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Alienação digital pode abalar democracia e causar prejuízo científico à nova geração

O reflexo desta mudança já é notado nos jovens que encontram hoje em um novo nicho de mercado uma opção de renda, mas a um preço muitas vezes alto, sua dignidade
João Corbisier
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

O século XXI é marcado pela popularização da internet, não só pela rede global que hoje alcança milhões de pessoas simultaneamente e às conecta de alguma forma, mas também pelos comunicadores instantâneos e o avanço dos aplicativos e equipamentos móveis para sua utilização.

Crianças cada vez mais novas já possuem seu próprio celular ou tablet, os antigos programas de televisão foram substituídos por sites de streaming (transmissão de dados) como Netflix e YouTube e os aparelhos de música por aplicativos como Spotify, Deezer entre outros.

Os pais se veem cada vez mais dependentes destas tecnologias como um subterfúgio para “controlar” seus filhos, mas esse controle não se refere às preocupações com o bem estar da criança que outrora ficava na rua sem avisar onde estava, mas sim um controle de comportamento, uma forma de aquietar a inquietude inerente a todas as crianças e que, a meu ver, deveria ser estimulada com brincadeiras, esportes e outras manifestações lúdicas que fazem o cérebro e o corpo se desenvolverem de forma saudável nas interações com outras pessoas ou com elas mesmas.

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Ir ao restaurante e colocar um filme no tablet para a criança parar quieta e comer, por exemplo, virou cena rotineira em qualquer estabelecimento comercial, ou mesmo em casa, onde as crianças estão cada vez mais fixadas na frente de telas com seus dedos a deslizar para qualquer lado, sem, muitas vezes, nenhuma supervisão, aconselhamento ou tutoria de como usar estes recursos de forma segura.

O reflexo desta mudança já é notado nos adolescentes e jovens adultos que encontram hoje em um novo nicho de mercado uma opção de renda, mas a um preço muitas vezes extremamente alto, sua dignidade. 

O reflexo desta mudança já é notado nos jovens que encontram hoje em um novo nicho de mercado uma opção de renda, mas a um preço muitas vezes alto, sua dignidade

Reprodução
A exposição pessoal na internet está cada vez mais normalizada, assim como o uso dos buscadores como fonte de pesquisa para qualquer assunto

Os chamados influenciadores digitais, influencers, com milhares, muitas vezes milhões de seguidores são remunerados pelos aplicativos ou sites que utilizam, com base no número de cliques recebidos em suas postagens; no entanto os algoritmos que esses canais utilizam privilegiam o engajamento sem que necessariamente haja alguma curadoria sobre as postagens o que faz com que não seja a qualidade do conteúdo ou as informações verdadeiras, éticas e morais divulgadas a razão pela qual o assunto se torna viral na internet, e muitas vezes transforma algo completamente fora deste escopo o mais rentável, pois chama mais atenção, como o caso da pornografia, e bizarrices diversas por exemplo.

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A exposição pessoal na internet está cada vez mais normalizada, assim como o uso dos buscadores como fonte de pesquisa para qualquer assunto, quem nunca ouviu a expressão “faz um google”? 

O uso sem qualquer checagem da veracidade das fontes das informações fornecidas por esses buscadores está induzindo, muitas vezes, às pessoas a assimilarem verdades, conhecimentos e produtos que foram pagos por empresas ou governos para estarem ali;  Ou seja, há uma alienação programada e cruel e que poderá se tornar um prejuízo irreversível para a sociedade contemporânea no que tange ao conhecimento científico, à democracia e à consolidação de uma sociedade saudável em suas relações humanas.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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