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Trump distribui ameaças e diz que não irá cooperar com processo de impeachment

Após anúncio de segundo denunciante e investigação sobre seu assessor e advogado pessoal, americano acusa legisladores de "traidores da pátria"
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Ao longo dos 21 dias que a liderança democrata da Câmara de Representantes anunciou sua investigação para formular acusações para um julgamento político do presidente, Donald Trump e sua equipe têm acusado legisladores democratas de traidores à pátria, posto em perigo pessoal denunciantes oficiais, ameaçado jornalistas e reiterado que não cooperará com as investigações. 

Mas as indagações da câmara baixa continuam se acelerando com diplomatas comparecendo ante investigadores apesar da ordem de não cooperação de seu chefe, um constante gotejamento de filtrações de dentro da Casa Branca, abrindo mais flancos, entre esses o anúncio de um segundo denunciante, tudo nutrindo a paranoia de Trump sobre sua própria equipe e alguns de seus ex-colaboradores (incluindo John Bolton), algo que se intensifica agora com uma investigação sobre seu assessor e advogado pessoal Rudolph Giuliani.

O muro de Trump contra a investigação, que a Casa Branca declarou “ilegítima” e “inconstitucional”, não conseguiu frear o depoimento diante dos comitês da câmara de funcionários chaves, incluindo pela primeira vez alguém da Casa Branca. 

Na segunda-feira testemunhou a ex-assessora da presidência sobre a Rússia, Fiona Hill, que detonou uma bomba ao declarar – em sessões a portas fechadas, mas com detalhes gerais compartilhados com a mídia – que lhe foi ordenado, pelo então Assessor de Segurança Nacional John Bolton, compartir sua informação com um advogado do Conselho da Segurança Nacional sobre os esforços de Giuliani para pressionar o governo ucraniano a investigar os rivais políticos de Trump – algo que fez em duas ocasiões.

Hill também revelou aos legisladores que Bolton comentou com ela que não tinha nada que ver com “o negócio de drogas” que o embaixador na União Europeia, Gordon Sondland , e o chefe de gabinete Mick Mulvaney “estão cozinhando” – em referência às manobras políticas possivelmente ilícitas de que suspeitava – e que Bolton caracterizou Giuliani como “uma granada de mão que nos vai fazer explodir a todos”. 

Legisladores democratas concluem, com base neste e em outros depoimentos, que a relação bilateral do regime de Trump com o novo governo da Ucrânia tinha uma via oficial formal e outra que era manejada nas sombras, encabeçada por Giuliani, que não ocupa nenhum posto oficial neste governo.

Após anúncio de segundo denunciante e investigação sobre seu assessor e advogado pessoal, americano acusa legisladores de "traidores da pátria"

WhiteHouse.Gov
O Presidente Donald Trump

Giuliani, Lev Parnas e a Ucrânia

Toda a investigação gira, neste momento, em torno à tentativa de Trump e alguns de seus assessores – sobretudo Giuliani — de pressionar o governo ucraniano para fazer investigações contra o ex-vice-presidente e rival político de Trump, Joe Biden e sua família, o que é um ato ilegal: solicitar a assistência de um poder estrangeiro para influenciar na eleição estadunidense de 2020. 

Agora Giuliani enfrenta seus próprios problemas legais e está sendo investigado pelo mesmo escritório em Nova York onde, como jovem promotor federal, ganhou fama combatendo o crime organizado e a corrupção oficial. 

Na segunda-feira, ele admitiu que lhe foram pagos 500 mil dólares por uma empresa de Lev Parnas, um doador da campanha de Trump e um de seus sócios, que lhe ajudaram a obter acesso a funcionários ucranianos para buscar, entre outras coisas, informação danosa contra democratas. Parnas e um colega foram detidos na semana passada no aeroporto de Washington acusados de violar leis de financiamento eleitoral ao canalizar fundos estrangeiros a campanhas republicanas. 

Hoje Giuliani informou que não cumprirá a ordem da câmara baixa de entregar documentos sobre toda esta controvérsia. 

Recusa à colaboração

Por sua vez, esta tarde advogados do vice-presidente Mike Pence informaram ao Congresso que seu cliente não cooperará com a investigação. 

Por outro lado, o Departamento de Administração e Orçamento (OMB), agência do executivo, também informou que tampouco cumprirá com a solicitação dos legisladores para entregar material relevante à investigação. 

Mas a fila de testemunhas chamados a se apresentar aos investigadores na câmara baixa continua – hoje foi a vez do alto funcionário do Estado, George Kent — e se todos os citados até agora aceitarem se apresentar, os legisladores terão interrogado um total de 11 funcionários do regime de Trump até o fim da próxima semana. 

Trump, que está se recusando a oferecer documentos e testemunhas, queixou-se hoje de que os “democratas não estão permitindo nenhuma transparência nas audiência da Caça às Bruxas”, já que estão procedendo com as portas fechadas. 

Insegurança

Ao mesmo tempo, a insistência de Trump em conhecer a identidade do primeiro denunciante (agora são dois) dentro da Casa Branca – cuja queixa formal detonou esta primeira fase do processo de impeachment — a quem acusa de possivelmente ser um traidor, tem posto em perigo a segurança pessoal do denunciante segundo seus advogados.  

Por isso, o chefe do Comitê de Inteligência da câmara baixa, Adam Schiff, expressou que possivelmente não será convocado a declarar por causa do risco de que sua identidade seja revelada. E ainda mais, alguns repórteres revelaram que o próprio Schiff transita agora por Washington com uma escolta de segurança oficial, algo pouco comum para um chefe de um comitê. 

Ao longo dos últimos dias, Trump não só tem desqualificado o processo de impeachment como “antidemocrático” e “inconstitucional”, mas chegou a qualificar aqueles que participam como possível traidores “danificando os Estados Unidos”. Outros, como seu chefe de campanha, chamou o processo de “uma conspiração sediciosa”. Na semana passada, em um comício eleitoral, Trump declarou que o processo de impeachment e as investigações contra ele eram, na verdade, contra o país. “estamos em uma luta pela sobrevivência da democracia na América”, declarou. 

Por outro lado, 17 ex fiscais especiais que colaboraram no processo de impeachment detonado pelo escândalo Watergate, publicaram um artigo no Washington Post na semana passada afirmando que existe suficiente evidencia para proceder à destituição do presidente.

*David Brooks, correspondente – La Jornada, Nova York,

**Tradução: Beatriz Cannabrava

***La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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