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Um ano de eleições em países-chave para a estabilidade do continente africano

Vários países africanos celebram eleições em 2019, incluídos os considerados “chaves” para manter a estabilidade regional e a paz
Laura Bécquer Paseiro
Prensa Latina
Havana

Tradução:

Vários países africanos celebram eleições em 2019, incluídos os considerados “chaves” para manter a estabilidade regional e a paz.

Nigéria, o país mais povoado do continente e uma das potências econômicas, inaugurou o calendário eleitoral regional em 24 de fevereiro com eleições não isentas de polêmica.

O presidente Muhammadu Buhari ganhou um segundo mandato depois de obter 15 milhões 191 mil e 847 votos, segundo as autoridades eleitorais.

Buhari, do governante Congresso de Todos os Progressistas, obteve o apoio em 19 dos 36 estados e derrotou outros 72 candidatos, inclusive o seu mais próximo rival, o ex-vice-presidente Atiku Abubakar do Partido Popular Democrático.

Mas a votação foi limitada a apenas cinco horas após a abertura dos colégios na data pactuada inicialmente de 16 de fevereiro.

Embora a comissão tenha alegado ‘razões de logística’, os próprios contendentes qualificaram a decisão de 'decepcionante' e com intenção de 'destruir a alma da Nigéria'.

O processo foi batizado também com enfrentamentos entre o grupo armado Boko Haram e o Exército, denúncia de faltas de cédulas em alguns distritos na área de Okrika, estado de Rivers e violência eleitoral em Lagos.

Outra das potências, África do Sul, se prepara para ir às urnas em maio próximo e os analistas já falam de uma ‘prova de fogo’ para o Congresso Nacional Africano, partido do líder histórico Nelson Mandela.

Após a saída de Jacob Zuma por denúncias de corrupção, a subida de seu vice-presidente Cyril Ramaphosa permitiu recuperar um pouco a credibilidade que se acreditava perdida, embora para entendidos não seja suficiente como para um papel de possível ganhador.

Por agora, a Comissão Eleitoral da África do Sul considerou um recorde a inscrição de 48 partidos políticos para as eleições gerais do próximo 8 de maio, 19 a mais que nas eleições de 2014.

O diretor da entidade, Sy Mamabolo, disse à African News Agency que a lista contém 26 milhões 756 mil 898 votantes, dos quais 55 por cento são mulheres e 45 por cento, homens. 

Isso representa 74,6 por cento da população total em idade de votar, comentou a autoridade eleitoral. 

A campanha eleitoral começou em janeiro com a intenção de atrair a participação dos jovens, que são 50% da população. 

Apesar dos menores de 30 anos constituírem a metade dos habitantes dessa nação da África Austral, são o setor populacional com menor representação nos registros de votação. 

Nas eleições de maio serão eleitas a nova Assembleia Nacional da África do Sul – encarregada depois de proclamar oficialmente o presidente da República -, e as legislaturas provinciais. 

Estas são as sextas eleições realizadas desde o fim do apartheid em 1994 e as segundas após a morte do líder sul-africano Nelson Mandela.

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No Senegal, o presidente Macky Sall busca segundo mandato

Argélia e o caso Bouteflika

Outro país incluído no cronograma eleitoral africano é a Argélia, mas o panorama aqui ainda é indefinido.

Intensos, massivos e pacíficos protestos contra um quinto mandato consecutivo do presidente Abdelaziz Bouteflika, obrigaram o mandatário a adiar sem data ainda as eleições programadas para 18 de abril e a decantar-se da carreira presidencial.

Um panorama complexo, marcado pela caída do ingresso ante a queda dos preços do petróleo e outros fenômenos como o da corrupção, sacudiu a rua onde milhares de pessoas por cinco semanas consecutivas demandam mudanças na ordem sócio-política. 

A convocatória de Bouteflika a uma Conferência Nacional inclusiva e independente, que elaborará uma Constituição para levar a referendo, a formação de um governo de unidade e de mudanças com vistas ao ressurgimento de um novo Estado, não tiveram os efeitos desejados. 

O adiamento dos sufrágios se converteu agora na principal crítica dos manifestantes, jovens em seus maioria, ao considerar que é uma manobra para dar tempo ao político de 82 anos e alongar seu quarto mandato. 

Assim, a situação se estendeu por mais de um mês desde o começo das mobilizações em 22 de fevereiro e de acordo com observadores não se vislumbra, pelo menos no momento, uma pronta saída. 

Senegal, exemplo de civismo eleitoral

Mais ao sudoeste, 'Senegal voltou a dar uma lição de maturidade democrática', lia-se nas manchetes dos principais diários do país e do mundo. 

Diferentemente de outras, nesta nação do ocidente africano de 15 milhões de habitantes, os exercícios democráticos acontecem em calma e sua história recente carece de exemplos de golpismo.

As undécimas eleições consecutivas desde sua independência foram celebradas em 24 de fevereiro passado e muitos dos observadores internacionais destacaram a ampla participação do eleitorado. 

Apesar do apelo de alguns políticos para romper as cédulas eleitorais, a população saiu quase em massa para votar, registrando uma taxa de participação de 66,23 por cento. 

O candidato respaldado pelo oficialismo, Macky Sall, obteve 58,27 por cento dos votos, deixando para trás Idrissa Seck, ex-primeiro ministro (2002-2004).

A lista de países que irão às urnas em 2019 inclui Moçambique, Namíbia, Líbia, Guiné Bissau, Benin, Malawi e Chade, entre outros, que atrairão a atenção continental pelo que se disputa nas urnas.

 

*Jornalista da redação África e Oriente Médio da Prensa Latina.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Laura Bécquer Paseiro

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