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Trump deixa golpistas brasileiros de saia justa

Redação Diálogos do Sul

Tradução:

Os golpistas brasileiros estão de saia justíssima depois da vitória espetacular de Trump contra a onda neoliberal americana.

Cesar Fonseca
frioquentemornoA direita e o jornalismo acrítico que ela alimenta se dizem surpresos com o desempenho eleitoral do vitorioso magnata republicano.
O que faltou, porém, foi, justamente, jornalismo.
A lei número um do jornalismo, de ouvir as duas partes, algo não seguido por William Waack, por exemplo, foi descumprida nos isteites.
Caiu na onda neoliberal.
Os grandes periódicos americanos dançaram feio.
Na prática, foi a grande bancarrota da mídia do país capitalista mais famoso do mundo, tomada como exemplo pelos demais, na periferia do capitalismo, seguidores cegos do neoliberalismo.
Todos, indistintamente, estavam na onda de que a depressão mundial de 2008, produzida pelo mercado financeiro americano, altamente, especulativo, havia passado.
O crash de 29 somente foi superado em 1943, 14 anos depois, cujo preço a pagar foi a mudança estrutural da produção americana.
Ela havia deixado de ser dinamizada pelos bens duráveis de luxo (automóveis, eletrodomésticos etc), sob lassair faire, para entrar na economia de guerra, produção bélica e espacial.
Graças a ela, os Estados Unidos dominariam o mundo no pós guerra, seguindo recomendação de Keynes a Roosevelt, em 1936:
“Penso ser incompatível com a democracia que o governo eleve seus gastos na escala necessária capaz de fazer valer minha tese – a do pleno emprego -, exceto em condições de guerra. Se os Estados Unidos se SENSIBILIZAREM para a preparação das armas, aprenderão a conhecer a sua força.”(Lauro Campos, em A CRISE DA IDEOLOGIA KEYNESIANA, 1980, Campus, e ECONOMIA POLÍTICA DO NÃO – A CRISE COMPLETA, Boitempo, 2001, talvez os dois livros mais importantes de economia política editados no Brasil).
Precisou o capitalismo sair da economia de mercado e entrar na economia movida pelos gastos do governo para ser salvo do colapso completo.
A crise de 2008 é o que Lauro antecipou em 1980, o colapso da dívida pública como instrumento de dinamização do capitalismo, manipulado pelos banqueiros, donos, no caso dos Estados Unidos, do Banco Central, responsável por comandar a economia mundial.
Os neoliberais, com a crise da dívida pública, acharam que a saída seria a volta ao livre mercado, ao século 19.
Tentativa de volta ao útero materno do cadáver insepulto.
Só Freud explica.
A explosão de papéis especulativos, os derivativos de dólar, os filhotes da moeda americana, ancorados na dívida, espalhados pelo mundo todo, com ênfase especial, nos bancos europeus, produziu o crash de 2008 do qual o sistema capitalista ainda não se livrou totalmente.
Hillary queria repetir a dose: dobrar apostas na guerra, na velha solução, mas cadê bala?
Trump desarmou o monstro, olhando para a realidade, a destruição dos empregos produzida pela especulação com a dívida.
O fenômeno político Trump, nos Estados Unidos, é a reação popular ao crash.
Trump promete ampliar gastos para reconstruir os Estados Unidos; deve monetizar a dívida e congelar juros para evitar novo endividamento; cortar uns dois zeros dela e tocar bola prá frente; a solução do capitalismo é sempre essa, fuga para frente.
O empresário candidato republicano, homem de negócio, lança mão da máxima de Tio Sam de que o negócio dos Estados Unidos são os negócios.
Derrubou orientação política do governo democrata de salvar os bancos e o status quo militar e deixar os prejudicados na chuva, suportando os rigores da recessão.
Não dá para servir a dois senhores: ao povo e aos bancos/guerra.
A Europa experimentou o fenômeno Trump com antecedência, com avanços da direita e esquerda de forma doida.
A destruição das economias espanhola, portuguesa, grega, irlandesa, italiana, francesa e penduricalhos europeus, monitorados pela troika (FMI, Banco Central Europeu e União Europeia) é produto do colapso neoliberal.
Temer, entreguista, vai na contramão total, rumo ao suicídio, com a PEC 55.
A experiência desastrosa europeia acaba de ser rejeitada nas urnas nos Estados Unidos.
Falência neoliberal, dobrado de sino da era pós queda do muro de Berlim.
A história não acabou, caros neoliberais burros.
Neoliberalismo em impasse depois de Trump.
Fortalece o seu contrapolo, a defesa do nacionalismo.
Trump, nacionalista, dá força aos nacionalistas latino-americanos, que foram derrotados pelo golpe neoliberal no Brasil, cujo fôlego pode ser curto.
E o que Trump promete?
Novo ciclo de desenvolvimento puxado pelos gastos públicos, que Temer, no Brasil, quer congelar por vinte anos!
Já se fala em grande renegociação da dívida americana, na casa dos 20 trilhões, responsável pelos movimentos especulativos, que paralisam as forças produtivas mundo afora.
Que tal renegociá-la por trinta anos?
Adam Smith, em a Riqueza das Nações, diz que dívida não se paga, rola-se.
O Brasil está nessa, prisioneiro da dívida pública, que só enriquece os bancos especuladores, criadores da PEC 55, em tramitação no Senado.
O caos político em que mergulha o Brasil decorre da dívida, submetida à especulação doida, rolada a juros compostos, a ilegalidades inconstitucionais, a muita corrupção.
Os banqueiros compram consciências no Congresso e na mídia para dizerem que a dívida não é causa, mas consequência do déficit público, gerado por … gastos sociais!
A aprovação, nesta quarta (09), na Comissão de Assuntos Econômicos, no Senado, da PEC neoliberal 55, cujas premissas fere cláusulas pétreas da própria Constituição, como constatou consultoria senatorial, é passo politicamente suicida.
Os senadores neoliberais, liderados pelo anti-empresário senador do PMDB Eunício Oliveira, relator da PEC, os golpistas do impeachment sem crime de responsabilidade, rendidos aos argumentos dos banqueiros, batidos por Trump nas eleições, estão na contramão da história.
Pavimentam caminho cujo destino será vitória da oposição nas próximas eleições.
A preocupação em prender e aniquilar politicamente Lula, de modo a evitar sua candidatura em 2018, tem explicação no óbvio ululante: a PEC 55, destruição do Brasil como nação, representa derrocada política antecipada dos neoliberais nas urnas.
Hillary, na Casa Branca, seria salvação deles.
Com Trump, podem contar os dias para deixarem o poder usurpado pela ação golpista.
*Original de Pátria Latina


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Redação Diálogos do Sul

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