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“Símbolo de resistência”: Colombianos substituem estátua de colonizador por homenagem a ativista morto pela polícia

Tombado por indígenas Misak, monumento de Gonzalo Jiménez de Quesada é substituído por estátua de Dilan Cruz, símbolo da resistência contra o governo
Beatriz Contelli
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

No dia 07 de maio, manifestantes encheram a capital da Colômbia para derrubar a estátua do colonizador espanhol Gonzalo Jiménez de Quesada, reconhecido historicamente por ser o fundador de Bogotá. 

Como parte dos protestos que acontecem no país há dias, indígenas da etnia Misak exaltaram os povos nativos colombianos e as mulheres de Bogotá. “A partir deste momento, não terão este estuprador, este suposto conquistador, em Bogotá”, ressaltou um dos líderes da ação. 


Na noite de quinta-feira (20), para riscar da história a imagem de personalidades que contribuíram com o massacre dos povos nativos e homenagear aqueles que lutaram por uma vida mais digna, um grupo de manifestantes ergueu uma estátua do jovem Dilan Cruz, morto pela polícia colombiana em protestos de 2019, no lugar da antiga estátua de Quesada.

Ao lado de indígenas Misak e da mãe de Dilan, o ato representou o direito da população de sair às ruas para protestar e se manifestar contra os abusos policiais. “Esperamos que a estátua de Dilan seja um símbolo de resistência, um símbolo de rebeldia, e que se lembrem de não matar nossos jovens”, comentou o artista plástico John Fitzgerald, responsável pela produção da estátua.

Quem é Dilan Cruz, símbolo da juventude colombiana contra o governo

No dia 23 de novembro de 2019, a Colômbia ardia em protestos contra corrupção e medidas de austeridade propostas pelo governo de Iván Duque. Entre as mais de 250 mil pessoas que tomavam as ruas, o jovem Dilan Cruz morreu vítima de um tiro do Esquadrão Móvel Antimotins da polícia.

Com 18 anos e cursando o último ano do Ensino Médio, Dilan se formaria na escola no mesmo dia em que morreu. Vindo de uma família pobre, o jovem morava com a avó, a mãe e duas irmãs. 

A Procuradoria Geral chegou a abrir uma investigação e advertiu as forças de segurança sobre o uso desproporcional de força contra protestos pacíficos. O caso continua aberto e será encaminhado contra o capitão da unidade policial de Bogotá, Manuel Cubillos Rodríguez.

Tombado por indígenas Misak, monumento de Gonzalo Jiménez de Quesada é substituído por estátua de Dilan Cruz, símbolo da resistência contra o governo

Infobae
O ato representou o direito da população de sair às ruas para protestar e se manifestar contra os abusos policiais.

Protestos já somam 7 estátuas derrubadas

Em toda a América Latina, é longa a lista de monumentos que exaltavam a figura de colonizadores, escravistas, fascistas e ditadores que foram tombados. Homenageados e elogiados pelos Estados latino-americanos, essas personalidades representam uma história de opressão e genocídio dos povos nativos. Derrubá-las é uma forma de reescrever a história do ponto de vista dos explorados. 

Uma das primeiras estátuas derrubadas na Colômbia foi a do ex-presidente Misael Pastrana (1970-74), que aplicou uma ampla reforma na Educação Superior, gerando o fechamento de oito universidades e promovendo o massacre de 26 de fevereiro que feriu diversos estudantes. 

A estátua de Diego de Ospina y Medinilla (1567-1630) também foi tombada. Ospina y Medinilla governou diversas cidades colombianas e atuou diretamente contra a emancipação dos povos pijaos. 

Comandada pelos indígenas Misak, a estátua de Sebastián de Belalcázar (1480-1551) foi ao chão no mês passado. Belalcázar é conhecido por ser o fundador da cidade de Cali. Também foi ao chão o monumento do político e militar Antonio Amador José de Nariño (1765-1823).

No dia 01° de maio deste ano, a estátua de Gilberto Alzate Avendaño (1910-60) foi derrubada no departamento de Caldas. Avendaño foi um escritor ligado ao partido nazista, líder do Partido Conservador Colombiano e da Ação Nacionalista Popular, responsável por propagar o movimento fascista na Colômbia. 

O monumento do escravista Julio Arboleda Pombo (1817-62) caiu em maio deste ano na capital do departamento de Cauca. 

A última estátua derrubada foi a de Gonzalo Jiménez de Quesada (1509-79), no centro de Bogotá. O colonizador espanhol é visto como uma recordação do massacre, da repressão e dos saques contra os homens e as mulheres da etnia Misak. 


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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