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Bolsonaristas atacam Igreja Católica, fiéis, padres e nem Papa Francisco escapa

"A religião não está a serviço da política. Ela vem para iluminar a vida da gente, a vida da sociedade", lembra o frei Marcelo Toyansk

Thalita Pires
Brasil de Fato
São Paulo (SP)

Tradução:

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A conta do Papa Francisco em português no Twitter fez, neste domingo (16), postagens que faziam referência ao Dia Mundial da Alimentação. O texto faz um elogio à caridade: “Deus Todo-Poderoso abençoe abundantemente aqueles que dividem o pão com os famintos”

Foi a senha para que dezenas de perfis bolsonaristas iniciassem uma reação em massa. A publicação teve mais de 1,5 mil comentários, muitos deles com críticas e ataques à Igreja Católica e à figura do Papa.

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9d6fb837 101b 4b11 9d6d 13f513be324fBolsonaristas atacam Papa Francisco em publicação sobre fome / Reprodução 

A ofensiva bolsonarista contra a Igreja Católica, no entanto, já havia sido deflagrada em 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida. Bolsonaro esteve presente na missa em homenagem à santa.

Seus apoiadores, que estavam do lado de fora do santuário, aparentemente alcoolizados, hostilizaram a equipe da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo, que estava no local fazendo a cobertura. Houve ainda relatos de que uma pessoa vestida de vermelho foi hostilizada pelos bolsonaristas. 

"A religião não está a serviço da política. Ela vem para iluminar a vida da gente, a vida da sociedade", lembra o frei Marcelo Toyansk

Agência Brasil
Após episódio em Aparecida (SP), casos de agressão de militantes de extrema-direita bolsonaristas a igrejas católicas se multiplicaram

Outro grupo de bolsonaristas entrou na sacristia da Basílica para exigir que os sinos da igreja fossem paralisados, pois o som estaria atrapalhando o ato deles.

Para o frei Marcelo Toyansk, assessor da Comissão de Justiça e Paz da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o uso eleitoral da religião é preocupante. “A religião não está a serviço da política. Ela vem para iluminar a vida da gente, a vida da sociedade, mas não é para ser usada por um partido ou outro”, afirma.

Ele diz ainda que a estratégia da campanha bolsonarista de usar assuntos de uma “pauta de costumes”, como igreja, aborto e banheiros unissex – usualmente com o uso de notícias falsas – pode ser uma tentativa de esconder os defeitos do governo.

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“As pessoas se ligam muito a questões imediatas, como a família, a igreja que frequenta, o grupo que participa. Falta, muitas vezes, um conhecimento do todo, da sociedade e da política”, acredita. “As pessoas não têm clareza de que as questões que acontecem em Brasília refletem diretamente na sua vida cotidiana”.

A partir do episódio da Basílica de Aparecida, os casos de agressão de militantes de extrema direita bolsonaristas a igrejas católicas se multiplicaram. Relembre alguns casos:

16/10 – Fazenda Rio Grande – PR


18/10 – Jacareí – SP


13/10 – Padre Zezinho fecha redes sociais até 31 de outubro por ataques virtuais

Thalita Pires | Brasil de Fato
Edição: Rodrigo Gomes


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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