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Cannabrava | Incompetência leva país à crise energética e põe Petrobras em risco terminal

No desespero, estão preparando o golpe final: dizer que semiestatal não serve para nada, que só aumenta os preços, e vendê-la a preço de banana
Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul Global
São Paulo (SP)

Tradução:

Diesel nos postos para consumidores a R$ 7 (R$ 6,971), gasolina também a R$ 7 (R$ 6,971), em alguns lugares a R$ 8. Nunca foram tão caros. A alta de mais de 20% nos combustíveis contribui para elevar a inflação, que registrou 12,13% nos últimos doze meses, podendo chegar a 15% logo, logo.

Desde que assumiu, e com mais ênfase a cada aumento dos combustíveis (gás, gasolina e diesel), o governo de ocupação trata de pôr a culpa na Petrobras e nos preços internacionais do petróleo.

Estou cheio da Petrobras… já não aguento mais… disse mais de uma vez o mago do diversionismo, capitão Jair Bolsonaro, que atua como presidente da República no governo dos generais.

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Também devem estar assustados com a ameaça de greve dos caminhoneiros. Uma greve de empresários e de peões metidos a empresários, cuja fidelidade vem sendo afetada pelos aumentos injustificados dos combustíveis, além da má qualidade das estradas e da falta de infraestrutura para encarecer o custo do transporte e diminuir o lucro.

Nada muda: presidente da Petrobras nomeado por Bolsonaro vai manter alta de preços

Um jogo perigoso. Nos estertores de fim de mandato, não tendo conseguido livrar-se da Petrobrás até agora, no desespero eles estão preparando o golpe final: fazer como Fernando Henrique Cardoso fez com a Vale do Rio Doce. Dizer que não serve para nada, que só aumenta os preços, e vender a preço de banana. Preço de banana para a Nação… venda bilionária que enriquecerá ainda mais os intermediários da negociata. Assim de simples.

Para distrair a nação do problema real, o governo troca ministros e diretores da estatal. Como já ficou claro, eles ocupam todos os espaços, inclusive o das oposições.

Do Ministério de Minas e Energia, sai Bento Albuquerque – um almirante deslumbrado, que nunca imaginou ganhar tanto dinheiro – e entra Adolfo Sachsida, que deixa a chefia da Assessoria Especial de Estudos Econômicos do Ministério da Economia. Sachsida está na equipe de Paulo Guedes desde a campanha de 2018 e fez parte da equipe de transição.

Se está com Guedes, tem que pensar como Guedes. Assim sendo, tomou posse anunciando que quer vender a Petrobras. Sachsida diz que começará liquidando o sistema de partilha e dando tudo em concessão. É o fim… não só da Petrobras, é o fim do Brasil. Colônia ad eternum

Cannabrava | País desmorona enquanto abutres devoram Petrobras e o que resta do Brasil

Na Petrobras, o desmando começou ainda no governo ilegítimo de Temer, resultante do golpe contra Dilma, que colocou Pedro Parente na presidência da empresa, seguido de Ivan Monteiro. Com Bolsonaro, alternaram Roberto Castello Branco e Joaquim Silva e Luna.

Pedro Pullen Parente (maio 2016 – jun 2018), serviu a todos os governos (Sarney, Collor, FHC, Temer e Bolsonaro), menos do PT (Lula, Dilma). Não foi dos desestatizantes, mas quem adotou a política de paridade de preços internos com o preço internacional do petróleo.

Ele aparece nas listas da Forbes como bilionário executivo da BRF – Brazilian Foods SA, maior empresa de alimentos do mundo, dono da Sadia, Perdigão. Quando presidiu a empresa, provocou a greve dos caminhoneiros.

Ivan Monteiro (jun 2018 – jan 2019), um homem do mercado financeiro, assumiu com a missão de devolver confiança à empresa abalada pela Lava Jato.

Roberto Castelo Branco (jan 2019 – abr 2021) era executivo na área financeira da Vale. Na Petrobras, ascendeu ao posto por causa da política de preços do antecessor e caiu devido à pressão da oposição, ou seja, do próprio governo, por conta da subida constante dos preços. Deixou a semiestatal para assumir uma empresa que comprou campos de petróleo da Petrobras vendidos por ele como presidente, um negócio de cerca de R$ 3 bilhões.

Cada privatização na área gera um círculo vicioso de corrupção e resulta na multiplicação de novos ricos, sem escrúpulos. O grupo Reman ficou com a refinaria de Manaus, em 2016, quando suas distribuidoras tinham 20% do mercado de combustível no Amazonas; hoje tem 52%.  

General Joaquim Silva e Luna foi ministro da Defesa de Temer – o ilegítimo – e antes de assumir a Petrobras era diretor geral da Itaipu Binacional; não durou nem um ano no cargo e caiu pelas mesmas razões. Tudo é marketing, tudo é diversionismo. Durante sua gestão, a gasolina subiu 32% e o diesel 56%. Antes de entrar na Administração, foi adido em Israel onde se aperfeiçoou em combate básico.

Sai um general, entra Adriano Pires, civil ilustrado com diploma de universidade francesa. Este também não dura nada no cargo, cai, entra…

José Mauro Ferreira Coelho, junto com Marcio Andrade Weber na presidência do Conselho. José Mauro Coelho trabalhou com o almirante Bento Albuquerque nas Minas e Energia e desde 2020 estava na presidência do Conselho da Petrobras.

Ao assumir a presidência da empresa no dia 6 de abril, informou que convocará o Conselho para que autorize a venda da empresa. No seu lugar, no comando do Conselho, entrou Marcio Andrade Weber, outro da equipe do almirante nas Minas Energia.

O que pode ter retardado a venda da Petrobras pelos sucessivos presidentes colocados pelos militares seguramente foi o polpudo salário de 200 a 260 mil reais, mais as mordomias e, no caso dos militares, o soldo às nossas custas.

Militares estão se preparando para continuar no poder com ou sem Bolsonaro

Essa questão dos altos salários, duplicados no caso dos militares (soldo mais remuneração e mordomias no cargo público ou privado) virou uma espécie de porta-giratória para premiar a fidelidade dos oficiais. Os que saem do governo, seja por aparente divergência, dão lugar a mais um premiado de quem se vai cobrar fidelidade.

No desespero, estão preparando o golpe final: dizer que semiestatal não serve para nada, que só aumenta os preços, e vendê-la a preço de banana

Petrobras
Estou cheio da Petrobras… já não aguento mais…




Lula é a alternativa para salvar a Petrobras

Na contramão da ofensiva destruidora, dilapidadora, Lula promete acabar com essa regra de paridade de preços e resgatar o protagonismo da Petrobras. É o que a mídia, se tivesse vergonha na cara, devia estar a exigir do atual governo de ocupação. Essa equiparação do preço interno com o preço internacional não existe em lugar nenhum do mundo. Para a frustrada oligarquia que se vendeu aos interesses dos Estados Unidos, Lula é o atraso. 

Lula não é o atraso. Lula é a única alternativa saudável e viável para derrubar o governo dos militares – governo de ocupação a serviço dos Estados Unidos – livrar-se das garras do imperialismo e iniciar uma transição para uma democracia participativa e um desenvolvimento sustentável.

Por que essa ojeriza contra Lula? Será ranço oligárquico? Preconceito de classe? Consciência vendida? Mentalidade tacanha de Maria-vai-com-as-outras? 

Desde 1980, o PT foi quem fez a melhor gestão do sistema neoliberal então adotado. Supera de longe Sarney, Collor, Itamar, FHC, Temer, Bolsonaro. Resumindo numa única expressão: a economia funcionou. A democracia também. Os demais governantes ofereceram descalabro. Com o PT havia esperança, risos de alegria, com os demais, desalento, medo.

Temos nos dedicado a estudar e dar espaço aos especialistas acadêmicos para entender a Questão Militar. O governo do PT, Lula, encontrou as forças armadas sucateadas. Não havia dinheiro nem para o rancho da soldadesca. O governo deu dignidade à tropa, reequipou as três forças e manteve diálogo cordial mediado pelos ministros da Defesa, todos civis: José Alencar, Waldir Pires, Nelson Jobim, Celso Amorim, Jaques Wagner, Aldo Rebelo…

Cannabrava | De Duque de Caxias aos generais de Bolsonaro: a questão militar não resolvida na história do Brasil

Mais que um ódio de classe, aqui se adiciona a subordinação dos oficiais ao comando dos Estados Unidos. Foram formados não para serem um Estado Maior subordinado à estratégia de desenvolvimento nacional, mas operacionais, auxiliares da estratégia de dominação do império. Tropas pretorianas, é isso. Ponha nisso uma tremenda dose de oportunismo, ânsia de ascensão social.

A metrópole imperial também sabe que não é hora de dispersar forças para um embate decisivo que se está travando com vistas às eleições de outubro. Movimentação de altos funcionários aqui pelo território demonstra que estão ativos. Eu imagino a atividade dentro das embaixadas e consulados. 

Entre as mais recentes e escandalosas foi a visita do chefe da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), William Burns – segundo a Reuters, em junho de 2021, mas só divulgada em 5 de maio deste ano – que mandou Bolsonaro calar a boca, ou seja, parar de questionar a legitimidade do processo eleitoral.

Nesse mesmo dia, veio recado do porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, quem referindo-se ao histórico democrático do Brasil disse da importância de que se confie no sistema eleitoral. Poucos depois, no dia 10, a subsecretária de Estado, Victoria Nuland, em entrevista à BBC, disse que o que precisa acontecer são eleições livres e justas, usando as estruturas institucionais que já serviram bem no passado.

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O que aconteceu com essas altas autoridades ianques? Viraram democratas? Respeitadores das Leis? 

Animados com a verborragia dos agentes imperiais, supremos juízes descartam interferência das Forças Armadas. Edson Fachin, na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse aos generais que quem trata das eleições são as forças desarmadas, enquanto André Mendonça, que presidirá a eleição, proclama que quem ganhar, assume.

Para mim, o recado está dado. Nós vamos ganhar no voto e, como foi feito em 2018, que ninguém se meta a contestar a eleição. Mais quatro anos de submissão e subserviência ao império. Como em 2017 e 18, despejarão dólares de helicópteros (fizeram isso na Ucrânia).

Quem estuda história sabe que supremos juízes e forças armadas sempre estiveram mancomunados em todos os golpes de estado. Escandalosamente cúmplices da farsa eleitoral de 2018, iniciada com a deposição de Dilma. 


Partidocracia do imbróglio

Pesquisa encomendada pelo Senado, sobre o panorama político, indica que 21% se diz de direita; 11% de esquerda; 9% de centro; 4% não sabe e a maioria de 55% diz que nem uma coisa nem outra. Isso reflete o drama maior desse nosso povo. É o que se pode esperar em país de analfabetos funcionais, em que ninguém lê, e em que os partidos políticos são pura enganação, sem princípios e programas. Quem lê? 

O centro perdeu a razão de ser. Assim como tentar uma saída por meio de um tércio. As forças democráticas têm que se concentrar num único polo. E, gostem ou não dele, já dizia Barack Obama: Lula é o cara. O confronto não é entre esquerda e direita. O confronto é entre um governo dos militares, com intenção de se perpetuarem, e dos civis, que pretendem reconstruir a democracia.

A frente é de Libertação Nacional. Tem que ser muito ampla. Cabe todo mundo: patriotas e democratas, de centro, de direita e de esquerda num movimento civilista que ressuscite as ideias libertárias do grande Rui Barbosa. 

Lula, no discurso em que confirmou sua candidatura, foi muito claro em definir a urgência da hora e as bandeiras da unidade que podem ser resumidas em três expressões: Soberania, Participação e Constituição. No respeito à lei, vamos construir a democracia participativa por meio dos Conselhos e recuperar a Soberania em seu mais amplo espectro.

Após reconquistar a democracia, vamos tratar de repensar o Estado, a Política, refazer o grande acordo nacional numa constituinte exclusiva e soberana.

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No entanto, a partidocracia brasileira, dominada por agentes do sistema ou salafrários, segue resistindo. Segue evidenciando que o sistema político, esse tipo de democracia pluripartidária, precisa mudar, já não serve mais para nada porque impede qualquer tipo de mudança. Esses caras precisam ser derrotados nas urnas logo no primeiro turno, pois, caso contrário, cerrarão filas para manter o status quo, tornarão mais difícil o segundo turno.

Ciro Gomes, cada vez mais isolado, tenta convencer Simone Tebet, presidenciável do MDB, a ser sua vice. Ambos são inviáveis, portanto, atrapalham, mas insistem. MDB, que já foi o maior partido, está tão dividido quanto o reino do tucanato. Simone, neste final de semana, ganhou apoio de Pedro Simão. Peemedebista histórico, foi deputado, senador e governador do Rio Grande do Sul, parecia ser um democrata, perdeu o senso da realidade.

O MDB tem até o dia 18 para decidir se vai de Simone. As pesquisas não vão alterar esse quadro bipolar. Deveria se concentrar nos estados, seguir o exemplo de Renan Calheiros. Elegeu o governador do Estado, elegerá seu filho senador e apoia Lula. 

Luciano Bivar, o pernambucano que assumiu a presidência do União Brasil, teve sua candidatura lançada em abril. Um cartola do futebol, até agora funcionou como apoio ao governo predador e corrupto. É a típica candidatura que sai para atomizar o voto e garantir vitória no segundo turno.

A imprensa não desiste de Moro, impressionante. Ninguém mais quer esse cara, nenhum partido, só a imprensa. Como explicar isso? As empresas de pesquisa também corroboram com a sobrevida desses cadáveres políticos. Nas pesquisas também aparece um Datena cotado em 16% para o Senado. Quem é esse cara? 

Na mídia, elite desconsidera decisão da ONU e mantém retórica de culpa de Lula

Damares Alves, a ministra que liquidou com a Justiça de Transição, é candidata ao senado pelo Republicanos, o partido da Iurd, presidido pelo bispo Marcos Antônio Pereira. Dinheiro é que não faltará na sua campanha… dinheiro de dízimo extorquido de fiéis incautos. Fernando Marques, da União Química, aquele que queria vender 150 milhões de doses da vacina Sputnik V, com todo dinheiro do mundo perdeu eleição em 2018, mas insiste. É candidato ao Senado pelo PP.

Hipocrisia tornou-se apanágio dos tucanos. Não só dos tucanos, mas Dória diz que recorrerá à Justiça Eleitoral para fazer respeitar a decisão plebiscitária das prévias eleitorais que o referendou como candidato. FHC, patrono do partido, apela a que se respeite a decisão. Está certo. Os que perderam não o aceitam, inclusive o presidente da Executiva.

São golpistas, repetem o comportamento de Aécio Neves, que questionou a eleição em que foi derrotado por Dilma. O lado bom do tucanistão ficará com Lula. Já se manifestaram José Aníbal, Aloysio Nunes. Aloysio inclusive disse que Dória já foi rifado e que não existe uma terceira via. O que fará Tasso Jereissati? 

PSD de Gilberto Kassab continua em cima do muro, trabalhando quieto nos estados. Estes que apoiaram todos os governos só apostam no vencedor. É cedo portanto para decidir.

Esses são os ruins. Os vendilhões da pátria. Quem são os bons? Taí uma boa lição de casa: fazer uma lista de candidatos confiáveis. Espero a contribuição de nossos apoiadores para essa lista.

Paulo Cannabrava Filho, editor da Diálogos do Sul.


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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da Agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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