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Violações aos Direitos Humanos, tiroteios, poluição: vai viajar aos EUA? Leia este alerta

Água potável de quase metade das torneiras no país contém “químicos para sempre” que podem causar câncer e outros problemas de saúde
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

A cascata incessante de notícias da semana passada confirma a necessidade de emitir advertências a viajantes ao autoproclamado “líder” do mundo. 

O 4 de julho, Dia da Independência, esteve marcado não só com fogos artificiais, mas fogo de balas, com estadunidenses matando-se entre si em algumas das “celebrações” tradicionais, a tal nível que o próprio presidente teve que emitir uma mensagem, embora oca de ação, diante do fenômeno. 

Com forte apoio dos estadunidenses, EUA preparam sua próxima guerra. O alvo? México

Pouco depois informou-se que de 3 a 5 de julho foram provavelmente os dias mais quentes jamais registrados na história moderna do planeta. Embora alguns políticos continuem insistindo sobre a urgência de ações decisivas para salvar o planeta, sobretudo freando o uso de combustíveis fósseis, a classe política estadunidense não está respondendo e recusa aceitar a responsabilidade de que seu país é o maior contribuinte histórico à crise ambiental

O responsável por matar 23 pessoas em um tiroteio massivo em El Paso há quase quatro anos, para frear o que chamou de “invasão hispana”, recebeu uma sentença de 90 prisões perpétuas na sexta-feira (7).

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Embora o caso tenha sido diretamente relacionado à retórica anti-imigrantes e de ódio racial nutrida por políticos direitistas, incluindo Trump, estes só redobraram seus ataques verbais. 

Água potável de quase metade das torneiras no país contém “químicos para sempre” que podem causar câncer e outros problemas de saúde

Foto: Joey Csunyo/Unsplash
Os Estados Unidos insistem que são líderes em abordar os temas globais como a mudança climática, as guerras e os direitos humanos

Ucrânia

Falando de ataques mortais, o presidente Biden autorizou o envio de munições de racimo à Ucrânia. Essas munições estão proibidas por mais de 100 nações porque lançam numerosas pequenas bombinhas sobre uma área ampla, como do tamanho de um campo de futebol, e as que não estalam de imediato podem explodir em qualquer momento meses ou anos depois.

Por que armas de fragmentação enviadas pelos EUA à Ucrânia são proibidas por 123 países?

Agrupamentos de direitos humanos, afirmando que estas munições estarão matando e ferindo civis, em particular crianças, pelos próximos anos, acusaram que Washington não pode se apresentar como um líder de direitos humanos e ao mesmo tempo oferecer estas armas.

Direitos humanos

Falando de violações a direitos humanos, o governo de Biden surpreendeu a muitos quando anunciou que nomearia a Elliott Abrams à chamada Comissão Assessora sobre Diplomacia Pública dos Estados Unidos.

Durante sua longa carreira, Abrams justificou enormes violações dos direitos humanos na América Central e em outras partes do mundo, foi acusado de mentir ao Congresso sobre algumas das manobras ilegais no escândalo Irã-Contras e, recentemente, por ações sob a administração de Trump como encarregado de promover os esforços para uma mudança de regime na Venezuela e em Cuba. Que seja nomeado por um governo que diz estar buscando restabelecer seu prestígio no âmbito internacional pois, aparentemente, aposta na amnésia.

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E se todas estas notícias dão sede, pois então, água! A água potável de quase metade das torneiras nos Estados Unidos contém “químicos para sempre” que podem causar câncer e outros problemas de saúde segundo uma nova investigação feita pelo governo federal.

Os Estados Unidos insistem que são líder em abordar os temas globais como a mudança climática, as guerras, os direitos humanos e sempre se apresentaram como terra de promessas onde os pobres do mundo poderiam vir para escapar da violência, das armas e das violações dos direitos humanos. E como país tão avançado, advertia contra viajar a várias partes do mundo por violações aos direitos humanos, violência e saúde pública.

Aviso aos navegantes

Mas hoje em dia deveria haver alertas a viajantes aos Estados Unidos aconselhando que se cuidem diante de brotes de violência armada em qualquer lugar, informando que alguns de seus políticos eleitos fomentam o ódio racista e as xenofobias, recordar-lhes que estão no país que mais contribuiu para a mudança climática, que é o maior provedor de armas ao mundo incluindo armas proibidas que costumam matar crianças, um país que ressuscitará criminosos de guerra e, sim, avisando-os para não beber a água e não respirar o ar. 

PD: Justiça para nosso companheiro do La jornada. E obrigada por tudo ao professor Gilly. 

Bônus Musical | Dolly Parton – World on Fire

David Brooks | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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