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Sociedade deve se organizar para cobrar do futuro presidente Lula os avanços necessários

Os movimentos sociais devem mostrar presença e pressionar, desde a campanha, para que suas demandas sejam contempladas e os compromissos assumidos
Claúdio di Mauro
Diálogos do Sul
Uberlândia (MG)

Tradução:

Na semana que passou mereceu destaque com severas críticas o veto do Presidente da República ao Projeto de Lei que permitia disponibilizar gratuitamente absorventes femininos para a população de baixa renda através do Sistema de Saúde. O Brasil ultrapassou a marca de mais de 600 mil óbitos por covid-19. A cada providência ou não providência do governo federal, a situação de Bolsonaro vai se deteriorando.

Bolsonaro, mesmo em queda, possui significativa margem de apoio, certamente ficando em aproximadamente 15% do eleitorado brasileiro. Na análise do cientista Rudá Ricci, há cerca de 7 a 8% deles que são bolsonarista-raíz. Aqueles que aceitam o “milicianismo” como prática de dominação, com base na violência, agressividade e uso de armas de fogo como forma de imposição do mando.

Há outros que também são agressivos, autoritários, mas não estão dispostos a empunhar as armas. O certo é que o bolsonarismo tem diversas matizes que são compostas por gente com a qual, em geral, não existe argumentação e diálogo possível. Esse talvez seja o motivo pelo qual os setores da direita brasileira sentiram os desgastes de Bolsonaro e estão perdidos na tentativa de construir o que está pouco provável, uma terceira via para a disputa eleitoral pela Presidência da República em 2022.

O certo é que temos o bolsonarismo representando a extrema-direita e à direita tida como mais “civilizada” ao ficar sem alternativa viável, buscando em Lula a possível solução para a imensa crise pela qual o Brasil atravessa.

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Caiu como uma bomba a denúncia de que Paulo Guedes e o Presidente do Banco Central possuem contas offshore em paraísos fiscais. Um absurdo que comprova a realidade de que eles mesmos não acreditam na política econômica que fazem no Brasil. Levam suas fortunas para paraísos fiscais, tendo em vista que a política econômica que adotam no Brasil resultará em maior enriquecimento deles nesses lugares. Puro assalto contra o povo brasileiro.

Os movimentos sociais devem mostrar presença e pressionar, desde a campanha, para que suas demandas sejam contempladas e os compromissos assumidos

PT.ORG
Lula tende a se deslocar para posições mais de centro

Lula ao centro

Com esse formato na disputa, Lula tende a se deslocar para posições mais de centro. Como fez em seus governos anteriores, terá um governo de caráter desenvolvimentista, na perspectiva liberal. Lula não é comunista, também não é socialista e tende a fazer, no máximo, quando muito, um governo social-democrata, ou seja, de direita. As forças que deixaram de apoiar Lula e votaram em Bolsonaro tendem a voltar na mesma proporção que saíram dessa alternativa.

Qual pode ser o critério para as forças progressistas, das esquerdas? Não é possível guardar a ilusão de que nas condições atuais e com os atuais níveis de mobilização haja possibilidades de que Lula faça um governo socialista.

Com sindicatos desarticulados, predomínio de movimentos populares desestruturados; com a fragmentação na luta social envolvendo os grupos identitários específicos de pretos, povos da floresta, mulheres, LGBTQIA+, estudantes universitários, ambientalistas e outros, torna-se indispensável o estabelecimento do diálogo entre tais expressões sociais. As lutas sociais tendem a enfrentar períodos de muitas dificuldades, por isso, devem se apresentar desde cedo, dizendo o que demandam.

Setores melhor organizados como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra — MST (luta no campo); Movimento dos Trabalhadores Sem Teto — MTST (luta urbana); Povo Sem Medo e os Partidos das esquerdas precisarão assumir posições de liderança, buscando construir a unidade dos movimentos identitários e o que persiste dos movimentos populares.

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A cultura pode se constituir em instrumento importante para que esse diálogo seja estabelecido e se construa a unidade com sua transversalidade. Torna-se indispensável que as temáticas sejam abordadas com a nítida busca de reconhecimento e fortalecimento na luta de classes.

É definitivamente necessária a preparação de uma pauta que constitua base das lutas e aspirações, com palavras de ordem que sejam defendidas por todas as pessoas e setores engajados e que serão atraídas. Não pode ser muito diversificada, mas deve contemplar os componentes necessários para amalgamar lutas e esforços que estão atualmente fragmentados.

Essa pauta, deve ser levada ao candidato Lula da Silva, em uma corrente organizada pelas lideranças dessa articulação, como base que componha o Plano de Governo. Ou seja, os movimentos referidos devem mostrar presença articulada e pressionar, desde a campanha, para que suas demandas sejam contempladas e os compromissos assumidos.

Alguns dos componentes que são indispensáveis nessa composição de demandas, neste entendimento são:

1 – Composição de governo com forças progressistas que priorizem a distribuição da riqueza produzida e ambiental, garantindo sociedades com meio ambiente sustentável e espaços de participação para mulheres, negros, ambientalistas e LGBTQIA+;

2 – Reforma agrária no campo e nas cidades para garantir o pleno cumprimento da função social das propriedades. Política de Segurança Alimentar e Moradia para todas as pessoas e famílias;

3 – Política de desenvolvimento que contemple trabalho e renda acelerando e investindo em Economia Solidária;

4 – Valorização dos serviços públicos, a exemplo do SUS, Correios, Energia e Saneamento Básico.

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Lula, nas condições atuais será o próximo Presidente da República, sob pressão deve assumir tais compromissos e outros para que se tenha esperanças de paz social e um futuro digno para o Brasil.

Não se pode esperar apenas do futuro Presidente Lula as chamadas para as lutas e mobilizações. É preciso que a luta seja liderada pelos setores referidos e que Lula se sinta pressionado para atender tais demandas.

Cláudio Di Mauro, geógrafo e ex-prefeito de Rio Claro-SP. É Colaborador da Revista Diálogos do Sul


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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