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Uma esquina sui generis em Caracas

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Cruzar a avenida Urdaneta é um desafio total.
Cruzar a avenida Urdaneta é um desafio total.

Tentar cruzar a esquina da Avenida Urdaneta com Fuerza Armada, em Caracas, pareceria coisa simples; pelo menos é essa a primeira impressão que se tem; no entanto, a realidade é bem diferente e caso não se esteja equipado com certas qualidades, pode-se perecer na tentativa

Simples assim. A anarquia do trânsito de veículos obriga a corrente de pedestres a buscar uma nesga por onde esgueirar-se para “torear” a impressionante maré de motos, autos, e microônibus que impõem sua força motorizada.

No entanto, entre os pedestres, existe um princípio solidário: “Por onde atravessa um, atravessamos todos” lembrando os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, “Todos por um e um por todos”, um lema velado que paira sobre o ambiente da popular esquina de Caracas.

De maneira que é preciso estar esperto e esperar que um intrépido quase se jogue em cima de um carro para avançar e chegar ao destino: a quadra em frente, uma meta próxima mas ao mesmo tempo um tanto difícil de alcançar.

Nervos de aço, astúcia, intrepidez, agilidade, reflexos de um felino, decisão são, entre outras qualidades, as que a gente desenvolve frente a esse fenômeno da modernidade e sobretudo desta cidade capital de um milhão, 943 mil e 901 habitantes, segundo o Censo de 2011.

A outra face da moeda 

Mas nem tudo é assim tão “rápido” na esquina da Avenida Urdaneta com Fuerza Armada. À anarquia dos veículos se impõe uma grande diversidade de pequenos comércios e de vendedores ambulantes que dão à esquina uma personalidade própria e espetacular.

Dotada de uma vida comercial intensa, a gente encontra ali qualquer coisa que tente comprar. Se desejar um elefante amarelo com estrelas verdes, camisetas para homem, meias de mulher, cintos, bolsas para meninas, degustar uma comida rápida ou simplesmente recrear a vista, o lugar é ideal.

Vendedores que mostram seus produtos na calçada (camelôs), postos de frutas, vegetais, sucos, comidas rápidas na hora; padarias-confeitarias, quinquilharias asiáticas e vendedores de balas e de outras coisas formam uma paisagem de alta demanda pela população do lugar e dos bairros adjacentes.

No entanto, o que mais chama a atenção é que, debaixo da ponte que atravessa a esquina há uma infinidade de opções para encontrar um bom livro de qualquer ramo do saber e da boa literatura.

E nesse ambiente ruidoso estonteante e concebido para os mais audazes, os vendedores de livros da esquina da Avenida Urdaneta com Fuerza Armada colocam o pare obrigatório, para enriquecer o acervo cultural.

Podem me dizer, a mim que percorri seus quiosques um por um e agora faço as contas para voltar para casa com vários clássicos que ainda faltam em minha biblioteca. A opção é apetitosa.

*Correspondente de Prensa Latina em Caracas – Original da revista Orbe


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

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