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Vamos aos fatos?

Revista Diálogos do Sul

Tradução:

Audálio Dantas*

Audálio DantasDifícil acreditar que os que anunciam as manifestações de amanhã são de fato contra a corrupção.

Os que vão marchar podem acreditar, por pura desinformação ou por má fé.

PiG-Partido-da-imprensa-GolpistaA tentativa de anulação das eleições de outubro, das quais Aécio Neves saiu derrotado, vem montada, principalmente, na onda da Operação Lava a Jato, que apura as falcatruas cometidas na Petrobras.

Bem-vinda esta como qualquer outra operação destinada a apurar e punir corruptos.

Mas não é exatamente isso que parecem querer os promotores de marchas, entre os quais estão, empenhadíssimos, os senhores da mídia, com o apoio entusiástico da Polícia Militar de São Paulo.

Estranhamente, eles dizem estar “contra tudo que está aí”, mas não piam sobre escândalos muito maiores, pelos quais o governo pode ser responsabilizado apenas pelo fato de que faz vista grosa e ouvidos de mercador diante deles.

O povo que, com a liberdade garantida pela democracia vai às ruas pedir e destituição da presidente da República, não é devidamente informado sobre escândalos como o das fraudes contra Receita ou o dos depósitos em contas na Suiça, feitos com o objetivo de lesar o Fisco.

Grandes empresas, à frente os bancos que ostentam lucros astronômicos revelados com notável exibicionismo em balanços trimestrais publicados em jornais e revistas, corrompem funcionários ladrões para se livrarem de multas milionárias.

Diante do valor calculado nessas operações, cerca de 19 BILHÕES DE REAIS, o que eles pagam de propina é altamente compensado pelos juros escandalosos que cobram, valores inimagináveis pelos mais cruéis dos agiotas.

Enquanto isso, um dos bancos que desfrutam desse festim, o HSBC cuja filial suíça opera as contas até hoje não inteiramente reveladas de depositantes brasileiros, continua de portas escancaradas por aqui. E nenhum de seus correntistas, que se saiba, protestou às portas de suas agências. Ou, pelo menos, fechou a sua conta.

As razões de não haver protestos programados contra esses escândalos são simples. A principal delas é a sonegação de informações. Não se veem nas manchetes do dia, ou nos enunciados dos jornais da TV, retratos dos responsáveis. Nem os nomes dos que de fato mandam nessas instituições de rapina.

Por tudo isso é estranho que milhares de pessoas sejam levadas a marchar contra o corrupção e por um golpe que poderá resultar, no mínimo, em proibição de manifestações públicas.

Como aconteceu durante os anos de violência da ditadura civil-militar, que prendeu, torturou e matou milhares de brasileiros que ousaram se manifestar pela liberdade.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Revista Diálogos do Sul

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