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Taylor Swift vs Trump? Teoria da conspiração trumpista seria cômica se não fosse trágica

Artista pop mais popular dos EUA, Taylor se tornou poderosa no jogo político a tal nível que ambos os partidos estão 'fascinados' por ela
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Uma estrela pop é a chave para o futuro da democracia no país mais poderoso do mundo? As contendas eleitorais dos Estados Unidos têm se convertido em mega espetáculos, até porque os artistas são muito mais talentosos que os políticos para dançar, cantar, atuar, se expressar. Sem contar que têm muito mais respeito e confiança do público. 

Mas este ano, o show – ainda não se sabe se é tragédia, comédia ou tragicomédia – está estrelado com uma superestrela no meio de tudo: Taylor Swift. Durante as últimas semanas, explodiu a acusação entre fanáticos trumpistas de que Swift é uma arma secreta contra eles em um complô financiado por George Soros e o “estado profundo”, incluindo que na Super Taça já foi combinado que o Kansas City ganhará o campeonato, e que Swift, com seu noivo, Travis Kelce, uma das estrelas dessa equipe, endossarão a candidatura do democrata Joe Biden (este repórter agora está obrigado a ver a partida caso nela se decida a eleição). 

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O próprio Trump se somou pela primeira vez ao debate nacional sobre Swift e a eleição. Em um tuíte, Trump afirma que ele promulgou a lei que beneficiou Swift e outros artistas. “Não há maneira de que ela possa endossar a eleição do torto Joe Biden… e ser desleal ao homem que fez com que (ela) ganhasse tanto dinheiro. Além disso, simpatizo com seu noivo, Travis, embora possa ser um liberal e provavelmente não me aguente”. 

Também circulam memes abordando isto, como sobre o Super Bowl que tem o marechal de campo da equipe de San Francisco junto a uma imagem de Jesus, e abaixo uma imagem de Travis mostrando seu braço vacinado contra a Covid (foi promotor da vacinação provocando ira entre a ultradireita) e junto a ele, uma imagem de Swift, e o lema é “Equipe Jesus x Equipe Soros”.

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Como é que Swift se tornou tão poderosa no jogo político a tal nível que ambos os partidos estão fascinados por ela? É a artista pop mais popular dos Estados Unidos (e há quem diga que do mundo) hoje. Segundo uma pesquisa de Morning Consult do ano passado, 53% dos adultos estadunidenses dizem que são fãs de Swift, a esmagadora maioria deles são brancos, quase metade são “millennials” (entre 27 e 45 anos – ela tem 34), e a maioria se identifica como democratas. 40% do eleitorado registrado diz ter uma percepção positiva de Swift – mais que qualquer outra figura pública incluindo o presidente e Beyoncé, segundo uma enquete de NBC News. Tem 272 milhões de seguidores no Instagram. Nenhuma outra figura pública goza de tanto reconhecimento e presença.

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Artista pop mais popular dos EUA, Taylor se tornou poderosa no jogo político a tal nível que ambos os partidos estão 'fascinados' por ela

Foto: Eva Rinaldi / Flickr
Taylor Swift talvez não conquiste votos, mas pode promover a participação nas urnas, algo determinante para os democratas

Reportou-se que a campanha de Biden espera ansiosamente que Swift – sempre cuidadosamente distante da pugna política – os endosse, enquanto a campanha de Trump está estudando como lançar “uma guerra sagrada” contra ela. 

“Swift é uma voz geracional, e essa geração foi de fato chave para a vitória de Biden em 2020”, assinala Jeet Heer em The Nation. Outros analistas assinalaram que Swift não será grande fator em fazer que os eleitores troquem de bando entre Trump e Biden, mas em promover a participação nas urnas, algo determinante para os democratas, sobretudo ante o baixo entusiasmo gerado por Biden. Cada vez que instou seus fãs a se registrarem, dezenas de milhares a obedeceram – são o “exército Swifitie”, e são potencialmente muito poderosos. 

Não é a primeira vez que um artista tem influência nos espetáculos eleitorais deste país. Vale recordar que no último mês da primeira campanha presidencial de Barack Obama em 2008, o candidato não convocou outros políticos ou ex-presidentes para acompanhá-lo na reta final, mas alguém que sabia que tinha um perfil público de muito mais confiança entre o público – o Chefe, Bruce Springsteen. Ele agora diz que é um “Swiftie”.

E é claro, o aporte dos artistas à consciência política neste país tem sido chave desde seus inícios até hoje. Talvez apareça um político pop por aí e este show eleitoral se tornará um musical. 

Cabaret – Willkommen

David Brooks | La Joranda, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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