Pesquisar
Pesquisar

Ambientalistas pedem afastamento do ministro Ricardo Salles após óleo chegar à costa do RJ

Movimento 'Baía Viva' afirma que ministro cometeu crime ambiental ao demorar 41 dias para acionar Plano de Contingência
Erick Gimenes
Brasil de Fato
Brasília (DF)

Tradução:

O movimento socioambientalista Baía Viva ingressou nesta segunda-feira (25) com ação na Procuradoria-Geral da República (PGR) e no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para pedir o afastamento do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e a decretação de estado de emergência em saúde pública no Rio de Janeiro.

A medida é uma reação à chegada do mesmo petróleo que atinge praias nordestinas à costa fluminense, no último domingo (24). Até a manhã desta segunda-feira, quatro municípios do estado já haviam registrado presença de manchas de óleo: São João da Barra, São Francisco de Itabapoana, Macaé e Quissamã.

O coordenador do Baía Viva, Sergio Ricardo de Lima, afirma há flagrante omissão de Ricardo Salles em relação ao desastre. Para ele, o ministro cometeu crime ambiental ao acionar o Plano Nacional de Contingência somente 41 dias após o aparecimento das primeiras manchas.

Leia também

Negligência e sigilo do governo expõem saúde dos voluntários que limpam óleo das praias

“Os acidentes acontecem, e os planos de contingência existem exatamente para minimizar os impactos ou prevenir. Neste caso específico, o plano demorou 41 dias para ser acionado. É muita coisa. É uma omissão, uma leniência muito flagrante. Ao nosso ver, essa responsabilidade precisa ser cobrada”, declara Lima.

O movimento pede o bloqueio de bens de Salles para “ressarcir os enormes gastos emergenciais feitos pela União Federal, Estados da Federação e Prefeituras; assim como para custear a reparação e descontaminação dos danos e impactos socioambientais e econômicos”.

Leia também

Especialistas listam 6 pontos para reduzir impactos causados pelo óleo no nordeste

O coordenador do Baía Viva alerta para falta de orçamento e para a fragilidade dos órgãos de controle que atuam na contenção de danos socioambientais.

“O que nós tivemos nos primeiros dias foi uma verdadeira guerra ideológica. Acusação contra a Venezuela, acusação contra o Greenpeace. O tempo em que ficou nessas acusações infundadas – até o momento não se identificou a origem do vazamento – era o tempo que o ministro devia estar trabalhando para acionar o Plano de Contingência. Esse plano foi desmontado num contexto de esvaziamento, desde janeiro, da maioria dos órgãos colegiados e dos chamados órgãos de controle social”, diz o ambientalista.

Movimento 'Baía Viva' afirma que ministro cometeu crime ambiental ao demorar 41 dias para acionar Plano de Contingência

Fotos Públicas
Óleo que contaminou o litoral do Nordeste chegou às praias fluminenses no domingo

Impactos práticos

O Plano Nacional de Contingência é um plano adotado em acidentes de maiores proporções, quando a ação individualizada dos agentes não se mostra suficiente para a solução do problema.

Com isso, são formados comitês e grupos de trabalho, compostos por órgãos federais, estaduais e municipais, para articular ações que possam reverter e evitar mais prejuízos.

Leia também

“Estamos sendo feitos de tolos”, alerta perita em danos ambientais por vazamento de óleo

Com o desmonte de órgãos colegiados e de controle social, como apontou Sérgio Ricardo de Lima, essas atividades ficam enfraquecidas e, em alguns momentos, até inócuas. Assim, “quando vem a tragédia, você não tem uma articulação institucional, não tem uma atuação da chamada pronta resposta”, conclui.

Edição: Julia Chequer


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Erick Gimenes

LEIA tAMBÉM

Catástrofe_RS_clima
Cannabrava | Catástrofe climática, tragédia humana
Lula-RS-Brasil (2)
Nas mãos de Lula, caos no RS é sequela do bolsonarismo: desmonte ambiental e fake news
RS - inundações
Chamado à solidariedade internacionalista: inundação no RS demanda mobilização
Rio-Grande-do-Sul-emergencia-climatica
Além do RS: América do Sul teve outros 3 eventos climáticos extremos apenas em 2024