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Além de Trump, advogados do ex-presidente podem sofrer processo por obstrução de justiça

Alega-se que equipe do republicano ocultou deliberadamente do FBI documentos secretos levados da Casa Branca
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

O Departamento de Justiça afirma que representantes e advogados de Donald Trump ocultaram documentos oficiais secretos depois de haverem certificado falsamente que o ex-presidente havia entregado às autoridades todos os arquivos oficiais armazenados em sua residência privada na Flórida, o que são atos de delito de obstrução da justiça.

Nesta primeira revelação pública da evidência nas mãos do governo federal sobre possível obstrução de justiça – e que agora pode inculpar não só ao ex-presidente, mas sim seus advogados – alega-se que a equipe de Trump ocultou deliberadamente do FBI documentos secretos que ele levou da Casa Branca – quando seus agentes foram à Flórida no passado 3 de junho para solicitar todo documento oficial em sua posse para que estes fossem entregues aos Arquivos Nacionais, tal como manda a lei. 

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A revelação – que é parte de uma resposta escrita do Departamento de Justiça submetida a um tribunal federal na Flórida, onde estava programada uma audiência para esta quinta-feira (1) para abordar a solicitação de Trump de que se nomeie um árbitro independente que avaliaria se alguns dos documentos são protegidos por alguma doutrina legal de privilégio – detalha que, quando os agentes do FBI visitaram Mar-a-Lago em junho, os advogados de Trump afirmaram falsamente que haviam entregado todo documento oficial armazenado na residência.

Alega-se que equipe do republicano ocultou deliberadamente do FBI documentos secretos levados da Casa Branca

Casa Branca – Flickr

Cada novo detalhe da investigação criminal pelo manejo indevido e possivelmente ilegal de documentos continua assombrando especialistas

O documento declara que o Departamento de Justiça tinha evidência que “os documentos do governo provavelmente foram ocultados e removidos do depósito e que era provável que se tenham feito esforços para obstruir a investigação” das autoridades federais. 

Vale recordar que, na semana passada, em um documento juramentado extensamente censurado, o Departamento de Justiça revelou que o FBI havia avaliado 184 documentos marcados como classificados, alguns com o nível mais alto, “top secret”, dentro das primeiras 15 caixas de documentos entregues por Trump em janeiro. Aí começou a suspeita de que haviam mais documentos secretos na residência do ex-presidente, o que levou à visita do chefe de contra inteligência do FBI, Jay Bratt, e outros agentes a Mar-a-Lago, em junho.

Quando receberam ainda mais material em junho – 38 documentos marcados como secretos – e a certificação pelos representantes de Trump de que com essa segunda entrega já eram todos os documentos oficiais em poder do ex-presidente, o FBI obteve evidência de que isso não estava certo. Com base nisso, se levou a cabo a busca sem precedentes em uma residência privada de um ex-presidente, de onde o FBI levou mais 33 caixas, entre as quais havia mais documentos secretos, inclusive algumas marcadas como “top secret”.  

Alguns desses documentos secretos não estavam no depósito, mas sim guardados em escrivaninhas do escritório pessoal de Trump. 

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Alguns dos documentos recuperados eram de tão alta classificação secreta que os próprios agentes de contra inteligência do FBI e advogados do governo foram obrigados a solicitar autorização adicional para avaliá-los. 

Cada novo detalhe da investigação criminal pelo manejo indevido e possivelmente ilegal de documentos oficiais secretos por Trump continua assombrando especialistas, mas ainda não se revela ou se explicou a razão pela qual o ex-presidente levou todo esse material – sobretudo os documentos secretos, alguns relacionados com assuntos de defesa e outros sobre operações clandestinas – quando deixou a Casa Branca em janeiro de 2021, nem porque não os entregou quando foi solicitado. 

Há todo tipo de especulações, entre elas que Trump sempre se há pavoneado de ter acesso a todo tipo de segredos. Por exemplo, havia comentado a pessoas próximas a ele que sabia segredos da vida sexual do mandatário francês Emmanuel Macron, reporta a Rolling Stones, dizendo que, entre os documentos confiscados pelo FBI na busca de Mar-a-Lago, havia um arquivo identificado como “info re: Presidente da França”.

O deputado democrata federal Adam Schiff, presidente do Comitê sobre Inteligência da Câmara Baixa, comentou que o que está alegando o Departamento de Justiça é “devastador”, mas que “o mais notável são os fatos sobre como o ex-presidente e sua equipe conscientemente puseram em risco nossa segurança nacional”. 

David Brooks, correspondente do La Jornada em Nova York.
Tradução: Beatriz Cannabrava.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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