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Foto: Ricardo Stuckert / PR

Além do RS: América do Sul teve outros 3 eventos climáticos extremos apenas em 2024

Efeitos da mudança no clima vão além das tempestades incomuns e levam incêndios, calor extremo e até falta de chuvas a diversos pontos da região
Guilherme Ribeiro
Diálogos do Sul Global
Bauru (SP)

Tradução:

As enchentes enfrentadas pelo Rio Grande do Sul (RS) nos últimos dias têm atingido marcas históricas e deixado um rastro de destruição. Até o momento, são 95 mortos, 131 desaparecidos e 361 feridos.

De 364 municípios impactos, 336 estão em situação de calamidade, o equivalente a 73% do estado. Com a violência das correntezas e cheias que varreram ruas e bairros, 201 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, com um total de 1,17 milhão de gaúchos afetados.

A média de chuva esperada para abril no estado era de 140 a 200 mm, mas em poucos dias algumas regiões receberam entre 400 e 700 mm. O Rio Guaíba, em Porto Alegre, chegou a 5,31 metros, superando o recorde de 4,76 metros em 1941. Para se ter uma ideia, a cidade fica em alerta quando as águas chegam a 2,5 m.

Emergência climática

O quadro enfrentado no Rio Grande do Sul é inédito —  o maior desastre climático na história do estado — mas não uma surpresa. Especialistas da área do clima e meio ambiente têm alertado o governo de Eduardo Leite (PSDB-RS) sobre possíveis eventos extremos decorrentes das mudanças climáticas.

O estado, inclusive, ainda se recuperava de dois ciclones, um ocorrido em setembro de 2023, que deixou 41 mortos e 46 desaparecidos, e outro, em junho do mesmo ano, que matou 16 pessoas.

A região gaúcha é tradicionalmente alvo de chuvas mais fortes ao longo do ano, mas essa condição foi potencializada pelo fenômeno El Niño, ciclo atmosférico-oceânico em que parte do oceano Pacífico sofre aquecimento anormal. Apesar de previsto pela Ciência, o fenômeno tem tido períodos mais duradouros e intensos em razão da emergência climática.

Vale dizer que, no fim de março, 25 pessoas morreram no Rio de Janeiro e no Espírito Santo em deslizamentos, desabamentos, inundações e alagamentos decorrentes de fortes chuvas. Em Mimoso do Sul, cidade capixaba mais impactada, 5.481 pessoas ficaram desalojadas.

E os efeitos da mudança do clima não se limitam a tempestades incomuns. Incêndios, calor extremo e até mesmo a falta de chuvas afetam diversas regiões. Só em 2024, ao menos outros três eventos atingiram a América do Sul. Confira:

Calor e seca na Argentina

Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, uma onda de calor extremo atingiu a Argentina, com os termômetros ultrapassando 40ºC em algumas partes do país, por mais de 12 dias. Na região norte, foram 46ºC.

A “bolha de calor”, conforme descrita por especialistas, foi acompanhada ainda de dias secos em meio à escassez de chuva, impactando a saúde dos argentinos e cerca de 60 milhões de hectares da agropecuária.

A situação argentina em 2024, impulsionada pela emergência climática, chega após uma seca histórica em 2023, quando o país completou três anos com recordes de falta de água, ondas de calor e geadas fora de época.

Incêndios no Chile

Também em fevereiro, o Chile enfrentou incêndios florestais que deixaram um saldo de 130 mortos e mais de 370 desaparecidos. A maior tragédia do país em 15 anos.

O fogo atingiu principalmente a região de Valparaíso e consumiu entre 3 mil e 6 casas, principalmente em comunidades mais pobres.

Apesar de a ação humana ser investigada e estar associada à maioria dos incêndios no Chile, a propagação das chamas está ligada a fatores naturais agudizados pela emergência climática, como a seca — que afeta o país há 15 anos — e as altas temperaturas. Na época das queimadas, os territórios atingidos chegaram a registrar 40ºC.

Outro fator crítico são as áreas com pinheiro e eucalipto, espécies invasoras introduzidas no país por produtores de celulose e madeira e que queimam com mais facilidade.

Crise hídrica na Colômbia

A escassez de chuva na Colômbia desde o início de 2024, causada pelo El Niño, associado às mudanças climáticas, têm levado a uma crise hídrica na região de Bogotá.

O reservatório de Chingaza, que abastece 70% da capital colombiana, chegou a 16% da capacidade no fim de abril. Em meio à velocidade alarmante com que os mananciais esvaziaram, as autoridades da cidade e de municípios vizinhos decretaram racionamento. Os cortes, de até 24 horas a cada 10 dias, afetaram cerca de 10 milhões de pessoas.

Em sua conta no X (antigo Twitter), o presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmou: “Haverá secas piores à que estamos enfrentando”.

Ainda em janeiro, a falta de chuvas também impulsionou centenas de incêndios florestais no país, com 17,1 mil hectares destruídos e 293 municípios em alerta.

SOS Rio Grande do Sul

Contribua com a campanha do Movimento Sem Terra em solidariedade às vítimas da calamidade no Rio Grande do Sul! Doe qualquer valor!

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Informações Bancárias:
CHAVE PIX: 09352141000148
Banco: 350
Agência: 3001
Conta: 30253-8
CNPJ: 09.352.141/0001-48
Nome: Instituto Brasileiro de Solidariedade

Com informações de Terra, G1 e Metsul.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Guilherme Ribeiro Jornalista graduado pela Unesp, estudante de Banco de Dados pela Fatec e colaborador na Revista Diálogos do Sul.

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