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Venezuela: Classe trabalhadora comemora 1º de maio em meio à recuperação econômica

Marcha revelou atmosfera de alegria e esperança em razão da superação da profunda crise provocada, a partir de 2015, pelas sanções dos EUA e UE
Bruno Falci
Diálogos do Sul
Caracas

Tradução:

Na Venezuela, desde a chegada do presidente Hugo Chávez ao poder e do processo de transformação radical do país, denominado de Revolução Bolivariana, o povo sai às ruas de Caracas no 1º de Maio, todos os anos, para marchar e celebrar os alcances em benefício da classe trabalhadora. 

Esses avanços foram obtidos através da Lei Orgânica do Trabalho, dos Trabalhadores e das Trabalhadoras (LOTTT), instrumento legal criado por Chávez em 2012, visando amparar as classes populares e suas famílias. 

Através da LOTTT, o povo venezuelano conseguiu alcançar determinadas medidas de justiça social como, por exemplo, o período natal e pós-natal para as mulheres, redução da jornada de trabalho para 40 horas, direito a dois dias contínuos de descanso, inclusão profissional de pessoas com deficiências, entre outras iniciativas.

Marcha revelou atmosfera de alegria e esperança em razão da superação da profunda crise provocada, a partir de 2015, pelas sanções dos EUA e UE

O Cafezinho
Trabalhadores saem às ruas em defesa da revolução bolivariana

No primeiro de maio deste ano, organizações sindicais, movimentos sociais, forças revolucionárias e o Partido Socialista Unido de Venezuela (Psuv) marcharam a partir de diferentes pontos de Caracas. A caminhada por vários quilômetros, em um dia de céu azul e muito calor, começou na Praça Venezuela e terminou diante do Palácio Miraflores, sede do governo, onde o presidente Nícolas Maduro fez seu pronunciamento, em um palanque, ao lado da vice-presidente Delcy Rodriguez, de ministros, militares e representantes populares.

Havia uma atmosfera verdadeiramente festiva e de otimismo, com a presença de participantes e seus familiares, incluindo crianças, e de músicas e ritmos caribenhos. O desfile foi organizado por categorias de trabalhadores como, por exemplo, os setores petroleiros, dos transportes, da saúde e da educação.

No twitter, o Psuv destacou que o povo saiu as ruas “para recordar os heróis e heroínas que lutaram, lutam e seguirão lutando para alavancar a produção nacional, em meio das sanções, do bloqueio, da pandemia e das conspirações contra a Pátria”. Na chegada ao Palácio Miraflores, podia-se ver centenas de milhares de pessoas representando distintos sindicatos, agremiações, funcionários públicos e trabalhadores em geral desfilando com bandeiras, faixas e palavras de ordem em defesa da Revolução. 

Foi uma marcha que revelou uma atmosfera de alegria e esperança em relação à superação da profunda crise provocada, a partir de 2015, pelas inúmeras sanções unilaterais e ilegais, segundo o Direito Internacional, que foram impostas pelos Estados Unidos e a União Europeia. A Venezuela vem superando a sua crise e, aos poucos, consegue reerguer a sua economia, após as sanções econômicas que destruíram todo o setor produtivo do país e a jogaram numa hiperinflação incontrolável.

De acordo com o Observatório Venezuelano de Finanças (OVF), órgão controlado pela oposição, o PIB do país cresceu 6,8% no ano passado. Este ano, a projeção do Banco Credit Suisse é de um crescimento de 20%, considerando também, para 2023, um crescimento de 8%. Torna-se importante ressaltar que, de 2015 a 2020, a Venezuela perdeu quase 80% de seu PIB.

Outra grave crise causada pelas sanções, que tem como principal objetivo o sufocamento econômico do povo venezuelano, foi o processo hiper inflacionário iniciado em 2017 e contornado recentemente com a reforma monetária, fazendo com que a inflação fosse controlada. Como exemplo, o índice nacional dos preços ao consumidor da Venezuela foi de 1,4%. Esta marca destoa de países vizinhos, como a Argentina e o Brasil, que tiveram a maior inflação das últimas décadas. Enquanto isso, foi registrada nos Estados Unidos uma inflação de 1,2%.

A Venezuela vive finalmente um momento de estabilidade dos preços.

A questão monetária também vive tempos mais tranquilos, com a moeda norte-americana cotada atualmente a 4,49 bolívares venezuelanos.

No mês de março, o governo do presidente Nicolas Maduro anunciou um aumento salarial mínimo e de aposentados em 1.200%, buscando assim repor as perdas salariais provocadas pela hiperinflação e pela guerra econômica. Apesar de todas essas medidas, o caminho para a recuperação econômica é amplo e difícil, pois ainda não foram recuperados os níveis salariais anteriores à hiperinflação. Conforme o pronunciamento de Maduro, a estabilização econômica e salarial mostra que a Venezuela está se recuperando hoje graças aos esforços da classe trabalhadora do país.

Diante de centenas de milhares de trabalhadores, Maduro anunciou um bônus compensatório para os aposentados de 2.227 dólares, o equivalente a 10 mil bolívares para reparar as perdas dos aposentados durante a grave crise econômica que passou o país. Anunciou também a ideia de um fundo especial para trabalhadores que desejam financiar uma cooperativa, “um fundo financeiro nacional que funcione sob a direção da classe trabalhadora, que terá como aporte inicial 100 milhões de bolívares (22,2 milhões de dólares) para financiar projetos de trabalhadores”.

Por fim, aprovou a criação do Banco dos Trabalhadores Digitais “para depositar os benefícios em petros, uma criptomoeda idealizada pelo governo venezuelano, que vamos criar para a recuperação da qualidade de vida e da renda dos trabalhadores venezuelanos”.

O clima festivo dos manifestantes, que começara nas primeiras horas da manhã, ainda estava longe de terminar por volta das 16 horas.

Neste fio do Twitter, há fotos e vídeos.



As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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