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Vai-se o bom Obama, negro por gosto

Ilka Oliva Corado

Tradução:

Muitos acreditaram que por ser negro, Obama representaria uma mudança transcendente na política interna e externa dos Estados Unidos, mas o bom samaritano foi negro à toa. Um negro afim ao sistema e tão Ku Klux Klan como a própria Hillary Clinton e Trump.

Ilka Oliva Corado*
Obama por máximoNão há ponto de comparação nem como ser humano, nem como político entre ele e Martin Luther King ou o próprio Malcolm X; no entanto, o bom Obama como bom oportunista os utiliza em seus discursos, com também utilizou o 50º aniversário das marchas em Selma, Alabama, para tirar uma foto e fingir uma memória histórica que não tem, porque na sua cara os policiais brancos assassinam negros, como quem mata cachorros de rua. O bom Obama dispôs-se a construir um monumento a Martin Luther King para honrá-lo, mas a cada dia como presidente toma decisões que o envergonhariam.
Um intervencionista, invasor, genocida, um Nobel da Paz desperdiçado. Um mentiroso que ofereceu uma Reforma Migratória integral e que utilizou como slogan de campanha uma frase de Dolores Huerta, para ganhar o voto latino (“Yes, we can”) e em resposta ao apoio foi o presidente que mais deportou indocumentados na história dos Estados Unidos; coisa que não fizeram nem os republicanos. E não só isso: também sem alarde militarizou a fronteira sul dos Estados Unidos até Honduras, com o plano Fronteira Sul e Maya-Chortí. Deu continuidade ao Plano Mérida, implementou o Plano aliança para a Prosperidade. Também manteve vigente o Plano Colômbia. No entanto, vai embora sem ter implementado a Alca na América do Sul.
¿Motivo? Refrescar o Plano Condor na região. O bom Obama com sua máquina destrutiva e através das embaixadas dos Estados Unidos na América Latina manteve vigente a ingerência e o saque em países com governos de tipo neoliberal. O bom vizinho do norte do continente deu o golpe em Zelaya, em Honduras, em Lugo no Paraguai e em Dilma no Brasil. Tentou inúmeras vezes o mesmo procedimento na Argentina com Cristina, no Equador com Correa, na Bolívia com Evo e na Venezuela com Maduro. Teve o descaramento de firmar um Decreto contra a Venezuela que convida a uma invasão militar.
Encheu de bases militares estadunidenses México, Guatemala, El Salvador, Honduras, Panamá, Colômbia, Peru e Paraguai e agora mesmo o está fazendo na Argentina com o governo de Macri. Com Cuba teve uma aproximação que lhe serviu para a foto (como ter ido à homenagem a Mandela no dia da sua morte) porque em nenhum momento teve a intenção de eliminar o bloqueio nem devolver Guantánamo, ações vitais como um início de relações entre ambos os países.
O bom Obama vai embora com invasões e bombardeios no Iraque, Iêmen, Afeganistão, Paquistão, Somália, Síria e Líbia. Nos tempos de Bush nos fizeram memorizar o nome de Al Qaeda e nos venderam a necessidade de salvar aqueles países do terrorismo. No tempo de Obama nos falaram de um Estado Islâmico. Se Hillary Clinton tivesse ganhado a presidência, nos diriam em seguida que há terroristas na Venezuela e que há que invadir, para salvar o povo venezuelano das garras do ditador Maduro. Claro que é preciso esperar para ver com o que vem Trump.
Obama leva as mãos manchadas de sangue pela quantidade de vidas truncadas em sua sede de invasão, de ouro e de petróleo. Não há que esquecer que o mesmo que Bush fez a Saddam Hussein, Obama fez a Kadafi.
Obama só tem a excelência em oratória, faltaram-lhe coragem e humanidade para defender o legado das Panteras Negras, de Martin Luther King, Rosa Parks e Malcolm X. Faltou-lhe memória dos tantos negros assassinados nos Estados Unidos em crime de ódio. Faltou ao seu sangue, a sua comunidade, a sua herança e a seus ancestrais. É, em sua totalidade, um negro por gosto. Um negro janota, que preferiu o caminho dos ingratos. E como ingrato não merece a imortalidade.
*Colaboradora de Diálogos do Sul, do território dos Estados Unidos


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Ilka Oliva Corado Nasceu em Comapa, Jutiapa, Guatemala. É imigrante indocumentada em Chicago com mestrado em discriminação e racismo, é escritora e poetisa

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