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Cannabrava | Reviravoltas na partidocracia: Vale tudo para ter 2º turno e assegurar reeleição

Objetivo de lançar mais uma candidatura é tentativa desesperada de evitar perderem no primeiro turno; é matemático: divide agora, soma depois
Paulo Cannabrava Filho
Diálogos do Sul
São Paulo (SP)

Tradução:

Ciro Gomes, candidato do PDT, indo para o mesmo caminho que o João Doria, candidato do PSDB, ou seja, para o lixo. Ainda está em tempo de reverter. Difícil, mas é o único jeito.

Os vídeos em que Ciro desanca Lula, dizendo, por exemplo, que não foi inocentado, que é culpado, já estão sendo utilizados pelos manipuladores das redes sociais que apoiam a reeleição de Bolsonaro. 

Para quem serve isso? 

O PDT de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro historicamente apoiou Lula no segundo turno quando o próprio Brizola perdeu, e no primeiro quando não concorreu. Sabia como e por quê engolir sapo, mesmo sendo um sapo barbudo. Ciro, na contramão dos trabalhistas, fugiu da reta e foi para Paris. As circunstâncias são outras, a pátria está em perigo, e não é hora de enfraquecer o lado mais frágil na correlação de forças em disputa: o lado da democracia no confronto com o fascismo.

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As pesquisas mostram que Lula se mantinha estável, em torno de 44% das preferências de voto. Bolsonaro também se mantinha estável em torno dos 30%. Na quinta-feira, deu uma reviravolta, com Lula emplacando 48% e Bolsonaro 27% na pesquisa do Datafolha, seguidos de Ciro Gomes que caiu de 8% para 7%. A matemática mostra que se os 4% dos eleitores do Doria, mais os 7% dos eleitores do Ciro, integrarem a frente democrática, Lula ganha no 1º turno.

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Não obstante, os 4%, conseguidos pelo tucano João Doria em dois anos de pré-campanha, não conseguiram deslanchar. Doria jogou a toalha. Se rendeu à traição dos golpistas de seu partido. Os demais candidatos giram em torno de 2% ou menos.

O que jogou contra Doria?

O cara acumulou vitórias conquistando a prefeitura paulistana e logo o governo paulista, venceu as prévias no partido, tem nas mãos a máquina do Estado, uma empresa que reúne empresários ricos e agência de comunicação. E com tudo isso, foi fritado.

Que força é essa? É a força do dinheiro. Então é preciso ficar atento, o dinheiro pode sim fazer a diferença e mudar o quadro político.

Objetivo de lançar mais uma candidatura é tentativa desesperada de evitar perderem no primeiro turno; é matemático: divide agora, soma depois

Montagem Brasil 247
O objetivo de lançar mais uma candidatura é tentativa desesperada de evitar perderem no primeiro turno. É matemático.




A quem servem as pesquisas?

Todos os dias temos pesquisas. Perceberam? Se não é de um meio (Datafolha, PoderData) é encomendado por empresas, geralmente ligadas ao mercado financeiro, como a XP ou um banco. A quem servem as pesquisas? É necessário refletir, pois o uso das pesquisas eleitorais está dentro das táticas de diversionismo e farsa eleitoral.

As pesquisas tendem a mostrar a disputa como uma competição que será ganha por quem realiza a melhor campanha, o marketing, que não deixa de ser mercado. Candidato Mercadoria. Não se fala em programa. Discutir alternativa? Proibido. Proibido falar contra o pensamento único.

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Bolsonaro se mantém em torno dos 30%, mas tem a máquina do governo, os meios de comunicação, as Forças Armadas e o Centrão trabalhando para permanecer no poder, e muita gente do sistema envolvida para continuar ganhando dinheiro. 

Com vistas a fortalecer ainda mais o Centrão, Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, acaba de destituir Marcelo Ramos (PSD) da vice-presidência por Lincoln Portela (PL), mineiro da bancada evangélica, com 232 votos. Nem precisou do rolo compressor dos 300 votos. Essa turma vai fazer o possível e o impossível para se manter no poder. 

A bancada evangélica é forte e, mesmo dividida, terá influência no voto dos 30 milhões de adeptos, principalmente aqueles de tendencia sionista com planos de estabelecer um Estado teocrático no Brasil.

Para que serve mais uma candidatura?

O objetivo de lançar mais uma candidatura é tentativa desesperada de evitar perderem no primeiro turno. É matemático. Divide agora, soma depois.

O Partido Novo, criado e financiado por banqueiros, lançou Luiz Felipe D’Avila candidato, desde o ano passado, e conseguiu nem traço nas pesquisas, mas insiste. Mostrando o quanto são poderosos, na semana passada anunciaram que o partido abre mão dos R$ 87 milhões do fundo eleitoral. 

É. Deixa pra gastança do governo o que é o mais cobiçado na campanha. Vai fazer campanha com que dinheiro? Doações dos bancos? Dos milionários? Dinheiro é que não vai faltar, apesar de proibido. Para isso tem financiamento público.

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Nesta semana, foi consolidada a candidatura da sul-mato-grossense, Simone Tebet, pelo MDB, tendo como reboque o Cidadania e ao qual se somarão os tucanos fiéis a Bruno Araújo, presidente do partido, que conseguiu defenestrar o poderoso Doria, vitorioso nas prévias.

Na escolha de Tebet, que empatava com Doria nos míseros 2%, valeu quem tem a menor rejeição, 37% para a madame, 53% para o cavalheiro fritado. Para onde vão os 2% do Doria? Segundo a Quaest, 77% rejeitam Bolsonaro e 62% rejeitam Lula. Mas um voto decide uma eleição. 

Simone Tebet, lançada por um MDB dividido em pelo menos três tendências, e os interesses locais em cada estado, está entusiasmando setores empresariais e acadêmicos como, por fim: uma terceira via!

Que terceira via é essa? Não passa de mais do mesmo só trocando as figurinhas. 

Esse MDB e a própria Tebet votaram pela deposição da presidente Dilma Rousseff em 2016 e foram coniventes com a operação de inteligência que resultou na farsa eleitoral de 2018 e, até agora, tem apoiado a desmontagem do Estado e a depredação do ecossistema, levados a cabo pelo governo dos militares geridos por um bando de assassinos econômicos. 

Tebet sai agora dizendo que é candidata por amor ao Brasil. Vamos todos unir o Brasil pelo amor. Que amor é esse? O de se vestir com a bandeira e entregar as riquezas naturais? O amor pelas chacinas diárias contra os que habitam a outra cidade? Amor de Bope?

Quem são os empresários que saúdam a terceira via? São os mesmos que participaram da articulação golpista: Gávea, Ultra, Klabin, XP … Nunca na história vão se livrar de terem sido responsáveis pela desgraça que atinge a nação. Foram vocês que adotaram o pensamento único e, rejeitando alternativas, preferiram o fascismo que nos leva ao caos.

Nada fizeram em defesa da soberania, e é disso que se trata.

Deixar claro de que na eleição está em jogo a soberania do país. 

Toda campanha eleitoral é meio de comunicação, tem que ser didática e pedagógica para que a população entenda o que é soberania e o que é um país sem soberania. Sem soberania não há democracia possível, é ser colônia eternamente.

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Soberania Alimentar, prevista na Constituição. 

O Estado neoliberal e nas mãos de militares devolveu o país ao Mapa da Fome. 

O CadÚnico, do Ministério da Cidadania, órgão do governo de ocupação, acaba de constatar que de maio de 2021 a abril de 2022, o número de famílias em situação de extrema pobreza aumentou de 14,6 milhões para 18,2 milhões, um acréscimo de 25%. Dos 83 milhões registrados no CadÚnico, 47 milhões estão em extrema pobreza. Do total da população de 220 milhões, 110 milhões estão em situação de insegurança alimentar, sem emprego, sem esperança.

Sem política agrícola, não há como ter segurança alimentar. 

Com as decisões sobre o que plantar e o que exportar tomadas por uma meio dúzia de empresas transnacionais, jamais se satisfará a fome do povo. É uma questão de soberania o Estado decidir sobre política agrícola em benefício da nação.

Constituição e Soberania são palavras chaves que devem orientar o eleitor. Ver no histórico de cada candidato seu comportamento com essas duas questões cruciais. Não se deixar enganar. Não é roupa amarela nem declarações de amor a deus e à pátria que salvam. É soberania jurídica, são as propostas concretas do que fazer para assegurar democracia, soberania e desenvolvimento.

Paulo Cannabrava Filho, jornalista e editor da Diálogos do Sul.


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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Paulo Cannabrava Filho Iniciou a carreira como repórter no jornal O Tempo, em 1957. Quatro anos depois, integrou a primeira equipe de correspondentes da Agência Prensa Latina. Hoje dirige a revista eletrônica Diálogos do Sul, inspirada no projeto Cadernos do Terceiro Mundo.

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