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Abdias Nascimento, artista e ativista contra o racismo, recebe exposição no MASP

Mostra traz 60 obras do intelectual, criadas entre 1968 e 1998, com ideias, cores, formas e noções que retratam a experiência negra na América Latina
Guilherme Ribeiro
Diálogos do Sul Global
Bauru (SP)

Tradução:

As diversas forças da fé e da sociedade civil que lutam contra o racismo são o principal legado de Abdias Nascimento (1914–2011), intelectual, ator, escritor e diretor que, em 2010, foi indicado oficialmente ao Prêmio Nobel da Paz. Para celebrar a vida e a obra do artista, o Museu de Artes de São Paulo (MASP) abre ao público, entre os dias 25 de fevereiro e 5 de junho, a exposição “Abdias Nascimento, um artista panamefricano”, com mais de 60 trabalhos do ativista.

Com curadoria de Amanda Carneiro e Tomás Toledo, coordenação de Elisa Larkin Nascimento e organizada em parceria com o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros (IPEAFRO), a mostra traz produções da fase mais profícua de Abdias Nascimento, entre 1968 e 1998, com ênfase em seu repertório de ideias, cores, formas e noções do movimento pan-africanista e imaginário ladino-amefricano — termo cunhado por Lélia Gonzalez (1935–1994) — para retratar a experiência negra na América Latina.

Okê Oxóssi

Entre os trabalhos que estarão presentes na exposição “Abdias Nascimento, um artista panamefricano”, está a obra Okê Oxóssi.

O artista plástico e coordenador do projeto Museu de Arte Negra (MAN-IPEAFRO), Julio Menezes Silva, explica que Abdias partiu para os Estados Unidos, em 1968, para um intercâmbio cultural. Pouco tempo depois, começou a ditadura no Brasil e ele sabia que, se voltasse, poderia ser morto em razão de sua luta antirracista.

Em 1970, então, Abdias cria a pintura Okê Oxóssi, de maneira a ressignificar a bandeira nacional e discutir a democracia através do arquétipo de Oxóssi, orixá da natureza e da cura.

Inspirada ainda pelo período de revogação das leis raciais nos Estados Unidos e episódios como a prisão do cofundador dos Panteras Negras, Huey Newton, no final da década de 1960, Okê Oxóssi aborda os direitos civis da população negra, se apresentando assim como uma “obra representativa e um dos trabalhos mais fortes de Abdias Nascimento”, observa Julio Menezes Silva.

Mostra traz 60 obras do intelectual, criadas entre 1968 e 1998, com ideias, cores, formas e noções que retratam a experiência negra na América Latina

Ricardo Stuckert/PR / Wikimedia Commons
É de autoria de Abdias Nascimento o concurso “Cristo de Cor”, que buscou artistas para a representação de um Jesus negro, em 1955

Trajetória fundamental para a história do Brasil

Abdias Nascimento foi ativista desde a década de 1930, quando participou da fundação do movimento Frente Negra Brasileira. Em 1944, fundou o Teatro Experimental do Negro (TEN). Em 1960, idealizou o Museu de Arte Negra, referência nos debates sobre museus e comunidades. 

Já em 1981, o escritor criou o IPEAFRO, como forma de luta pelos direitos do povo negro, sobretudo nas áreas da educação e cultura. É de autoria de Abdias Nascimento também o concurso “Cristo de Cor”, que buscou artistas para a representação de um Jesus negro, em 1955.

Espaços como Studio Musem Harlem, em Nova York, Fine of Arts Museum, em Syracuse, e Postcrypt Art Gallery, da Universidade de Columbia, nos EUA, já realizaram exposições com obras do brasileiro.


Mais detalhes sobre a exposição “Abdias Nascimento, um artista panamefricano” podem ser encontradas no site do MASP, aqui.

*Com informações de MASP e IPEAFRO


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Guilherme Ribeiro Jornalista graduado pela Unesp, estudante de Banco de Dados pela Fatec e colaborador na Revista Diálogos do Sul.

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