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Abusos sexuais contra crianças e adolescentes são ocultados por “questões de honra”

Intimidade do lar, somada ao secretismo usual que a ampara, constitui um dos maiores obstáculos para a segurança e equilíbrio psicológico
Carolina Vásquez Araya
Diálogos do Sul
Cidade da Guatemala

Tradução:

Basta entrar na página oficial do Fundo de População das Nações Unidas, UNFPA, para comprovar a situação da infância e adolescência nos países do mundo. Dado que para nosso interesse imediato e nosso foco é a América Latina e o Caribe, podemos constatar que, de acordo com essa agência da ONU, nos nossos países, “um dos elementos que incide de maneira significativa na situação de vulnerabilidade das adolescentes é o gravidez não planejada. A região tem a segunda taxa mais alta do gravidezes adolescentes do mundo e se estima que quase 18% de todos os nascimentos correspondem a mulheres menores de 20 anos de idade.”

Como dado adicional e estreitamente relacionado com esse quadro de natalidade em meninas e adolescentes, agrega: “A mortalidade materna na América Latina e o Caribe se situa entre as três primeiras causas de morte nas adolescentes entre 15 e 19 anos.

Nas adolescentes menores de 15 anos, o risco de morrer com causas relacionadas com a gravidez é de até três vezes mais que em mulheres maiores de 20 anos. Na América Latina se crê que o número anual de abortos inseguros entre as adolescentes de 15 a 19 anos, alcança um número de 670 mil.”

Inocência interrompida: consequências da gravidez precoce repercutem pelo resto da vida

Nossas nações se agrupam entre aquelas pertencentes ao terceiro e quarto mundos. Mesmo quando pretendemos catalogá-las como “em processo de desenvolvimento”, a realidade é diferente na maioria delas.

Nos encontramos, portanto, em uma constante luta por estabelecer as bases e a demarcação institucional de democracias funcionais, mas a realidade nos demonstra como os sistemas políticos, econômicos e a forte pressão do primeiro mundo nos condicionam a seguir um curso de ação na base de conveniências de setores alheios ao interesse de nossos povos, traindo os valores fundacionais de nossos textos constitucionais e marginalizando os segmentos mais fracos da sociedade. 

Intimidade do lar, somada ao secretismo usual que a ampara, constitui um dos maiores obstáculos para a segurança e equilíbrio psicológico

Prefeitura de Goiânia
Nas adolescentes o risco de morrer com causas relacionadas com a gravidez é de até três vezes maior que em mulheres adultas

Aumento da pobreza

O aumento da pobreza e a falta de oportunidades para a população de menores recursos golpeia com enorme impacto os grupos mais desprotegidos: crianças e adolescentes.

Entre esses, a carga sobre meninas e adolescentes é ainda maior. Sujeitas a um entorno de ameaça e violência estrutural, também constituem o grupo de maior risco de abuso sexual e psicológico, colocadas por tradição e costume em um marco social predominantemente patriarcal e machista.

Por isso é que o abuso sexual, a violação e a submissão a tarefas que lhe impedem aceder à educação e a seus direitos básicos, as condenam a um futuro repleto de perigos e carências. 

Um dos crimes mais odiosos contra a infância e adolescência é o abuso sexual; prática corrente que cruza todos os níveis sociais, se oculta cuidadosamente entre as paredes dos lares por uma incompreensível “questão de honra”, deixando-o isento de denúncia e mantido sob um manto de silêncio.

Mesmo quando a ameaça do abuso sexual está presente em qualquer dos espaços onde meninas e adolescentes desenvolvem suas atividades, a intimidade do lar, somada ao secretismo usual que a ampara, constitui um dos maiores obstáculos para a segurança e equilíbrio psicológico, fatores indispensáveis para o saudável desenvolvimento de este importante segmento de nossas comunidades.

O conceito de lar costuma estar sobre dimensionado. Neles abunda o abuso. 

Carolina Vásquez Araya, Colaboradora de Diálogos do Sul da Cidade da Guatemala
Tradução por Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Carolina Vásquez Araya Jornalista e editora com mais de 30 anos de experiência. Tem como temas centrais de suas reflexões cultura e educação, direitos humanos, justiça, meio ambiente, mulheres e infância

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