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Foto: Frank Towery / Flickr

Caças da Otan enviados à Ucrânia sinalizam escalada nuclear e aumentam risco de catástrofe, alerta Rússia

Segundo chanceler russo, aviões “serão destruídos, como todas as armas ocidentais que o ‘partido da guerra’ ucraniano recebe”; Moscou espera que manobras com armas nucleares táticas sirvam como aviso
Juan Pablo Duch
La Jornada
Moscou

Tradução:

Beatriz Cannabrava

“O Ocidente não tem nenhum interesse em que o conflito (armado com a Ucrânia) termine, por isso fornece ao regime de Kiev armamento cada vez mais destrutivo”, afirmou há uma semana, 30 de maio, o chanceler russo, Serguei Lavrov, em alusão à iminente chegada à Ucrânia de um primeiro lote de caças F-16. “Não podemos deixar de considerar – assinalou o chefe da diplomacia russa em uma entrevista à agência de notícias oficial Rossiya Segodnia (RT – Russia Today) — a entrega desse tipo de aviões de combate ao regime de Kiev como um sinal deliberado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no âmbito das armas nucleares”.

Enfatizou: “Tentam nos fazer entender que os Estados Unidos e seus aliados da OTAN estão dispostos a tudo na Ucrânia”, pois é sabido – acrescentou – “que os F-16 são frequentemente utilizados como principal meio para mover mísseis e ogivas nucleares nas chamadas missões conjuntas da Otan com esse tipo de armamento”.

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O titular das Relações Exteriores não quis responder em detalhes quais medidas a Rússia tomará para contrapor a aparição dos F-16 sobre os campos de batalha na Ucrânia; limitou-se a dizer que “serão destruídos, como todas as armas ocidentais que recebe o ‘partido da guerra’ que governa a Ucrânia”. Lavrov expressou a esperança de que “as manobras com armas nucleares táticas que estão sendo realizadas pela Rússia e pela Bielorrússia façam nossos oponentes entenderem a razão e lembrem-lhes das consequências catastróficas que a escalada nuclear poderia ter”.

Quanto à possibilidade de que os Estados Unidos instalem na Europa e na região da Ásia-Pacífico mísseis que poderiam alcançar os centros de comando e outros alvos militares russos em menor tempo de voo, Lavrov disse que a Rússia tomará as medidas que considerar pertinentes e reconheceu que isso “seria para nós um sério desafio em termos de segurança, e não apenas para nós: a declaração conjunta sobre a recente visita do presidente Vladimir Putin à China sublinha que tais passos desestabilizadores dos Estados Unidos são uma ameaça tanto para nós quanto para a China”.

Moscou e Pequim acordaram em “coordenar esforços para enfrentar o comportamento irresponsável de Washington, que mina a estabilidade internacional”, especificou.

Condições para o fim do conflito

Lavrov mencionou as condições que a Rússia coloca para um acordo político na Ucrânia: “É necessário que o Ocidente pare de abarrotar a Ucrânia com armamentos e que Kiev deponha as armas. Quanto mais cedo fizer isso, mais cedo começará a solução negociada, mas deve-se considerar que não faz sentido oferecer ao inimigo uma trégua que lhe sirva para se reagrupar e rearmar”. Reiterou a posição que a Rússia defende há tempos, no sentido de que “as negociações devem se basear no princípio da indivisibilidade da segurança e nas realidades em terra” (como Moscou denomina a anexação de cerca de 20% do território ucraniano).

O porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, também criticou os Estados Unidos e os países da OTAN, que, destacou, “nas semanas e dias recentes, estão entrando em uma nova espiral de tensão. Fazem isso de maneira consciente. Ouvimos muitas declarações belicistas, que só conseguem provocar uma nova fase de escalada da tensão”.

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A aliança transatlântica, segundo o Kremlin, “empurra a Ucrânia a continuar esta guerra sem sentido” e tudo isso “terá inevitavelmente consequências e, em última instância, causará um grande dano aos interesses daqueles países que optaram por escalar a tensão”.

Pouco depois da advertência de Peskov, chamou a atenção o fato de que o chanceler da República Tcheca, Jan Lipavsky, afirmou em Praga, segundo as agências de notícias, que seu país, “em geral”, não tem “problema” com o fato de a Ucrânia se defender da Rússia “também mediante ataques que necessariamente precisam ocorrer em território russo”.

República Tcheca, Estônia, Holanda e Letônia são alguns dos membros da OTAN que apoiam a ideia de que a Ucrânia use as armas fornecidas pelos Estados Unidos e seus aliados dentro do território russo.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.

Juan Pablo Duch Correspondente do La Jornada em Moscou.

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