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Servidor público por excelência, quais são os principais deveres de um prefeito municipal?

A qualidade de uma administração municipal se reflete com a maior precisão na qualidade de vida de seus habitantes
Carolina Vásquez Araya
Diálogos do Sul Global
Cidade da Guatemala

Tradução:

Uma cidade é um espaço dinâmico e complexo ao qual concorrem inúmeros fatores para oferecer a seus habitantes os serviços e sistemas adequados, que permitam que vivam em um ambiente saudável e desse modo dedicar tempo, esforço e criatividade para desenvolver outras atividades que contribuam para o bem-estar coletivo.

Quem dirige a orquestra – ou seja, o conjunto de entidades encarregadas das diferentes áreas de atendimento – deve possuir não apenas a capacidade e a liderança para injetar em sua equipe a energia e o compromisso necessários para suas diferentes atividades, mas também possuir a visão de futuro que lhe permita projetar de maneira inteligente as rotas de crescimento urbano em todos os setores: serviços básicos, transporte, tratamento de resíduos, infraestrutura e tecnologia adequadas para crescer ao ritmo de uma população em constante crescimento e acelerada expansão.

Um prefeito é o servidor público por excelência. Ao ser responsável por temas de tanta importância como o abastecimento de água ou o recolhimento e tratamento de milhões de toneladas de lixo produzido por qualquer cidade de tamanho regular, entre outras muitas obrigações, seu desempenho é constantemente avaliado pelo moradores e, do mesmo modo, sujeito a uma estrita fiscalização; já que nada é mais importante em uma cidade, bairro ou em cada residência, como a provisão adequada dos serviços que permitam que sua população dedique sua energia para produzir em outras áreas e lhes ofereçam qualidade de vida em troca de seu obrigatório aporte econômico. 

A qualidade de uma administração municipal se reflete com a maior precisão na qualidade de vida de seus habitantes

Mundo Educação
Um prefeito e sua equipe têm a absoluta obrigação de prestar contas de maneira periódica e com total transparência

O desenvolvimento equilibrado de um complexo urbano é um dos pontos essenciais de um plano bem estruturado de governo municipal. Por isso, para outorgar certa legitimidade ao investimento em projetos cosméticos ou dirigidos a embelezar algumas privilegiadas zonas residenciais ou comerciais onde se concentra a maior riqueza econômica, estes devem ser efetuados depois de haver realizado os mais essenciais em toda a extensão do complexo urbano. Porque é absurdo pretender enganar o público com trabalhos superficiais, se as pessoas carecem do mais elementar como água potável, saneamento básico, ruas pavimentadas, sistemas modernos de tratamento de resíduos ou um sistema de transporte coletivo seguro e confiável. 

O governo municipal, portanto, tem a absoluta obrigação de tornar transparentes as suas finanças e colocar toda a informação relacionada ao alcance dos moradores, dado que parte importante de seus fundos procedem, precisamente, de suas contribuições.  Esta forma de proceder deve ser não apenas um gesto de boa vontade por parte das autoridades do município, mas uma exigência séria e consistente por parte da cidadania e dos meios de comunicação cujo dever é, também, informar ao público sobre o desempenho daqueles que manejam esse delicado e complexo sistema de administração. 

Um prefeito e sua equipe, ao ser eleitos pelos habitantes do município e financiados por eles em uma boa proporção, têm a absoluta obrigação de prestar contas de maneira periódica e com total transparência. Sua atitude há de ser de serviço e não de imposição, uma vez que são servidores públicos e sua missão transcende o marco temporal de sua administração, para afetar de maneira decisiva o futuro do conjunto urbano a seu cargo. A qualidade de uma administração municipal se reflete com a maior precisão na qualidade de vida de seus habitantes: na fluidez do trânsito, em serviços público eficientes e no desempenho de suas equipes de apoio especializado; não nas flores dos canteiros.

 

*Colaboradora de Diálogos do Sul da Cidade da Guatemala

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Carolina Vásquez Araya Jornalista e editora com mais de 30 anos de experiência. Tem como temas centrais de suas reflexões cultura e educação, direitos humanos, justiça, meio ambiente, mulheres e infância

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