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Uruguaias ao poder?

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Jorge Luna *

Partido Uruguaio das Mujeres (PUM)1A anunciada presença do primeiro Partido Uruguaio das Mujeres (PUM) nas eleições gerais do próximo ano pegou de surpresa os grupos tradicionais e os grandes agrupamentos políticos do país.

Criado em 31 de março, deve recolher pelo menos 1.882 (mil oitocentas e oitenta e duas) assinaturas para obter o registro oficial ante a Corte Eleitoral (0,05 por cento das pessoas habilitadas a votar na eleição de 2009: 2.563.397 (dois milhões, quinhentos e sessenta e três mil, trezentas e noventa e sete) pessoas.

As promotoras do PUM estão se dedicando ativamente a essa tarefa através das redes sociais sob o tema “feminilidade, feminilidade, feminilidade”.

O PUM, curiosamente dirigido por um homem, Sergio Arias Moreira, autor do livro de auto-ajuda “Corazón de Fuego“, assegura que não é feminista, mas que a participação no agrupamento “rege-se pelo princípio da paridade: 50/50”.

“Em todas as listas eleitorais será utilizado exclusivamente o mecanismo de alternância por sexo (mulher-homem ou homem-mulher), de tal maneira que duas pessoas do mesmo sexo não possam estar de forma consecutiva na lista” assinala.

As organizadoras promovem a tolerância e a não violência, o respeito à democracia, a luta contra a corrupção, o desenvolvimento da ciência e a proteção dos recursos naturais, entre outros postulados.

O nascimento do PUM, em realidade, não deveria surpreender as forças políticas do país, posto que – embora o Uruguai conte com uma legislação avançada sobre a proteção da mulher – são pouquíssimas as que ocupam posições de poder.

O país esteve entre os pioneiros quanto à lei de divórcio unilateral e ao direito ao voto, por exemplo, mas foi só em 1968 que uma uruguaia chegou a ocupar um ministério e apenas por um mês.

Indicadores internacionais assinalam que, em média, as mulheres ocupam 18 por cento das cadeiras do parlamento, cifra que no Uruguai chega apenas a 14 por cento.

No atual Senado uruguaio, de 31 membros, há somente duas mulheres, ambas da governamental Frente Ampla (FA). Na Câmara de Deputados, de 99 integrantes, há 13 mulheres (oito da FA, três do oposicionista Partido Colorado e duas do Partido Nacional, também de oposição).

Beatriz Ramírez, diretora do Instituto Nacional de las Mujeres (Inmujeres), tem reconhecido em diversos fóruns os avanços das mulheres na sociedade, graças a políticas públicas inclusivas, mas insiste em que ainda há muito por fazer.

Estudos desse instituto, vinculado ao Ministério de Desenvolvimento Social, indicam que “em todos os âmbitos políticos analisados, a brecha de gênero na distribuição do poder é a que se mantém mais ampla”. Nesses setores, asseguram, as mulheres são um grupo minoritário, numérica e conceitualmente.

O informe intitulado “Em busca do pleno exercício da cidadania: o lugar das mulheres uruguaias na tomada de decisões” assinala que em toda a história do Poder Executivo houve apenas 11 ministras, em um total de 284 cargos.

Com relação ao Poder Legislativo, como mencionado acima, afirma que a porcentagem de participação feminina está abaixo da média dos parlamentos da região.

Em sentido contrario, o estudo revela que no Poder Judicial as mulheres ocupam 63 por cento dos cargos, embora considere que é muito baixa a participação na Suprema Corte de Justiça, sua máxima instância.

Entre os dirigentes dos governos departamentais (provinciais) e municipais, calcula uma participação feminina de 18 por cento. Em outros âmbitos estatais, empresariais e sindicais, o número é ainda menor: sete por cento.

Apesar de tudo, o projetado PUM animou-se bastante durante quatro dias de maio quando a senadora, e primeira dama, Lucía Topolansky assumiu a presidência do Uruguai em virtude de viagens ao exterior do mandatário José Mujica e do vice-presidente Danilo Astori.

*Prensa Latina, de Montevidéu para Diálogos do Sul.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

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