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Caso García Luna: Defesa pede tempo para analisar mais de 1 milhão de laudas do processo

Além das folhas, material inclui 5 arquivos eletrônicos e 4,9 mil gravações com possíveis provas contra ex-secretário de Segurança Pública mexicano
David Brooks
La Jornada
Nova York

Tradução:

Os advogados de Genaro García Luna solicitaram postergar o julgamento de seu cliente, programado para 24 de outubro, possivelmente até fevereiro de 2023, citando o volume de evidências apresentadas pela promotoria federal e que devem ser avaliadas, incluindo centenas de milhares de documentos e centenas de horas de gravações. 

Em uma carta enviada ao juiz federal Brian Cogan, do Tribunal Federal do Distrito do Leste de Nova York, que preside o caso judicial contra o ex-secretário de Segurança Pública do México, o advogado defensor, Cesar de Castro, e sua equipe argumentam que o volume crescente de documentos apresentados pela promotoria – mais de um milhão de laudas até agora – e sobretudo os que são materiais classificados, estão alargando o processo de avaliação do material pela defesa para que se prepare para o julgamento. 

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A solicitação inicial para postergar o julgamento pela defesa foi feita durante a audiência preparatória mais recente, em 15 de julho, mas na carta oferecem maiores detalhes para seu argumento. 

Indicam que o material classificado tem que ser avaliado por García Luna em sua prisão – o Centro Metropolitano de Detenção em Nova York – junto com um integrante da equipe de sua defesa, já que, segundo os regulamentos, não é permitido fazer cópias do material. A solicitação para que García Luna avalie os papéis inclui os mais de um milhão de laudas de evidências já apresentadas pelos promotores no caso. Além disso, assinalam que os promotores agregaram 7.500 páginas a mais, 5 arquivos eletrônicos e 4.900 gravações, tudo protegido por regras de material classificado.

Assinalam que, por ora, se desconhece o volume do material nos arquivos eletrônicos e a duração das gravações – calculam que, ainda que tivessem só 2 minutos cada uma, isso implicaria 165 horas de gravação. 

Diante de tudo isso, não reiteraram sua solicitação de postergar o início do julgamento para 9 de janeiro – data que o juiz havia reservado em caso da necessidade de atrasar o julgamento – mas sim consideraram uma nova data, em fevereiro de 2023. 

García Luna foi preso em Dallas e transferido a Nova York em dezembro de 2019. Ele enfrenta acusações federais nos Estados Unidos por, entre 2001 e 2021, quando ocupava a direção da Agência Federal de Investigações, e de 2006 a 2012, no cargo de secretário de Segurança Pública, brindar assistência ao Cartel de Sinaloa em troca de subornos de dezenas de milhões de dólares.

Além das folhas, material inclui 5 arquivos eletrônicos e 4,9 mil gravações com possíveis provas contra ex-secretário de Segurança Pública mexicano

Animal Político
García Luna “ameaçou, fustigou e subornou jornalistas que investigavam seus delitos”, acusam promotores

Promotores reiteram evidência de que García Luna tentou intimidar testemunhas e subornou meios no México

Promotores federais estadunidenses reiteraram e ampliaram seus argumentos para admitir evidências em um eventual julgamento de que García Luna ameaçou e subornou jornalistas quando tinha um posto oficial e que, mais recentemente, desde que está preso, buscou a possibilidade de intimidar possíveis testemunhas contra ele, incluindo ameaças de assassinatos a suas famílias.

Os promotores, ao responder a objeções da defesa de García Luna de admitir esta evidência, apresentaram um memorando enviado ao juiz federal Brian Cogan, encarregado do processo judicial contra o ex-secretário de Segurança Pública e ex-chefe da polícia federal do México. 

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Os promotores, encabeçados por Breon Peace, reiteraram sua intenção de introduzir evidências de que, durante seu tempo no governo, García Luna “ameaçou, fustigou e subornou jornalistas que investigavam seus delitos”. Recusam os argumentos da defesa criticando a credibilidade de uma jornalista como testemunha no julgamento – que a defesa anteriormente revelou supor que seria Anabel Hernández. Os promotores afirman que a credibilidade da testemunha não deve determinar a admissão de sua evidência no julgamento, já que isso será avaliado nos interrogatórios diante do júri.

A promotoria também tem a intenção de introduzir provas de que, por volta de 2009 ou 2010, o acusado usou fundos provenientes de atos corruptos “para pagar subornos a uma organização de notícias para evitar que jornalistas dessa organização publicassem notas negativas sobre suas associações com cartéis de droga”.  

Ao especificar mais sobre parte dessa evidência, os promotores assinalam que antecipam a apresentação de provas de que os esforços do acusado “para subornar um editor (equivalente a um chefe ou diretor) em uma organização de notícias tiveram êxito”. Sublinham que os esforços contínuos de García Luna de subornar e fustigar jornalistas “são diretamente relevantes e inextricavelmente entrelaçados com sua “assistência corrupta” ao Cartel de Sinaloa.

Em torno às tentativas de García Luna de manipular testemunhas depois de sua prisão, os promotores informam que buscarão introduzir pelo menos uma gravação entre o acusado e outras pessoas, na qual “o acusado discutiu ameaças de violência e manipulação de testemunhas contra ele”. 

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Ao rechaçar os argumentos da defesa, que para que para que as não fossem aceitas as evidências deste informante – identificado previamente como outro réu em uma cela adjunta ao acusado e que cooperou com a promotoria fingindo ter vínculos com a máfia russa em Nova York – a promotoria repete que a evidência tem a ver com o que disse García Luna e não com a credibilidade do informante. 

Em resposta ao fato de que muitas das gravações entre o acusado e a agora testemunha cooperante na prisão são inaudíveis, os promotores assinalam que há muitas partes onde as gravações são claras, em particular em uma parte onde o acusado menciona “um interesse em matar não só a testemunhas cooperantes, mas sim também suas famílias”.

Revelam também que essa gravação é de “uma discussão sobre manipular um indivíduo que o acusado crê que será uma testemunha contra ele”, e que a forma em que fala é diretamente relevante às acusações criminais que o acusado enfrenta.

O julgamento de García Luna está programado para 24 de outubro – embora o juiz esteja contemplando as solicitações para postergá-lo para início de 2023 – diante do Tribunal Federal do Distrito do Leste no Brooklyn, Nova York, o mesmo lugar e juiz que realizou o julgamento de Joaquín El Chapo Guzmán.

David Brooks, correspondente do La Jornada em Nova York.
Tradução: Beatriz Cannabrava


As opiniões expressas nesse artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul

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As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
David Brooks Correspondente do La Jornada nos EUA desde 1992, é autor de vários trabalhos acadêmicos e em 1988 fundou o Programa Diálogos México-EUA, que promoveu um intercâmbio bilateral entre setores sociais nacionais desses países sobre integração econômica. Foi também pesquisador sênior e membro fundador do Centro Latino-americano de Estudos Estratégicos (CLEE), na Cidade do México.

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