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Trump ll: “Biden prometeu melhorar relações com Cuba, mas traiu a todos”, denuncia cônsul

Em entrevista coletiva, o embaixador Pedro Monzón falou sobre a reabertura da fronteira ao turismo e o impacto do bloqueio dos EUA na economia cubana
Mariane Barbosa
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

Já é tradição que o aniversário de Havana, que completou 502 anos nesta terça-feira (16) seja comemorado com muitas atividades culturais, porém, neste ano, a reabertura do turismo, iniciada na segunda (15) marca o início de um novo ciclo na capital cubana, graças à saúde pública do país, que atingirá a marca de 90% da população imunizada até o fim do mês.

Com três vacinas contra a covid criadas, produzidas e aplicadas em Cuba — Abdala, Mambisa e Soberana Plus — um surto da pandemia, iniciado no final de julho, foi rapidamente contido e o país se tornou o primeiro do mundo a imunizar a população entre 2 e 18 anos.

A segunda (15), também foi marcada pela retomada das aulas em toda a ilha após 20 meses de paralisação por causa da pandemia. As duas celebrações tinham como contraponto, agendado há meses pela oposição patrocinada pelos anticubanos de Miami, um protesto que afinal não ocorreu e o país seguiu na mais calma normalidade durante todo o dia. 

Na entrevista coletiva a meios de comunicação alternativos o embaixador, cônsul-geral de Cuba em São Paulo, Pedro Monzón, fala sobre os diversos pontos de destaque da conjuntura atual da ilha, sobretudo a importância da reabertura do turismo na ilha, já que a maior parte das divisas que entram no país provêm dessa atividade; o impacto do bloqueio dos Estados Unidos, a retomada da economia pós-pandemia, protestos no país e muito mais.

A conversa ocorreu na terça-feira (09) e foi viabilizada pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Você pode acompanhar a íntegra aqui. A seguir, destacamos os principais pontos da entrevista.

Vai pra Cuba!

No bate-papo, o cônsul cubano não escondeu a alegria de ver as fronteiras da ilha novamente abertas aos turistas do mundo todo. De acordo com ele, o “turismo serve para manter o avanço da saúde pública mais desenvolvida do mundo”.

A boa notícia para os brasileiros é que a partir do dia 15 de novembro, a companhia Copa Airlines voltará a realizar voos diários entre os dois países.

Monzón esclarece que “a quarta dose de reforço está sendo aplicada nas pessoas que trabalham com turismo, a quarentena obrigatória e o teste PCR não serão mais necessários” aos turistas que comprovarem a imunização contra a Covid-19

O uso da máscara, porém, se mantém obrigatório em locais fechados. “Relaxamento para o turista se sentir mais livre, mas com proteção”, diz ao ressaltar, com orgulho, a segurança de Cuba, as áreas de lazer e a variedade de ambientes culturais espalhados pela ilha. “Não há violência, há educação musical.”

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Referência em vacinação

Cuba possui medicamentos reconhecidos em todo o mundo, até uma vacina para câncer de pulmão. “Temos experiência de mais de 35 anos com vacinas. Desde que começamos os ensaios clínicos em Cuba, OMS (Organização Mundial da Saúde)OPS (Organização Panamericana da Saúde) acompanharam com muito otimismo. Não vimos nada político de que quisessem estorvar o processo”, diz.

O diplomata esclarece que, mesmo com o bloqueio econômico, a ilha já enviou milhares de doses de seus imunizantes contra a Covid-19 para a Venezuela e a Nicarágua e esclarece que a vacina cubana será solidária e a OMS não pretende fazer nada semelhante.

“80% da população já está vacinada, em novembro, serão 90% da população imunizada”, diz ao salientar que Cuba é o primeiro país a aplicar a vacina contra a Covid-19 em crianças e adolescentes entre dois e 18 anos.

“Estamos seguros de que vamos receber a aprovação da OMS devido à eficácia da vacina. Os países a recebem com a consciência de que ela está sendo efetiva. Mais cedo que tarde as vacinas cubanas serão aprovadas.”

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Relação com os EUA

“Tudo parecia indicar que não haveria nada tão mal como Donald TrumpJoe Biden prometeu melhorar as relações com Cuba. Mas traiu a todos. Não só não tirou as 243 medidas [impostas pelo governo anterior], como está tomando medidas adicionais e dizendo que somos um estado falido”, relata. 

“Está dizendo que vão doar vacinas adicionais a Cuba, quando temos vacinas suficientes e, inclusive, temos condição de doar nossas vacinas, de vendê-las, mas a vacina cubana será solidária. Ou seja, Biden é como se fosse um Trump II.”

Para o cubano, o novo presidente dos Estados Unidos está querendo o apoio dos “fundamentalistas de Miami” por cálculo eleitoral. “Muitos têm ódio de Cuba, dizem que tem que invadir, Cuba e acabar com todos os cubanos”, lamenta.

Questionado sobre o bloqueio, ele explica a difícil situação econômica vivenciada pela ilha, mesmo com o país tomando medidas com o objetivo de sobreviver aos obstáculos.

“Muitos países, inclusive mais ricos, não resistiriam a dois meses de bloqueio. Nós, há mais de 60 anos estamos resistimos com esforço, com criatividade. E com o esforço do que conseguimos, o dinheiro vai para o povo cubano”, explica ao citar exemplos desta resistência no desenvolvimento da biotecnologia

“Apesar do bloqueio, a nova instalação de Mariel foi feita durante a pandemia. As vacinas foram fabricadas lá vacinas sem participação estrangeira. Conseguimos progredir, apesar do disso. Nossa política é progredir apesar do bloqueio.”

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Porto de Mariel

Sobre o Porto de Mariel, em Cuba, Monzón relata que muitos investidores não chegam à ilha por causa do bloqueio dos Estados Unidos. Porém, o compromisso de outros países para financiar o investimento está crescendo de maneira significativa. VietnãBrasil têm investimento e compromissos de investimentos na região

Uma grande fábrica de vacinas, focada em biotecnologia, foi inaugurada recentemente, o que é um sinal importante para o futuro, avalia o diplomata.

“[O investimento] não só serve para a economia interna de Cuba, mas para a economia da América Central. Quando o bloqueio for relaxado, o Porto servirá, inclusive, para os negócios dos Estados Unidos, destaca, ao afirmar que a estrutura portuária é importante para a América do Sul também. 


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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