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Tragédia em Petrópolis: sobe número de vítimas e desabrigados; saiba como ajudar

O bairro mais atingido foi Alto da Serra, que concentra comunidades e casas populares, incluindo construções em áreas de risco
Gustavo Sixel
Esquerda Online
São Paulo (SP)

Tradução:

Atualizado em 17/02/22 às 13h18

Um forte temporal atingiu a cidade de Petrópolis (RJ), na região Serrana, provocando alagamentos, mortes e destruição na noite desta terça-feira (15).

Em seis horas, choveu 259 milímetros, o que supera o previsto para todo o mês na cidade (238,2 ml), sendo que a chuva foi intensa e com maior incidência em uma parte da cidade.

Até o momento, há 105 pessoas mortas, mas o número pode aumentar, diante da grande quantidade de desaparecidos, que já chega a 134, além de quantidade de desabrigados, que ultrapassa 400. O clima na cidade é de tristeza e dor, pelas vidas perdidas, incluindo crianças.

A Defesa Civil havia contabilizado 207 registros, sendo que destes, 171 foram deslizamentos de terra. No Alto da Serra, alunos de uma escola deixaram o local às pressas, após um desabamento de uma encosta ter atingido o prédio.

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O bairro foi o mais atingido, pois concentra comunidades e casas populares, incluindo construções em áreas de risco. O local é marcado pela pobreza – em outubro, perto dali, um vídeo registrou uma fila de pessoas para comprar ossos de carne, em um caminhão.

No Morro da Oficina, o cenário foi chamado por bombeiros como uma catástrofe. Segundo a imprensa, cerca de 50 casas foram atingidas por um grande deslizamento e havia um grande mar de lama, com corpos soterrados. Um vídeo (abaixo) registra, a distância, o momento em que as casas vêm abaixo.

Durante toda a noite, moradores e voluntários se somaram aos bombeiros, buscando sobreviventes. Uma avó buscava a neta de 1 ano, que dormia em seu quarto quando a casa desabou. 

O bairro mais atingido foi Alto da Serra, que concentra comunidades e casas populares, incluindo construções em áreas de risco

Captura de tela / YouTube / CNN
O bairro mais atingido concentra comunidades e casas populares, incluindo construções em áreas de risco

Cidade marcada por tragédias

As mortes ocorreram em toda a cidade. Na Rua do Imperador, a “avenida”, ponto principal da cidade, dividida por um rio, foram encontrados 12 corpos – sendo 11 de mulheres, presos às ferragens ou submersos no rio que divide a avenida. Muitas pessoas se protegeram em pontos mais altos no momento em que as águas do rio tomaram conta da rua.

A cidade está marcada por mais essa tragédia, que é resultado não apenas da intensidade das chuvas, mas da ação dos governos, que não realizam obras de prevenção ou políticas de moradia, em especial para as populações em áreas de risco.

A verdade é que Petrópolis convive com a tragédia das chuvas há muitos anos, pelo menos desde as fortes chuvas de 1981 e 1988. De lá para cá, a história se repete. Em três décadas, entre 1988 e 2018, foram 411 mortes na cidade provocadas pelas chuvas.

A pior foi em 1988, quando 134 pessoas morreram. Em 2001 foram 57 mortes e em 2002 foram 50 mortes. Em 2011, chuvas atingiram toda a região serrana, provocando 72 mortes em Petrópolis.

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Neste momento, em meio a tragédia e a lama e destruição que tomou a cidade, a população busca reconstruir a cidade, cuidar de quem precisa de apoio.

Diversas ações de solidariedade já tiveram início, como a do CDDH Petrópolis, e há pontos de recolhimento de doações em quase todos os bairros, como na sede da OAB, nas paróquias e no pronto-socorro do Alto da Serra.

A Prefeitura está cadastrando pessoas para atuar como voluntárias, na limpeza e apoio aos atingidos.

O PSOL estadual prepara também ações de solidariedade. “É uma catástrofe. Por onde a gente passa, é destruição, carro em cima de carro, de árvore, pessoas desaparecidas, confirmações de mortes.

Para conhecer mais formas de ajudar as vítimas de Petrópolis, confira uma lista de instituições e canais aqui.

Amanhã a gente vai ter um dia muito duro, muito difícil. Precisamos estar unidos e solidários”, afirmou Yuri Moura, vereador do PSOL na cidade, em um vídeo gravado ao final da madrugada, após percorrer a cidade apoiando a população.

Também de madrugada, o governador Claudio Castro esteve no local, reunindo-se com o prefeito Rubens Bomtempo. O ministro Rogério Marinho chega à cidade na sexta-feira, 18, para anunciar apoio financeiro do governo federal. Até o momento, a cidade recebeu duas carretas, com materiais de higiene e medicamentos, e reforço nas equipes de resgate e de perícia.

As tragédias ocorreram quase que em todos os anos na cidade, com maior ou menor intensidade. No entanto, em função do aquecimento global e da destruição do meio ambiente e desmatamento, eventos climáticos extremos já são cada vez mais frequentes e devem atingir especialmente as populações vulneráveis e os países periféricos, como vimos no Sul da Bahia e em Minas Gerais.

Petrópolis, caso não realize ações de prevenção e passe por uma grande mudança em sua política de moradia e urbanização, certamente viverá novas tragédias como a desta terça-feira.

Gustavo Sixel, redação Esquerda Online


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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