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USP colaborou com ditadura militar para assassinato e tortura, diz estudo

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Relatório final da Comissão da Verdade da USP comprova graves violações aos direitos de docentes, funcionários e alunos.

Jornal da USP*

Miguel Reale e Waldyr Muniz Oliva, reitores da USP na época, colaboraram com o Dops e SNI | Foto: USP Imagens

O período da história da USP que vai de 1964 a 1985 é marcado por graves violações de direitos humanos, que atingiram duramente docentes, funcionários e alunos. Esta é a conclusão do relatório da Comissão da Verdade da USP, entregue no final de março ao reitor Vahan Agopyan. Composto de dez volumes, o material traz relatos e documentos que tentam esclarecer os fatos ocorridos na época.

O destaque fica por conta do papel desempenhado pela Assessoria Especial de Segurança e Informação (Aesi), órgão criado durante a gestão do reitor Miguel Reale, que tinha como finalidade “realizar triagem ideológica de alunos, professores e funcionários”. Neste contexto, a Aesi produziu inúmeros informes, que eram compartilhados com as Forças Armadas, com o Serviço Nacional de Informação (SNI), com o Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops) e com as polícias. “Em muitos casos, a vigilância resultou em prisão, morte, desaparecimento, privação de trabalho, proibição de matrícula e interrupção de pesquisa acadêmica na instituição”, afirma o documento.

A partir dos levantamentos feitos pela Comissão Nacional da Verdade, o relatório traz ainda a relação dos mortos e desaparecidos políticos que tinham relação com a USP: 47 pessoas. Entre eles está a professora Ana Rosa Kucinski. “Mereceu destaque o caso da professora Ana Rosa Kucinski em razão da decisão tomada pela Universidade, de demissão por abandono de cargo, por ocasião de seu desaparecimento. A reparação foi solicitada pela Comissão da Verdade, em 2014. Após diligências, o Instituto de Química dispôs-se, por unanimidade de votos dos membros da Congregação, a anular o ato anterior e pedir desculpas formais à família da professora”, afirmam os membros da Comissão da Verdade da USP na apresentação do relatório.

Os casos ocorridos na Faculdade de Medicina, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, na Faculdade de Direito, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e na Escola de Comunicações e Artes mereceram volumes específicos, dada a gravidade dos fatos. Depoimentos de ex-alunos também foram publicados em um volume especial, registrando as torturas sofridas por estudantes presos, as inquietações políticas presentes e as razões que levaram os militantes políticos a deixar o movimento estudantil para atuar no movimento operário.

A Comissão da Verdade da USP foi criada pela portaria GR 6172, de 2013, presidida desde 2014 pela professora Janice Theodoro da Silva, e composta por mais seis docentes: Dalmo de Abreu Dallari (FD), Erney Plessmann de Camargo (ICB), Eunice Ribeiro Durham (FFLCH – que pediu desligamento por motivos pessoais), Maria Hermínia Brandão Tavares de Almeida (IRI), Silvio Roberto Salinas (IF) e Walter Colli (IQ).

A íntegra do relatório e dos documentos coletados pela comissão está disponível aqui


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
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