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Warren abandona primárias enquanto Biden e Sanders se preparam para próximo round

Quase sozinha, a senadora enterrou a candidatura de um dos homens mais ricos do planeta, Michael Bloomberg, a quem confrontou em um dos debates
David Brooks
La Jornada
Washington

Tradução:

A senadora Elizabeth Warren anunciou o fim da sua campanha, o que poderia consolidar o voto progressista em torno do senador Bernie Sanders em um momento crítico no qual o establishment apoia o candidato da cúpula democrata, Joe Biden.

Warren começou sua campanha no ano passado com grandes expectativas e por algum tempo parecia a favorita nas pesquisas para obter a coroa do Partido Democrata e possivelmente se converter na primeira presidenta do país. Projetou-se como uma política progressista que havia lutado contra Wall Street e os grandes monopólios e como uma lutadora contra a corrupção do sistema político. 

Portanto, compartilhou com Sanders várias propostas sobre seguro saúde universal, anulação da dívida estudantil e promover uma economia “verde”, entre outras. No entanto, diferenciou-se de seu colega no Senado quanto à forma de alcançar esses objetivos e, sobretudo, deixou claro que ela não era “socialista”, e que acreditava em um capitalismo reformado. 

De fato, talvez sua maior conquista foi anular, quase sozinha, a breve candidatura de um dos homens mais ricos do planeta, Michael Bloomberg, a quem confrontou em um dos debates entre os aspirantes democratas no mês passado, ao declarar que ele era justamente um dos ricos que têm corrompido o processo eleitoral.

Quase sozinha, a senadora enterrou a candidatura de um dos homens mais ricos do planeta, Michael Bloomberg, a quem confrontou em um dos debates

Wikimedia Commons / Gage Skidmore de Peoria, AZ, Estados Unidos da América
Warren compartilha com Sanders várias propostas sobre seguro saúde universal, anulação da dívida estudantil e promover uma economia “verde”

Apoio de Warren segue indefinido

Agora, ao abandonar o terreno deste jogo eleitoral, deixa aberta a “via esquerda” para Sanders, embora não o tenha endossado hoje, declarando que ainda não se pronunciará por nenhum dos contendores que agora competem pela candidatura democrata para enfrentar Donald Trump. Entretanto, algumas sondagens indicam que os simpatizantes de Warren poderiam dividir suas preferências entre Sanders y Biden.

Ao mesmo tempo, Warren advertiu que continuará expressando seus pontos de vista e tinha muito mais para dizer, inclusive sobre o tema de ser mulher nessa contenda. “O gênero, nesta contenda, essa é a pergunta armadilha para cada mulher. Se dizes ‘sim houve sexismo nesta contenda’, todos te chamam de queixosa. E se dizes ‘não, não houve sexismo’, incontáveis mulheres pensam: em que planeta vives?”  

Enquanto isso, continuam as expressões de alívio entre a cúpula política e econômica com a ressurreição de Biden, que continua acumulando expressões de apoio de figuras importantes do partido e comentaristas influentes nos principais meios, incluindo hoje a governadora de Michigan, estado chave no mapa eleitoral onde serão realizadas primárias em 10 de março.

E mais ainda, a ressurreição de Biden registrou-se em algumas novas enquetes nacionais, onde agora retomou a liderança sobre seu único rival; em uma sondagem emitida hoje por Reuters/Ipsos, goza de 55% contra 45 %entre os democratas.

A campanha de Sanders terá que demonstrar sua capacidade de traduzir em votos o massivo entusiasmo de seus simpatizantes que tem se registrado nas enquetes nacionais durante meses, sobretudo entre os jovens. Segundo algumas cifras preliminares sobre este voto nos concursos mais recentes, os jovens, que historicamente, têm uma taxa baixa de participação eleitoral, não compareceram às urnas tal como se esperava.  

Por isso, embora Sanders ganhe uma esmagadora maioria do voto jovem, até agora não gerou maior participação desse setor, com algumas exceções. Por exemplo, no Texas só 15% dos eleitores na primária da terça passada eram jovens de 30 anos de idade ou menos, e dois terços eram maiores de 45. Em quase todos os estados da super terça os jovens não superaram 20% dos votantes. 

O concurso continua nas próximas semanas e, com ela, a narrativa atual, tudo em um processo que será concluído na Convenção Nacional Democrata em julho, onde será coroado o desafiante de Donald Trump. 

David Brooks correspondente de La jornada desde Washington

La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.

Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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