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Zapatistas lançam nova publicação

Marta Molina

Tradução:

Marta Molina*

“Assim como vocês falaram ou publicaram o que viveram, escutaram e viram em nossas terras zapatistas, aqui podem ler como vemos y escutamos os que levamos a bandeira da “Rebeldia Zapatista”. 

Marta MolinaCom um editorial publicado no sítio web Enlace Zapatista, o subcomandante Moisés apresentas o primeiro número da nova revista do agrupamento com o título “Rebeldia Zapatista – A palavra do EZLN”.

São 27 textos compilados neste primeiro número incluindo a pesquisa sobre como os e as zapatistas valorizam a Escuelita que em janeiro completou três edições.
revista-zapatista-286x400Além das palavras e reflexões dos guardiões e guardiãs (votantes), professores e professoras zapatistas de diferentes comunidades sobre os alunos que vieram de todo o mundo para assistir a Escuelita, encontramos também algumas cartas anônimas e de coletivos anarquistas que participaram da primeira etapa do curso “A liberdade segundo os e as zapatistas”.
No momento a revista pode ser adquirida na rua Zapotecos, 7, em Ciudad de México, y com as equipes de apoio da CVI. Reproduzimos aqui o editorial do subcomandante insurgente Moisés.
“As zapatistas e os zapatistas que somos, rebeldes em nossa pátria mexicana, porque estamos ameaçados de destruição junto com nossa mãe terra, por baixo de nosso solo e por cima de nosso solo, pelas pessoas ricas malvadas e pelos maus governos, que tudo que veem pensam em converter em mercadoria, que se chamam de capitalistas neoliberais.
Querem ser donos de tudo.
São destruidores, assassinos, criminosos, estupradores. São cruéis, inumanos, torturadores, desaparecedores, são uns corruptos e tudo o que se possa pensar de ruim, assim são eles, não pensam na humanidade. São inumanos.
Uns poucos entre eles tudo decidem sobre como querem dominar os países que se deixam dominar; eles converteram em suas fazendas os países subdesenvolvidos; converteram em seus capatazes os chamados governos capitalistas subdesenvolvidos de cada país.
Assim é no México. O patrão são os neoliberais transnacionais e a fazenda deles se chama México, o capataz atual se chama Enrique Peña Nieto, os mordomos são Manuel Velasco em Chiapas e os demais chamados governadores de cada estado, os operadores são os mal chamados presidentes municipais.
02EZLN_400Por isso nos erguemos contra esse sistema no amanhecer de primeiro de janeiro de 1994.
Já estamos ha 30 anos construindo como pensamos viver melhor, e isto pode ser visto pelo povo do México e de todo o mundo. Humildes e sadiamente decidido pelo povo, dezenas de milhares de mulheres e homens, de como queremos nos governar autonomamente.
Nada oculta o que estamos fazendo. O que buscamos, o que queremos está à vista de todos.
Não é o mesma coisa que os maus governos fazem conosco, ou seja, os três maus poderes, o sistema capitalista, tudo à espaldas do povo.
Estamos compartilhando com os companheiros e companheiras do México e do mundo nosso humilde pensamento de um mundo novo em que pensamos e queremos viver. Para isso pensamos e fizemos a escolinha zapatista. Nela se trata de liberdade e de construção de um mundo novo diferente do que nos impõem os capitalistas neoliberais.
E é o povo que está compartilhando, ou seja, direto da base que é povo, não só seus representantes. Eles dirão se estão bem ou se está bem como estão organizados, não são os representantes que dizem, ou seja, se confirma assim o que disseram seus representantes.
Oferecemos esse grande compartilhamento com nossa gente, companheiros da cidade e do campo, porque somos nós que devemos pensar como é o mundo novo que queremos, não só os representantes ou dirigentes devem pensa e dizer como e menos ainda se vai bem a organização. É o povo, a base que deve dizer isso. E também vão se manifestar aqueles que assistiram a escolinha para dizer se foi bem.
Como poderão ler nos textos deste número de nossa revista Rebeldía Zapatista, os companheiros e companheiras das bases de apoio, estão fazendo com que seja conhecida pelas pessoas boas no México e no mundo, porque no México não há governo que reconheça que no México ha indígenas. Lembram-se deles quando há eleições, como se fossem objetos eleitorais.
Só assim como estamos organizados, com nossa luta, pudemos nos defender ao longo de 30 anos. Fazemos todo o possível e o que parece impossível e o demonstramos ao longo desses 30 anos e é isto o que estamos compartilhando.
Desenvolvemos a escolinha para que vá muito mais longe as palavras das companheiras e companheiros das bases de apoio zapatista, milhares e milhares de quilômetros, e não como nossas balas do  amanhecer de janeiro do ano de 1994 que só chegaram  umas a 50 metros, outras a 100 metros e talvez outras a 300 ou 400 metros de distancia, isso da escolinha cruza mares, fronteiras e espaços na hora de voar a vocês companheiras, companheiros.
Nós os indígenas rebeldes sabemos isto e sabemos que há outros, outras rebeldes que são indígenas e que também eles sabem o que é o capitalismo neoliberal.
Também há outros irmãos e irmãs que são rebeldes e que não são indígenas, que também podem escrever e que compartilham neste meio, para saber deles como pensam e como veem este sistema que quer acabar com o planeta terra. Por isso, neste número da revista pomos algumas palavras que nos dão nossas companheiras e companheiros anarquistas.
Bem, companheiros da Sexta, o melhor é que aqueles que vieram viram com seus próprios olhos e escutaram com seus próprios ouvidos e vieram e se foram bem dispostos porque se encarregam de transmitir e de dar a explicação aos que não poderão chegar.
Nesta primeira revista começará a se escrever as palavras e pensamento de nossas companheiras e companheiros bases de apoio zapatistas, famílias, guardiãs e guardiões, professoras e professores, como veem a escolinha em que estão compartilhando e também como a viram as companheiras e companheiros alunos. Nos primeiros números de nossa publicação irão aparecendo as avaliações na palavra de professores, votantes, famílias e coordenadores da escolinha nas zonas dos cinco caracóis.
Assim como vocês contaram ou publicaram o que viveram, escutaram e viram em nossas terras zapatistas, aqui podem ler como os vimos e os escutamos nós que levantamos a bandeira da Rebeldia Zapatista.
Subcomandante Insurgente Moisés.
México, janeiro de 2014. A vinte anos do início da guerra contra o esquecimento.
*Marta Molina é da  equipe de colaboradores de Diálogos do Sul


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Marta Molina

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