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Foto: Ministério das Relações Exteriores da Rússia

China e Rússia ampliam cooperação contra ofensiva do Ocidente na Eurásia

Segundo Lavrov, Otan e OSCE se esgotaram como estruturas relevantes capazes de qualquer negociação significativa baseada no equilíbrio de interesses
Daniel González Delgadillo
La Jornada
Pequim

Tradução:

Beatriz Cannabrava

China e Rússia concordaram nesta terça-feira (9) em aprofundar a cooperação em matéria de segurança na região eurasiática com a finalidade de combater as operações lançadas na região pelo Ocidente, ao mesmo tempo que asseguraram que suas relações se elevaram ao “nível mais alto da história”.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou, após reunir-se com seu homólogo chinês, Wan Yi, no Grande Salão do Povo, em Pequim, que as plataformas existentes de segurança euro-atlântica, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), se esgotaram como estruturas relevantes capazes de qualquer negociação significativa baseada no equilíbrio de interesses.

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“A tarefa de formar a segurança eurasiática é necessária. O presidente (Vladimir) Putin mencionou isso em seus discursos diante da assembleia federal. Nossos amigos chineses e eu concordamos em iniciar um diálogo, com a participação de outros com ideias afins sobre este tema”, disse o diplomata russo, citado pela agência Sputnik, em seu segundo e último dia de atividades no gigante asiático.

Wang assegurou que ambas as potências deveriam “opor-se ao hegemonismo e à política de poder, opor-se ao monopólio dos assuntos internacionais por parte de uns poucos países. A OTAN estende a mão à nossa pátria comum”. O diplomata chinês indicou: “Vemos que, graças aos líderes, as relações russo-chinesas de associação integral e cooperação estratégica alcançaram um nível sem precedentes, sem exagero algum”. Agregou que com seu par russo teve um “intercâmbio profundo sobre distintos temas candentes internacionais e regionais (…), incluídos os conflitos da Ucrânia e palestino-israelense”.

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O chanceler russo assinalou que a “chamada fórmula de paz” apresentada pelo presidente ucraniano, Volodimyr Zelensky, estava “ausente completamente de qualquer realidade”, enquanto seu par chinês repetiu os apelos de seu governo a um cessar-fogo e a “um pronto fim da guerra”.

Horas mais tarde, o presidente da China, Xi Jinping, se reuniu com Lavrov, informaram os meios estatais de ambos os países. “Gostaríamos de expressar nosso maior apreço e admiração pelos êxitos que têm logrado ao longo dos anos e, sobretudo, durante a última década sob sua liderança”, comentou o alto diplomata. “Estamos sinceramente satisfeitos com estes êxitos, já que são êxitos de amigos, embora nem todos no mundo compartilhem esta atitude e estejam tratando, por todos os meios, de frear o desenvolvimento da China, de fato, o mesmo que o desenvolvimento da Rússia”, apontou o funcionário russo.

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Apenas algumas semanas antes de a Rússia iniciar sua operação na Ucrânia, Putin visitou Pequim para a inauguração dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 e as partes firmaram um pacto prometendo uma relação “sem limites” em que a China apoia a linha da Rússia, inclusive enquanto insiste formalmente em conversações de paz.

Xi se reúne com ex-mandatário de Taiwan

O presidente da China, Xi Jinping, se reuniu, na terça-feira (9), com o ex-mandatário de Taiwan, Ma Ying-jeou (2008-2016), para impulsionar, sem que nenhuma “interferência estrangeira” intervenha, a unificação pacífica do estreito, zona em que ambos os lados ficaram separados depois da guerra civil de 1949. Ao iniciar a reunião no Grande Salão do Povo desta capital, Xi elogiou a Ma por opor-se à “independência de Taiwan”, promover os intercâmbios através do estreito e estar de acordo em que ambos os lados pertencem a “uma só China”.

“Os compatriotas de ambos os lados do estreito de Taiwan são todos chineses. Não há rancor que não se possa resolver, nenhum tema que não se possa discutir e nenhuma força que possa nos separar”, declarou o mandatário, e pontuou que “a interferência externa” não pode deter a tendência histórica de reunificação da família e do país”.

Qualificado de “histórico” pelos meios estatais do país, entre eles Xinhua e CCTV, foi a primeira vez que um ex-presidente da ilha é recebido pelo máximo líder do gigante asiático em Pequim desde que o partido Kuomintang (KMT), de Chiang Kai-shek, fugiu para Taipei em 1949 ao finalizar a revolução. Ma assinalou a Xi que “embora dois lados do estreito se desenvolveram sob sistemas diferentes, ambos os povos pertencem à nação chinesa”, e argumentou que “os compatriotas de ambos são chineses. Não há rancor que não possa ser resolvido. Não há problema do qual não se possa falar. E não há forças que possam nos separar”.

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“Espero sinceramente que ambas as partes respeitem os valores e a forma de vida que a tesoura o povo e mantenham a paz”, precisou Ma, que está a ponto de concluir uma “viagem de paz” de onze dias, após uma visita histórica há pouco mais de um ano. Ma é um membro de alto nível do KMT, que obteve a maior quantidade de cadeiras nas eleições parlamentares de Taiwan em janeiro passado sob o partido Kuomingtang, mas não logrou capturar a presidência pela terceira vez consecutiva.

Ambos os líderes se reuniram pela última vez em Singapura, em novembro de 2015. O maior destaque dessa reunião foi um aperto de mãos. A relação decaiu desde 2016 com a chegada ao poder do atual mandatário. O presidente eleito é o vice-presidente Lai Ching-te, o qual foi acusado por Pequim de ser um “perigoso separatista”.

La Jornada, especial para Diálogos do Sul – Direitos reservados.


As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, a opinião da Diálogos do Sul do Global.
Daniel González Delgadillo

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