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Ucrânia pode perder décadas de agricultura se usar armas com urânio empobrecido, diz Rússia

Ao explodir, projéteis produzem partículas que podem contaminar grandes extensões de cultivo, afirma o general russo Igor Kirilov
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

A Rússia não duvidaria em usar todo o seu arsenal, incluído o armamento nuclear, se a Ucrânia tratasse de recuperar a Criméia mediante uma operação militar, advertiu nesta sexta-feira o vice-presidente do conselho de segurança nacional, Dimitri Medvediev, em declarações a meios de comunicação locais. 

Qualquer tentativa de tirar da Federação Russa a península da Criméia “evidentemente daria fundamento legal para utilizar todos os nossos recursos de defesa, em particular, os estipulados na doutrina de dissuasão nuclear quando a própria existência do Estado se encontra em perigo por uma agressão armada”, indicou o também ex-presidente e ex-primeiro ministro da Rússia.

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“Seria um motivo para usar armas de todo tipo. Absolutamente de todo tipo, e espero que do outro lado do oceano sejam conscientes disso”, agregou Medvediev.

Da mesma forma, a Rússia fez notar nesta sexta-feira que o uso de projéteis com urânio empobrecido, que a Grã Bretanha planeja fornecer ao exército ucraniano, vai proporcionar um impacto negativo nas exportações de produtos agropecuários da Ucrânia. 

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O general Igor Kirilov, chefe das forças de defesa radiológica, química e biológica do exército russo reuniu a imprensa para refutar a tese britânica de que o urânio empobrecido é inofensivo para as pessoas ao ser um componente estândar desse tipo de projéteis, que são muito efetivos para perfurar a blindagem dos tanques. 

Ao explodir, projéteis produzem partículas que podem contaminar grandes extensões de cultivo, afirma o general russo Igor Kirilov

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Rússia: Material pode provocar patologias graves caso partículas radioativas em forma de pó entrem no organismo

“Ademais de infectar sua própria população (esses projéteis) causarão um enorme dano econômico ao complexo agroindustrial ucraniano, sobretudo à produção agrícola e pecuária, afetando qualquer exportação de produtos agrícolas a partir do território da Ucrânia durante muitas décadas, ou inclusive séculos”, afirmou. 

Segundo Kirilov, ao explodir, esses projéteis produzem partículas de óxido de urânio que podem contaminar grandes extensões de cultivos, espalhadas as substâncias radioativas pelos veículos até lugares longínquos, fora da zona de combate.

“Ao permanecer no solo, os compostos de urânio entranham um risco a longo prazo para as pessoas, para os animais e para os cultivos agrícolas”, precisou o general russo, convencido de que os projéteis com urânio empobrecido poderiam provocar patologias graves no caso das partículas radioativas, suspensas no meio ambiente em forma de pó, entrarem no organismo humano.

Enquanto isso, de acordo com as informações que chegam da linha de frente, os combates mais árduos, que causam todos os dias numerosas baixas de ambas as partes, se concentram em duas localidades da região de Donetsk:

Em Bakhmut, que continua sendo defendida com êxito, como seus arredores, pelo exército ucraniano com milhares de reforços transferidos para aí que, pese aos constantes bombardeios, tornam possível que a cidade não fique sitiada por completo, protegendo com tudo o acesso à estrada que permite os fornecimentos logísticos.

Após ocupar uma parte da cidade, assaltada durante meses, parecem haver-se estancados os avanços que haviam logrado as forças russas, sobretudo o grupo de mercenários Wagner, após conquistar rua por rua com um alto custo em vidas dos dois lados. 

E em Avdiivka, 70 quilômetros ao sul de Bakhmut, onde se intensificaram os combates na última semana e as forças russas tratam de rodeá-la desde o norte e o sul.

A situação aí, segundo Vitaly Barabash, chefe da administração militar desta cidade, é “dura, muito dura” e os russo lograram um “certo êxito”, mas – esclareceu o funcionário leal a Kiev – se encontram em uma zona ao alcance do fogo ucraniano, uma vez que suas tropas controlam as alturas dominantes. 

Por outro lado, chegam notícias de que as tropas ucranianas estão se ativando na região de Zaporiyia e se fala de traslado considerável de militares para a vizinha região de Jersón. De um tempo para cá, a partir de informações interessadas que se difundem tanto na imprensa ucraniana como nas redes sociais, se assinala Zaporiyia como o cenário mais provável para a ofensiva ucraniana de primavera, que teria como objetivo cortar o corredor terrestre que une a península da Criméia com o território russo de Krasnodar.

No entanto, tampouco se exclui que essas notícias sejam um estratagema para debilitar os ataques russos em Bakhmut e Avdiivka devido a que o exército russo também teve que mover soldados para reforçar suas posições em Zaporiyia e Jersón.

Juan Pablo Duch | Correspondente do La Jornada em Moscou.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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