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“Biden usa migrantes como peões no tabuleiro político”, afirmam congressistas dos EUA

Além de políticos, entidades também têm condenado adesão democrata a políticas anti-imigrantes ao modelo Trump
Jim Cason
La Jornada
Nova York

Tradução:

O presidente Joe Biden e o ex-presidente Donald Trump realizam, nesta quinta-feira (29), um duelo eleitoral com visitas a diferentes pontos da linha entre Texas e México, buscando nesse cenário convencer eleitores sobre quem será o mais efetivo em reduzir de maneira dramática o fluxo migratório, propostas que teriam sérias repercussões para o México. 

Biden está tentando neutralizar um tema que se tornou um de seus pontos mais vulneráveis em seu esforço de reeleição, adotando algumas das mesmas políticas anti-imigrantes que seu opositor Trump implementou quando ocupava a Casa Branca.

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Biden agora está demonstrando concordar que existe uma crise na fronteira e tenta culpar a liderança republicana da Câmara Baixa, que recusou programar um voto sobre um projeto de lei negociado no Senado que inclui mais fundos para contratar agentes fronteiriços adicionais e medidas para fechar pontos de ingresso na fronteira em certas circunstâncias, tudo parte de um pacote legislativo mais amplo que também inclui armas para Ucrânia e Israel

O fracasso desse projeto de lei, argumenta a Casa Branca, obrigará agora o presidente a usar poderes de emergência para abordar a situação na fronteira. Os detalhes dessas ações ainda não são públicos.

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Mas assessores da Casa Branca dedicaram grande parte das últimas duas semanas divulgando à mídia estadunidense papéis para que o presidente imponha restrições drásticas para que migrantes solicitem asilo inicialmente, incluindo a possibilidade de negar solicitações àqueles que não cruzam pelos pontos oficiais de ingresso aos Estados Unidos, propostas para empregar poderes de emergência para fechar quase todo ingresso de migrantes sem documentos em algumas circunstâncias, como também dirigir fundos para a contratação de mais oficiais de migração na fronteira ainda sem aprovação legislativa.

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Além de políticos, entidades também têm condenado adesão democrata a políticas anti-imigrantes ao modelo Trump

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O atual mandatário dos EUA, Joe Biden

Peões no tabuleiro político

O caucus hispano do Congresso condenou as propostas como uma tentativa de “usar grupos de migrantes como peões no tabuleiro político”. Além disso, cerca de 150 grupos nacionais e locais de defesa dos direitos humanos e imigrantes acusaram, em 23 de fevereiro, que o governo de Biden estava renovando políticos da era Trump.

“Esta maneira cansada de abordar o problema fracassou sob o governo anterior, e fracassará, e causará um grande prejuízo mais uma vez, e manchará seu governo de uma maneira irreparável”, escreveram em uma carta aberta a Biden, que foi coordenada pela Human Rights First e pelo National Immigration Justice Center.

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Com contenda eleitoral presidencial esquentando, a liderança do Partido Democrata publicamente expressou preocupação com tema migratório. Embora o número de pessoas sem documentos que tentaram cruzar a fronteira a partir do México em janeiro tenha sido menor que nos meses anteriores, especialistas prognosticam que o fluxo de migrantes aumentará ao longo do ano. De fato, o Washington Office on Latin America (WOLA) reporta que a migração anual até 25 de fevereiro de 2024 através do Darién havia alcançado 68.400 pessoas – cerca de 22.700 mais que no mesmo período do ano passado.

Trump acusa Biden

O ex-presidente Trump colocou no centro de seu ataque político a acusação de que o governo Biden manteve uma “fronteira aberta”, e pesquisas de opinião continuamente registram que o tema da imigração é o fator individual mais citado por aqueles que reprovam a atual gestão presidencial.  

Mike Johnson, presidente republicano da Câmara Baixa, declarou na semana passada que a Casa Branca “poderia demonstrar sua seriedade” no tema ao reimplantar de imediato o programa “Fique no México”, sob o qual solicitantes de asilo são obrigados a esperar no México enquanto suas petições são processadas nos Estados Unidos.

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Mas isso requer um acordo com o governo do México, assinalou Ariel G. Ruiz Soto, analista sênior do Migration Policy Institute em Washington, que recorda que a Suprema Corte do México havia declarado ilegal essa política quando foi aplicada anteriormente e, portanto, seria difícil renová-la.

Ainda mais importante, comentou Ruiz Soto em entrevista ao La Jornada, o “Fique no México” só registrou um total de 78 mil solicitantes – um número muito pequeno que não teria um impacto significativo sob as condições atuais. Agregou que é improvável que o programa ou ações executivas unilaterais tenham um impacto positivo a longo prazo.

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“Especialmente em um ano eleitoral onde a migração tomou tanta visibilidade na contenda atual, creio que tanto democratas, quanto republicanos estão tentando dar a impressão de que estão fazendo algo na fronteira”, indicou Ruiz Soto na entrevista. “O que desafortunadamente costuma suceder, especialmente em ciclos eleitorais como é o caso agora, é que a sugestão de propostas tende a ter mais a ver com a pugna eleitoral que com políticas [reais]”.

David Brooks e Jim Cason | La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Jim Cason Correspondente do La Jornada e membro do Friends Committee On National Legislation nos EUA, trabalhou por mais de 30 anos pela mudança social como ativista e jornalista. Foi ainda editor sênior da AllAfrica.com, o maior distribuidor de notícias e informações sobre a África no mundo.

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