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Venezuela: médicos cubanos trabalham na fronteira com Brasil para conter pandemia

Grupo multidisciplinar de técnicos trabalha no sudeste do estado Bolívar para estabelecer uma linha de contenção de cidadãos venezuelanos vindos do Brasil
Dailyn Ruano Martínez
Prensa Latina
Caracas

Tradução:

O contingente Ernesto Guevara, formado por um grupo multidisciplinar de técnicos cubanos, trabalha no sudeste do estado Bolívar para estabelecer uma linha de contenção contra a pandemia de Covid-19, ante a grande afluência de cidadãos venezuelanos vindos do Brasil.

Da cidade de Santa Elena de Uairén, a poucos quilômetros da fronteira brasileira, a equipe de 21 membros, entre médicos intensivistas, enfermeiras, pessoal de laboratório clínico, raios x e eletromedicina, cumprem a missão de reforçar a blindagem sanitária.

O chefe da missão médica cubana no estado mais extenso da Venezuela, Yainer Peláez, informou a Prensa Latina que a criação do contingente responde a uma solicitação do Governo, preocupado com o estrito cumprimento do protocolo sanitário ante a chegada dos compatriotas.

Grupo multidisciplinar de técnicos  trabalha no sudeste do estado Bolívar para estabelecer uma linha de contenção de cidadãos venezuelanos vindos do Brasil

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Médicos trabalham na fronteira ante a grande afluência de cidadãos venezuelanos vindos do Brasil.

Todos estamos conscientes da magnitude dessa tarefa encomendada pelo governador Justo Noguera Pietri, dados os focos de contágio existentes no Brasil e na proximidade de cidades como Pacaraima e Boa Vista, manifestou-se o especialista em Medicina Geral Integral.

O doutor Peláez, e outros dois integrantes do contingente Ernesto Guevara, formam parte também da brigada Henry Reeve, especializada em dar atenção médica em situação de desastres e graves epidemias.

Também colaboradores da missão médica cubana com vários anos de experiência se encontram empenhados na frente fronteiriça: “70% são jovens, com um alto nível de conhecimentos e grande compromisso político”, garantiu.

“Diretamente na linha limítrofe e nos lugares dispostos para a quarentena, recepcionamos e classificamos todos os que chegam por esta via de acesso; lhes aplicamos os testes rápidos de diagnóstico, assim como o tratamento e acompanhamento evolutivo dos casos suspeitos e positivos”, destacou o médico.

De acordo com os procedimentos do plano de prevenção e contenção do coronavírus SARS-CoV-2, desenvolvido pelo Governo bolivariano, os cidadãos que se mostrem negativos para a enfermidade devem cumprir da mesma forma uma quarentena durante 14 dias com controle médico e aplicação de teste rápido no final deste período.

Com um grande espírito de responsabilidade e entrega à profissão, o pessoal de saúde do contingente Ernesto Guevara dignifica o trabalho dos integrantes da missão Bairro Adentro, que cumprem tarefas semelhantes em outros estados fronteiriços, como Táchira, Apure, Zulia e Amazonas.

Volta segura para casa 

Milhares de migrantes venezuelanos carentes de sustento econômico devido ao desemprego em nações de acolhida, como Colômbia, Equador, Peru ou Brasil, solicitaram o regresso à nação sul americana durante a crise sanitária da pandemia da Covid-19.

Imediatamente, o Executivo bolivariano coordenou com as autoridades dos estados fronteiriços as medidas necessárias para receber os repatriados, de acordo com os protocolos sanitários estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Até hoje, segundo cifras oficiais, a Venezuela recebeu cerca de 30 mil venezuelanos procedentes de outros países sul americanos, principalmente da Colômbia.

Equipes multidisciplinares os recebem nos Pontos de Atenção Social distribuídos pelas diferentes vias de acesso ao país, a partir dos quais se fortalece a vigilância epidemiológica e de laboratório, mediante um estrito controle sanitário.

Pessoal médico, junto a agentes sociais e de segurança velam pela implementação das medidas de isolamento durante um período de 14 dias durante os quais são mantidos sob vigilância clínico-epidemiológica, tanto dos casos suspeitos como dos confirmados de Covid-19.

Para o cumprimento da quarentena preventiva e observação médica dos repatriados, Venezuela ativou espaços de estadia temporária denominados Pontos de Atenção Social Integral onde se dá, além da vigilância da equipe epidemiológica, serviços de alimentação, orientação e assistência psicológica.

As medidas implementadas nos estados fronteiriços durante o enfrentamento ao coronavírus SARS-Cov-2 permitiram “a volta segura dos venezuelanos a suas casas, vítimas de maus tratos e da xenofobia nos países da América do Sul”, afirmou a vice presidenta, Delcy Rodríguez.

“Aqui lhes damos atenção gratuita como parte da política de inclusão social da Revolução bolivariana, com os protocolos ativados para detectar precocemente os casos, isolá-los e atendê-los evitando assim as cadeias de contágio na população”, acrescentou.

O governo venezuelano favorece ainda o regresso de compatriotas mediante a reativação de pontes aéreas de caráter humanitário, para o que as autoridades dispuseram 24 aviões da aerolínea Conviasa.

*Correspondente de Prensa Latina na Venezuela.

Tradução de Ana Corbisier


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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Dailyn Ruano Martínez

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