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Além de anular direito, projeto de lei nos EUA tenta qualificar aborto como homicídio

Enquanto isso, Biden recorre à Guerra Fria para justificar interferência no conflito na Ucrânia, e mais; confira panorama do país por David Brooks
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Enquanto o tema da gala anual do Museu Metropolitan, o “evento de modas do ano”, foi “a idade dourada” enquanto multimilionários oligarcas que acumularam mais riqueza que nunca disputam o controle da chamada “liberdade de expressão” e suprimem a expressão dos direitos trabalhistas de seus trabalhadores; enquanto as celebridades desfilavam diante das câmaras se divulgou que a Suprema Corte está por anular direitos fundamentais das mulheres; enquanto se debate se explodiu a segunda guerra fria incluindo proposta sobre se devem ou não usar armas nucleares, e enquanto se revela que o ex-presidente Trump estava contemplando usar tropas militares com ordens de disparar para suprimir protestos sociais aqui e lançar mísseis de maneira clandestina contra o país “amigo” México, é cada vez mais difícil resumir de maneira coerente o que acontece nos Estados Unidos.

A “idade dourada”, frase de Mark Twain em uma obra que escreveu em 1873 burlando-se dos excessos de avareza dos mais ricos, refere-se ao período entre 1870 e 1900, marcado por um auge econômico gerado pela industrialização cujos benefícios se concentraram nas capas mais ricas encabeçadas pelos chamados “barões ladrões”, entre eles John Rockefeller, J.P. Morgan, Andrew Carnegie e Cornelius Vanderbilt, e que foi acompanhado por extensa corrupção política. 

Não se sabe se os diretores do evento do Metropolitan selecionaram o tema como algum tipo de comentário social (tudo indica que não), mas não podia ser mais atinado em uma conjuntura em que os novos barões do capital, o 1% mais rico, agora concentram maior riqueza que a acumulada por todo os 92% abaixo, e em que a fortuna coletiva dos 727 multimilionários (aqueles com fortunas de mais de um bilhão) se incrementou em mais de $1,7 trilhões de dólares durante uma pandemia que devastou os mais pobres e que custou mais de um milhão de vidas.

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Mas alguns deles, enquanto investem milhões para suprimir os direitos trabalhistas de seus trabalhadores, estão preocupados pelos direitos e liberdades fundamentais deste país.

Enquanto isso, Biden recorre à Guerra Fria para justificar interferência no conflito na Ucrânia, e mais; confira panorama do país por David Brooks

TheNoxid – Flickr

Denúncia de que uma maioria da Suprema Corte está por anular o direito federal ao aborto só encorajou forças conservadoras mais extremas




Liberdade de expressão e aborto

Recentemente, o homem mais rico dos Estados Unidos, Elon Musk, criticou o Washington Post, cujo dono é o terceiro homem mais rico, Jeff Bezos, por haver publicado uma coluna escrita pelo décimo terceiro homem mais rico do mundo, Michael Bloomberg, o qual alerta que a intenção de Musk de assumir o controle do Twitter poderia pôr em perigo a liberdade de expressão no país.

Faz recordar a frase do jornalista A. J. Liebling, o qual escreveu em 1960 que “a liberdade de imprensa é garantida só para aqueles que são donos de uma”.

Fim do direito ao aborto é apenas início; até contraceptivos podem ser proibidos nos EUA

Enquanto isso, a denúncia de que uma maioria da Suprema Corte está por anular o direito federal ao aborto depois de 49 anos sacudiu o país na semana passada, mas só encorajou forças conservadoras a promover medidas ainda mais extremas.

Na Luisiana, por exemplo, legisladores estão impulsionando um projeto de lei que qualifica um aborto como um homicídio, e outros estados estão provendo a proibição total do aborto.

 

Uma segunda guerra fria

Por outro lado, a guerra na Ucrânia está se tornando uma guerra dos Estados Unidos e a OTAN contra a Rússia, inaugurando uma segunda guerra fria com um roteiro já bem polido e ensaiado.

“Durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos era conhecido como o arsenal da democracia. Construímos as armas e o equipamento que ajudou a defender a liberdade e a soberania na Europa. Isso é verdade de novo hoje “, declarou na semana passada um presidente Biden emocionado com nostalgia bélica.

O debate agora inclui, uma vez mais, argumentos por “especialistas” sobre como “ganhar” em uma guerra nuclear.

“Um incêndio começou atrás do palco em um teatro. O palhaço saiu para alertar o público; eles pensaram que era uma brincadeira e aplaudiram. Ele repetiu: a aclamação foi maior. Penso que é justamente assim que o mundo chegará ao seu fim; diante de aplausos gerais de tipos que acreditam que é uma broma”.  Soren Kierkegaard.

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David Brooks é correspondente do La Jornada em Nova York.
La Jornada, especial para Diálogos do Sul — Direitos reservados.
Tradução de Beatriz Cannabrava.



As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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