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Tabaré Vásquez e o próximo governo

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Jorge Luna*

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Tabaré Vázquez, da governista Frente Ampla (FA)

A acachapante vitória eleitoral de Tabaré Vázquez, da governista Frente Ampla (FA), considerada histórica, augura um próximo governo pouco comum para o país e a região.

Para além de vencer com quase 13 pontos percentuais acima de seu rival, Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional (PN), de oposição e seus aliados, os seus 53 por cento dos votos é considerada a mais alta votação na história do país.

O ex presidente (2005 a 2010) recebe seu terceiro governo da FA, no dia 1o de março, das mão do presidente José Mujica, que deixa a Presidência com uma cifra recorde de popularidade: 65 por cento.

Nas eleições de 26 de outubro passado, Mujica foi eleito senador com a mais alta votação, e por isso continuará trabalhando pela FA no interior do Parlamento. Perguntado sobre seu futuro, respondeu: “Já não posso deixar de ser militante”.

Vázquez também entrará na história como o primeiro presidente reeleito neste século (o terceiro na história do país) e além disso poderá contar com maioria em ambas as casas do Parlamento, que começam funcionar dia 15 de fevereiro. A FP  obteve, nessas eleições de outubro, 50 dos 99 membros da Câmara de Deputados, e 15 dos 30 integrantes do Senado, ao que se soma agora o vice presidente Eleito, Raúl Sendic, que deverá presidir esse legislativo.

Os analistas concordam com que essa maioria alcançada pela terceira vez consecutiva pela FA proporciona tranquilidade ao novo mandatário, porque as leis que enviar ao Parlamente que não requeiram de maioria especial serão aprovadas.

Assim, o governo Vázquez-Sendic poderá executar sem obstáculos o programa de governo aprovado em recente congresso da FA.

Alguns observadores não escondem a surpresa diante do fato de a FA “não ter sofrido um desgaste eleitoral”, como é comum, depois de dez anos de mandato e, ao contrário, cresceu no interior do país, outrora reduto dos partidos tradicionais.

A FA ganhou em 12 dos 19 departamentos (estados) do país, inclusive em Montevidéu, o que tem sido considerado pela mídia como fator chave para as próximas eleições estaduais e municipais a realizar-se em maio do próximo ano.

A transição

Vázquez manifestou interesse em iniciar o quanto antes possível a transição do atual governo para o próximo, e Mujica instruiu a seus ministros a preparar os documentos pertinentes sobre a desempenho de suas respectivas pastas.

O mais provável é que esse processo comece a partir do dia 10 de fevereiro, depois que o presidente regresse da viagem em que visitou Venezuela, Equador e México.

O presidente eleito incluiu cinco mulheres em seu gabinete ministerial de 13 membros, com que iniciará seu governo em parceria com seu vice Raul Sendic.

Entre os ministros com maior experiência prévia destaca-se o chanceler Rodolfo Nin Novoa, que foi vice presidente uruguaio durante o primeiro governo de Vázquez e o atual vice presidente, Danilo Astori, designado para comandar o ministério de Economia e Finanças.

Vázquez também ratificou em seus cargos a Eduardo Bonomi na pasta do Interior, Eleuterio Fernández Huidobro na de Defesa Nacional e a Tabaré Aguerra, no da Pecuária, Agricultura e Pesca.

Também foram designados, Víctor Rossi, ministro de Transporte, pasta que já ocupou anteriormente, e a Ernesto Murro, como ministro do Trabalho e Seguridade Social, atualmente presidente do Banco de Previsão Social.

Em seu entorno imediato, foram nomeados seu ex ministro de Economia, Álvaro García, como diretor do Escritório de Planejamento e Orçamento além de Miguel Toma, como secretário e Juan Robalo, como pro secretário.

Perguntado sobre o futuro governo, Mujica disse: “espero que, por um lado, continue lutando pela equidade social e, por outros lado, aprofunde o desenho de um novo Uruguai que está apenas esboçado”.

*Original da revista Orbe, especial para Diálogos do Sul


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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