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Biden fala em promover paz, enquanto envia mais US$ 800 mi em armas para Ucrânia

Presidente dos EUA declarou ainda que Putin é um "criminoso de guerra" e que EUA estão “liderando” o mundo com assistência militar e humanitária à Ucrânia
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Joe Biden qualificou o presidente russo Vladimir Putin como um “criminoso de guerra” e anunciou mais assistência militar à Ucrânia sem oferecer nenhuma saída para uma solução negociada para um cessar-fogo, mas sim todo o contrário. 

Depois de um evento premeditado na Casa Branca para anunciar centenas de milhões a mais em assistência militar a Ucrânia como resposta ao discurso que o presidente ucraniano Volodymir Zelensky apresentou por vídeo em uma sessão conjunta do Congresso, Biden – já fora do roteiro oficial – e em outro ato não relacionado disse que “ele (Putin) é um criminoso de guerra”. Foi a acusação mais extrema contra sua contraparte russa desde o início do conflito.

Biden chama Putin de “criminoso de guerra”,

Pouco depois um porta-voz do Kremlin condenou a acusação, declarando que foi “retórica inaceitável e imperdoável”, reportou Reuters

Em seu comentário anunciando o novo pacote de 800 milhões de dólares para a Ucrânia – elevando o total de assistência militar a um bilhão, só nesta semana –, Biden disse haver escutado a mensagem de Zelensky, e condenou a “devastação espantosa” de Putin contra a Ucrânia, cometendo “atrocidades”. Os Estados Unidos, afirmou, está “liderando” o mundo, com seus aliados, em sua resposta com assistência militar e humanitária massiva para a Ucrânia enquanto castiga a “economia de Putin”.

Presidente dos EUA declarou ainda que Putin é um "criminoso de guerra" e que EUA estão “liderando” o mundo com assistência militar e humanitária à Ucrânia

Montagem Diálogos do Sul
Putin tem acompanhado as declarações de Biden e a resposta pode ser o prolongamento da Guerra

Insistiu que o que está em jogo é “a liberdade” e “o direito de um povo a determinar seu próprio futuro” e prometeu que a Ucrânia “nunca será uma vitória para Putin”. 

Pouco antes, na manhã de quarta-feira, Zelensky ofereceu um discurso via vídeo – vestido com sua agora usual camiseta verde oliva militar – diante de uma sessão conjunta do Congresso implorando a Washington o envio de mais assistência militar e maiores sanções contra os russos. Comparando o que sucede diariamente em seu país com Pearl Harbor ou o 11 de setembro, e até invocando o nome de Martin Luther King ao dizer que essa figura é lembrada pela frase “eu tenho um sonho”, e que para Zelensky a frase de hoje é “eu tenho uma necessidade”, o ucraniano agradeceu o apoio estadunidense pero instou Biden a fazer mais: “O senhor é o líder da nação. Desejo que seja o líder do mundo. Ser líder do mundo significa ser o líder da paz”. 

Embora Zelensky tenha reconhecido que não podia esperar que a Casa Branca aceitasse seu convite para declarar uma zona de exclusão aérea sobre seu país, pediu mais armamento para batalhas de controle dos céus. 

Como parte de sua apresentação, Zelensky transmitiu um vídeo com cenas desgarradoras dos ataques russos em seu país, com o que provocou lágrimas entre muitos dos legisladores (ninguém lembra que estes mesmos legisladores tenham chorado diante mais de 20 anos de cenas de guerra estadunidense e de seus aliados no Iraque e no Afeganistão, terras palestinas, Iêmen, Síria, entre outros) e ao concluir seu discurso que iniciou em ucraniano com tradutor e culminou em inglês, recebeu uma longa ovação de pé por parte dos legisladores. 

A apresentação teve o efeito desejado e imediatamente depois, legisladores de diferentes alas políticas expressaram um sentir coletivo de enviar mais assistência e buscar outras formas de apoiar Zelensky e castigar Putin.

A Casa Branca já estava preparada com o anúncio de seu novo pacote de assistência militar com o qual os EUA dobraram, para um total de 2 bilhões de dólares, o que havia dado em assistência militar à Ucrânia durante o ano passado. O Congresso aprovou e Biden assinou uma lei no total de US$ 13,6 bilhões para assistência militar e humanitária à Ucrânia – a remessa anunciada é parte desse financiamento.

Biden enfatizou que se trata de quantidades sem precedentes de assistência ao país, incluindo equipamentos militares que vão desde centenas de sistemas antiaéreos (mísseis), milhares de armas antitanque, sete mil armas de fogo, 20 milhões de munições e centenas de drones.

Enquanto isso, a Casa Branca, através do Conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan, advertiu seu homólogo russo contra “qualquer possível decisão da Rússia de usar armas químicas ou biológicas na Ucrânia”, informou o New York Times. Supostamente o uso de armas nucleares já havia sido avisado antes.

Nada do que foi declarado ou advertido hoje incluiu um compromisso dos EUA de aderir a um processo de negociação, algo considerado necessário para que tal esforço fosse bem sucedido.   Biden e sua equipe se limitaram a uma breve menção de que tudo farão para “promover o fim desta guerra trágica e desnecessária”, enquanto anunciam remessas sem precedentes de equipamentos militares e denunciam seu homólogo russo como um criminoso.

Por outro lado, na terça-feira, o Senado aprovou por unanimidade uma resolução solicitando que o Tribunal Penal Internacional abra uma investigação contra Putin por crimes de guerra na Ucrânia.  Não foi mencionado que os EUA não reconhecem este organismo internacional, é um dos únicos sete países que votaram contra o Estatuto de Roma sob o qual o tribunal opera e sempre rejeitou sua jurisdição sobre os EUA.


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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