de lei coloca que Washington “deve expandir seu compromisso no hemisfério ocidental” e propõe ampliar o apoio em vários campos através do Departamento de Estados e do Departamento de Defesa, desde esforços de segurança pública e militar – por exemplo, ampliar os exercícios de capacitação militar na região – à luta contra organizações criminosas transnacionais, o apoio à democracia e aos direitos humanos, como também “responder, se for necessário, a ameaças regionais e ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos”. 

O projeto afirma que “a influência daninha e maligna na América Latina e no Caribe” dos governos da China e da Rússia “apresenta riscos” aos povos da região e aos “interesses nacionais dos Estados Unidos”. 

Por enquanto, o projeto de lei foi introduzido na Câmara Alta e está pendente perante o Comitê de Relações Exteriores. Não há um cronograma para seu processo de aprovação em nenhuma das câmaras.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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