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Trump acelera reativação econômica apesar de novas mortes por Covid-19 nos EUA

O candidato a reeleição presidencial nos estados unidos, continua promovendo o debate entre ciência e mercados
David Brooks
Diálogos do Sul
Nova York

Tradução:

Donald Trump se autoelogiou porque só há 100 mil mortos pelo coronavirus nos Estados Unidos ao intensificar-se o grande debate sobre “reabrir” o país que continua como epicentro da pandemia global, e com a reeleição como a prioridade para a Casa Branca. 

Em um tuíte, Trump afirmou: “se não tivesse feito bem minha tarefa, teríamos perdido 1 1/2 a 2 milhões de pessoas, oposto aos 100 mil plus que parece será o número. Isso é 14 a 20 vezes mais do que perderemos. Eu fechei o ingresso desde a China muito cedo!”.  

Para variar, cada frase desta mensagem é falsa e enganosa segundo os fatos mais que documentados: não fez bem sua tarefa ao não aceitar o que os especialistas recomendaram, a cifra de milhão e meio a 2 milhões é de um modelo acadêmico que calculava o número de mortes sem nenhum tipo de medidas de mitigação (algo que nunca está dentro das possibilidades), e não fechou o acesso aos Estados unidos de imediato.  

O candidato a reeleição presidencial nos estados unidos, continua promovendo o debate entre ciência e mercados

Reprodução: Winkiemedia
Donald Trump se reúne com conselho para debater reabertura do mercado

Vale recordar que em março, Trump havia declarado que a Covid-19 estava sob controle e que não chegaria a causar mais de 15 mortes nos Estados Unidos; em poucas semanas o país se tornou o epicentro mundial da pandemia. E enquanto o número de mortes se aproximava de 100 mil este passado fim de semana deixando famílias de luto por todo o país, o presidente foi jogar golfe.

Mas desde que explodiu a pandemia nos Estados Unidos, Trump e seus estrategistas fizeram tudo para evitar impor medidas de quarentena – uma demora que especialistas calculam que custou dezenas de milhares de vidas – e por fim, obrigados a fazê-lo por prognósticos cada vez mais atrozes, quase de imediato procuraram a forma de “reabrir o país”.  

Os especialistas de saúde pública, incluindo os que estão dentro do governo federal, advertiram repetidamente que uma reabertura prematura terá consequências mortais. Mas com quase 40 milhões de desempregados e perdas empresariais em massa pondo em xeque sua reeleição em novembro, a urgência para “reabrir” é o que está guiando as decisões da Casa Branca.

Um dos assessores econômicos de Trump, Kevin Hassett, o disse claramente, usando um vocabulário revelador, quando no domingo comentou na CNN que “nossos recursos de capital não foram destruídos… e nossos recursos de capital humana estão prontos para regressar ao trabalho”, argumentando que é possível e se deve superar a crise rapidamente. 

O mandatário, depois de insistir que as igrejas e outros centros religiosos deveriam ser designados como “essenciais” e ser reabertos por todo o país, junto com quase todos os setores, na segunda-feira ameaçou trasladar a sede da Convenção Nacional Republicana da Carolina do Norte caso o governador democrata não garanta que pode ser realizado de maneira plena o evento de quatro dias.  

De imediato, os governadores da Florida e da Georgia, ambos republicanos e alinhados com o presidente, ofereceram-se como anfitriões. Não mencionara que esses dois estados – entre os mais agressivos em anular as medidas de mitigação – estão entre a dúzia de estados onde está sendo registrado um aumento do contágios e mortes pela Covid-19. 

Ao mesmo tempo que os políticos estão debatendo estes temas, 30 milhões de crianças que não têm acesso a suficiente alimentação continuam esperando a assistência federal de emergência aprovada em março. Quase um terço de famílias com filhos reportaram não ter alimento suficiente ou da qualidade desejada por falta de fundos, informou o Bureau do Censo Federal a semana passada, segundo o New York Times.

Mas para Trump, com as dimensões da crise comparáveis com a Grande Depressão e as 100 mil morte na pandemia mais mortífera em um século, a única opção parece ser continuar com o que alguns analistas chamam de sua “guerra contra a realidade” e promover a ilusão de que o país está a ponto de superar a crise econômica e de saúde pública através de seus discursos e mensagens pela redes sociais. 

De fato, pela primeira vez, o Twitter foi forçado a inserir dois links nos tweets de Trump com a mensagem “procurar os fatos” para esclarecer que sua mensagem não poderia ser sustentada pela verdade, neste caso em que ele proclamou que as medidas para votar pelo correio era uma manobra que levaria à fraude eleitoral.

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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