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Trump pinta um Estados Unidos triunfante sob seu mandato em seu informe presidencial

O estadunidense rendeu seu informe ante uma sessão conjunta da câmara baixa e do Senado, com a maioria desse público a favor de seu impeachment e destituição
David Brooks
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

Donald Trump entrou triunfante ao Capitólio donde foi formalmente acusado de condutas que poderiam levar à sua destituição há sete semanas e onde ainda está sob julgamento político que concluirá nesta quarta-feira, para oferecer seu terceiro informe presidencial anual, conhecido como “O estado da união”, mas de fato foi um discurso para começar sua campanha de reeleição (foram escutadas consignas de “quatro anos mais” dos legisladores republicanos).

Trump, que não mencionou seu impeachment -e se recusou a dar a mão a Nancy Pelosi, a presidenta democrata da câmara baixa, ao chegar ao pódio – ofereceu uma mensagem de otimismo cujo tema era “o grande retorno da América”.  

Trump tinha razões para seu otimismo: será absolvido e goza da taxa de aprovação mais alta de sua presidência (no Gallup, 49 por cento -níveis superiores aos de Barak Obama e de Bill Clinton nesse período de suas presidências).

Declarou que suas conquistas econômicas, cada uma “sem precedente” ou “marcando recorde”, beneficiaram “como nunca” todas as raças e classes – enfatizando o auge para os trabalhadores.

Elogiou suas conquistas recentes incluindo a ratificação do Tratado México-Estados Unidos-Canadá e novos acordos com a China, suas conquistas como guerreiro, incluindo o assassinato de um general iraniano, e a redução dramática do fluxo migratório. 

O discurso narcisista afirmou que “nosso país é altamente respeitado outra vez”, enfatizou que “nossas fronteiras estão seguras” e declarou que “o estado de nossa união é mais forte que nunca antes”.  

Trump afirmou que está “restaurando a liderança estadunidense através do mundo, e uma vez mais defendendo a liberdade em nosso hemisfério”, e agregou que “estão sendo apoiadas as esperanças de cubanos, nicaraguenses e venezuelanos”. Os Estados Unidos, afirmou, estão encabeçando uma coalisão diplomática contra “o ditador socialista” Nicolás Maduro, e virando para o camarote de convidados especiais do presidente, declarou que estava presente o “presidente legítimo” de Venezuela, Juan Guaidó, que recebeu uma ovação bipartidária, inclusive de Pelosi. Advertiu: “O socialismo destrói nações… a liberdade unifica a alma”. 

O estadunidense rendeu seu informe ante uma sessão conjunta da câmara baixa e do Senado, com a maioria desse público a favor de seu impeachment e destituição

The White House
Trump rendeu seu informe ante uma sessão conjunta da câmara baixa e do Senado, com a maioria desse público a favor de seu impeachment e dest

Falando nisso, promoveu iniciativas para enfraquecer escolas públicas com bolsas para escolas privadas, e prometeu lutar contra iniciativas que buscam anular seguros privados para saúde, já que “nunca permitiremos que o socialismo destrua o sistema de saúde estadunidense”.

Sobre migração, ressaltou a construção de seu “longo, alto e muito poderoso” muro na fronteira sul, tudo parte de “um esforço sem precedente para assegurar a fronteira sul dos Estados Unidos”, e informou que os cruzamentos ilegais foram reduzidos em 75 por cento desde maio, em parte resultado de “acordos de cooperação históricos” com México, Honduras, El Salvador e Guatemala.  

Reiterou sua já antiga mensagem sobre os imigrantes indocumentados que representam uma ameaça à segurança pública, contando atos criminosos brutais cometidos por eles, e acusou as políticas das chamadas cidades e estados “santuários” que os protegem.

Elogiou suas políticas contra o aborto, outorgou a medalha civil mais alta ao apresentador radiofônico ultraconservador Rush Limbaugh, ressaltou seu compromisso de defender a “liberdade religiosa” como também o direito de portar armas.  

E ressaltou a luta contra o “terrorismo radical islâmico” falando de operações em que os Estados Unidos assassinaram líderes “terroristas”, incluindo o general iraniano Qasem Soleimani, a quem acusou de matar ou ferir milhares de militares estadunidenses.

“Estados Unidos é uma terra de heróis”, concluiu, mencionando vários nomes ao longo da história, como Lincoln, Teddy Roosevelt, Frederick Douglass (que teria odiado o presidente) o general Pershing (que interveio no México), entre outros, recordando dos primeiros  peregrinos anglos até os “patriotas texanos que fizeram sua última batalha no Álamo”.  

Trump rendeu seu informe ante uma sessão conjunta da câmara baixa e do Senado, com a maioria desse público a favor de seu impeachment e destituição. Pelo menos nove legisladores decidiram boicotar a sessão em protesto, incluindo a deputada Alexandra Ocasio-Cortez que informou que “não usarei minha presença em uma cerimônia de estado para normalizar a conduta ilegal e a subversão da Constituição por Trump”. 

No final, enquanto Trump se retirava, a presidente da câmara Nancy Pelosi, a democrata mais poderosa do governo, rasgou sua cópia do discurso presidencial no pódio diante das câmeras de televisão. Quando perguntado por que, pouco depois, ela respondeu: “Foi a coisa mais cortês a se fazer, dada a alternativa”.

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“Estados Unidos é uma terra de heróis”, concluiu, mencionando vários nomes ao longo da história, como Lincoln, Teddy Roosevelt, Frederick Douglass (que teria odiado o presidente) o general Pershing (que interveio no México), entre outros, recordando dos primeiros  peregrinos anglos até os “patriotas texanos que fizeram sua última batalha no Álamo”.  

Trump rendeu seu informe ante uma sessão conjunta da câmara baixa e do Senado, com a maioria desse público a favor de seu impeachment e destituição. Pelo menos nove legisladores decidiram boicotar a sessão em protesto, incluindo a deputada Alexandra Ocasio-Cortez que informou que “não usarei minha presença em uma cerimônia de estado para normalizar a conduta ilegal e a subversão da Constituição por Trump”. 

Al final mientras se retiraba Trump, la presidenta de la cámara Nancy Pelosi, la demócrata más poderosa en el gobierno, despedazó su copia del discurso presidencial en el podio ante las cámaras de televisión. Cuando le preguntaron el por qué poco después, respondió: “fue lo cosa más cortés que hacer dada la alternativa”.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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